Se há coisa ridícula na actual situação portuguesa é tanta gente achar que não merece o que lhe está a acontecer. Há uns bons três anos que havia avisos contra as consequências do endividamento, das obras públicas megalómanas (houve até um ministro socialista, Campos e Cunha, lembram-se, que se demitiu três meses depois de tomar posse por discordar desta “via” para o crescimento económico), do aumento da despesa do Estado. Ninguém ligou, rejeitaram e ridicularizaram quem avisava, preferiram reeleger os actuais governantes ou acharem que eram muito espertos ao dizer que “os políticos são todos iguais”, que tanto fazia.
As SCUT são um bom exemplo desta falta de previsão. Há talvez dez anos que se diz que seriam insustentáveis, mas de que vale isso perante o dinheirinho que se poupa ao andar a acelerar à borla na autoestrada? O orçamento que se lixe, poupem noutras coisas, que o meu carrinho é sagrado. Agora, não há dinheiro sequer para manter as estradas em boas condições.
E os funcionários públicos, secretamente satisfeitos com o aumento de 2,9% dado pelo Governo em ano eleitoral , que agora levam uma ripada de 5% ou 10%?
De quem é a culpa do que está a acontecer a Portugal, que fará com que pessoas com 40 ou 50 anos dificilmente vejam, no seu tempo de vida, o país alcançar níveis de vida europeus? É nossa, é toda nossa, que votamos mal, que premiamos incompetentes, que rejeitamos quem é sério, que não participamos na vida política, que somos preguiçosos, que nos deixamos manipular por qualquer título de jornal “plantado” por assessores e jornalistas indignos, que mergulhamos num cinismo rasca e num hedonismo de terceira categoria. Agora é que descobrimos que isto está mal. Está mesmo muito mal. Só que agora há pouco, ou mesmo nada, a fazer.
Este tipo de comentários é previsível, mas não resisto à tentação: quando comecei a ver os entuasiasmos do governo Cavaco pelo alcatrão (anos 80) e a manutenção entre outras, da lei das rendas - um bom barómetro para aquilatar do respeito pela liberdade contratual, pilar da livre iniciativa), percebi que estávamos essencialmente dans la m****.
ResponderEliminarBastava, para tirar dúvidas, ler os artigos do Prof. Alfredo de Sousa e lembrar que o Marquês de Pombal, um burocrata pouco escrupuloso, cruel e criminoso, continua(va) a ser um herói nacional.
Esta gente acha que isto para funcionar, precisa de ser decidido pelas «pessoas do governo». É uma religião e, infelizmente, é a divindade é maléfica.
E assim, sendo um perfeito Zé da esquina, previ o que está acontecer. Até a dolorosidade do governo de maioria absoluta ps.
Confesso, porém, que nunca esperei um chafurdar tão determinado na dita.