É suposto que a política ajude a sociedade a desenvolver-se e melhorar. Ou, pelo menos, que não atrapalhe. Pois em Portugal não só temos uma classe política que é muito pior do que a sociedade que deveria representar, como há um sistema que impede a resolução dos seus problemas, e até os agrava, como está à vista com estas eleições presidenciais e o estúpido prazo de seis meses sem possibilidade de dissolução do Parlamento que elas impõem, num momento em que precisávamos de clarificação política como de pão para a boca.
Mesmo quem não é monárquico como eu, como, por exemplo, António Barreto ou Pedro Lomba, já aventaram a possibilidade de termos eleições indirectas para a presidência, tal como acontece em repúblicas europeias como a Alemanha ou Itália. Creio que nunca houve tanto descrédito neste regime republicano de chefia de Estado como agora, como o demonstram os debates. Uns dizem que vão fazer, mesmo sabendo que os seus poderes não dão para isso, outros, como Cavaco, dizem que não têm poderes, mas que mesmo assim devemos tornar a votar nele em nome da melhoria do País, quando ele não soube ou não pôde evitar o descalabro em que nos encontramos. Nenhum deles tem, como é evidente, capacidade de assumir a representação de “todos os portugueses” e tudo o que fazem (mesmo o “independente” Fernando Nobre, suspeito de “soarismo”) é analisado do ponto de vista da sua origem partidária. E, o que é mais espantoso, a maioria dos eleitores irá votar sem saber bem para quê, porque no fundo percebe que nenhum dos candidatos com hipóteses de ganhar vai resolver coisa nenhuma.
Quer isto dizer que algo vai mudar em Portugal? Claro que não, Cavaco vai ser reeleito, fará o mínimo do que se espera dele, nós continuaremos a considerar que este sistema de dupla legitimidade eleitoral (a do presidente e a do Parlamento), uma originalidade que quase mais ninguém tem no mundo, “funciona” e até que não é mau, tudo ficará na mesma, com os jornais entretidos com as relações entre Belém e São Bento. Seja por falta de qualidade intelectual seja por inércia, a nossa incapacidade em modificar aquilo que comprovadamente não dá certo tem muito a ver com o tristíssimo estado da centenária república portuguesa.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
O tempo que não podíamos perder
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ResponderEliminarEm qualquer monarquia há eleições indirectas para Rei.
Muito bem.
ResponderEliminarTambém é verdade.
ResponderEliminarO Ano de todas as reeleições, Duarte, creio. Quanto ao fcato de os portugueses irem votar...vamos ver, quais serãos os valores da abstenção. E o valor, também
ResponderEliminarAs fotos até consagram bem essa ideia...
ResponderEliminarO cavaco tem cara de quem lhe disseram que vai ter mais de 70% dos votos e que há bolo-rei!
o defensor com cara de quem tem uns papeis que não dizem nada, mas que vai usá-los até morrer!
o nobre com cara de que lhe disseram que há çprovas que ele é monárquico... embora agora diga que não!
O lopes com cara de quem viu a múmia de lenin!
o outro com cara de quem lhe pregutaram onde está o dinheiro do Banco de Portugal da Figueira da Foz!
Caro Respública,
ResponderEliminarQue vai haver bolo, disso não restam dúvidas. Bolo Rei, não me parece...nem sequer "Bolo Lei"...mas talvez se arranje poir aí um Apfelstrudel. Espero que sem maçã envenenada.
Estou-me totalmente nas tintas e desejo ardentemente, uma abstenção superior a 50%. Fico-me pela Monarquia, a forma de representação de Estado "medieval", como bem demonstram os nossos até agora parceiros na U.E. Somos mesmo espertos e sem complexos, não é?
ResponderEliminarÉ-me razoavelmente indiferente que como todas as sondagens indicam o senhor Silva ganhe, pois não será nunca nada mais que um tecnocrata, que já deu provas de fraca estatura e estrutura moral em várias ocasiões, dos outros nem sequer pretendo que as suas pessoas me despertem qualquer interesse, tanto nas suas actividades politicas como nas quotidianas. Agora que seria uma surpresa o senhor Silva ter de ir a uma segunda volta, devido ao facto de a sua vitória ser um dado adquirido de tal forma evidente, que os seus eleitores despreocupadamente não pensem ser necessário ir dar um passeio até às suas "urnas", na falta desse pequeno soluço que é francamente improvável, já me considero satisfeito se a abstenção atingir um valor tal, que torne as eleições não representativas.
ResponderEliminarCaros Nuno e Velho,
ResponderEliminarE desta vez, mesmo que queiram, não podem dizer que foi por causa da praia.:)
Marquesa de Carabás