quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um partido monárquico

 



 


O João Gomes de Almeida manifesta aqui a sua legitima discordância com estas minhas palavras sobre o PPM onde o considero uma organização incoerente com a Instituição supra-partidária que defende. Mas, porque as Causas das Coisas de facto não são a preto e branco, eu próprio nem sempre fui coerente com essa opinião, e militei naquele partido nos anos oitenta aquando da candidatura de Miguel Esteves Cardoso que quase foi eleito para o Parlamento Europeu. Extravasasse o escritor o seu carisma da pena para o palanque da política, e os monárquicos teriam feito história nessas eleições. Eu até concedo que a existência dum partido monárquico possui algumas vantagens, uma delas é aquela que constitui a debilidade da Causa Real e Reais Associações: não elegendo autarcas, deputados ou presidentes, não possuindo a organização, apesar do forte suporte social que detém, aspirações aos poderes formais da republica,  luta esta com enormes dificuldades de financiamento e patrocínio por parte dos  grandes lobbies e empresas que não vislumbram quaisquer chances de retorno em apoios financeiros. De resto, a disputa republica vs. monarquia constitui um assunto de natureza disruptiva, uma discussão que assusta muita gente que possua ou defenda grandes interesses dependentes do regime e do status quo. Só assim se entende como os diversas personalidades políticas, algumas de grande craveira e capacidade influência, simpatizantes da monarquia e dispersos pelos vários partidos sejam tão prudentes na afirmação das suas convicções monárquicas. Na verdade esta questão ainda desperta os piores instintos a alguns actores da política supostamente moderados, e ela foi causa de uma quase guerra que estragou a vida a muita gente por muitos anos.


De resto, caro João, concedo que para além da lealdade ao Duque de Bragança, o ilustre deputado municipal da Ilha do Corvo Paulo Estêvão detenha méritos que concedam os mínimos de dignidade que o símbolo do PPM merece. E espero sinceramente que consiga resgatar o partido da completa insignificância nacional a que hoje chegou e que nos envergonha a todos
Finalmente insisto que não se pode exigir aos numerosos simpatizantes da monarquia em Portugal, cuja única causa que os une é a formula da chefia do Estado (e talvez as cores da bandeira nacional), mas que divergem no resto em quase tudo o que são as suas questões prioritárias para o dia-a-dia, - das estratégias politicas ás económicas e passando pelos costumes - que se unam à volta dum mesmo partido.

8 comentários:


  1. Mas o Esteves,o Cardoso,também é monárquico,ou só um brincalhão?

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  2. Sinceramente, o PPM tem um certo património histórico que é impossível remover e foi pioneiro em muitos campos que hoje consideramos como essenciais ao nosso tempo.
    Desejo as maiores felicidades à nova direcção e o fechar de um ciclo absolutamente ruinoso e indigno. 
    Quanto ao facto da existência de um Parto monárquico, preferiria que vários outros também se declarassem como tal. Façam uma sondagem ou referendo interno - e por voto secreto - nas sedes de alguns daqueles que estão na AR e teremos uma surpresa.

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  3. Excelente análise-do passado ao presente. Mas o que nos une- a adesão à Instituição Real- terá sempre de ser mais forte do que eventuais factores de desunião.

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  4. "discordância com"?

    Olhe, meu caro, concorda-se com e discorda-se de, sabia?

    Então, fica a saber.

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  5. Já fiz o comentário a este post no FB. Mas insisto: para as ecologias, temos OMPT do Quartin Graça. Para a Monarquia - já só faz sentido a Causa Real ou as Reais Associações.
    Mesmo para os que defendem - e bem - que a questão do Regime devia ser tratada na AR, todos sabemos que o PPM (pelo menos sozinho) nunca lá porá deputados. Dá uma péssima imagem percentual dos monárquicos, porque a ignorância de uns e a má-fé dos outros confundem o partido com a uma convicção politica que lhe está muito acima.
    Que os monárquicos que militam em partidos politicos se assumam como tal, assim demonstrando o que é que tem a ver com quê.
    Ah! e que alívio ver a fadistagem fora destes circuitos. Cada vez que um deles falava na TV...

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  6. Marquesa de Carabás9 de abril de 2010 às 11:12

    O único problema que eu vejo é onde é que se vão meter o fadista?
    Era melhor arranjar-lhe um cantinho sossegado num lado qualquer, senão põe-se aí a bater às portas e ainda acaba repúblicano (maçon parece que já é) e filiado no berloque, a cantar sabe-se lá o quê...e não me parece que seja a modinha das tranças pretas que essa já esticou o que tinha a esticar
    Alguém que lhe dê guarida! Urgente!


    Cumprimentos,



    Marquesa de Carabás

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