Quando no Sábado passado no Plano Inclinado Silva Lopes elogiava o Programa de Estabilidade e Crescimento, justificando o método "gradualista" na implementação das medidas de austeridade, em confronto com Medina Carreira que desmontava o embuste, o antigo governador do Banco de Portugal acabou admitindo a inevitabilidade de, a prazo, a União Europeia vir impor uma radicalização das medidas, porque “somos incapazes de nos governar”, justificou.
Este é o maior drama dos portugueses: deslumbrados com a cultura do consumo e hedonismo, agrupados em corporações de interesses, sem liderança, sonho ou utopia, não vislumbramos para além dos dedos dos pés. Órfãos de liderança e com as instituições descredibilizadas, a governança sem veia ou estratégia, mera gestão de mercearia para as predadoras clientelas, este País é hoje incapaz de se governar.
Suponho que isto não acabará assim, que ainda nos falta o clímax desta história, deste drama. Afinal acredito que sempre se poderá romper com este fado e inverter este plano inclinado. Afinal o sucesso dum povo, depende da comunhão num ideal, superação e generosidade no lugar do conformismo e mendicância. Quem é que pega nisto?
Veja a coisa pelo lado positivo, caro João Távora. Como uma vez disse João César das Neves, só podemos ser um povo extraordinário, para resistirmos e sobrevivermos a todos os desmandos cometidos por quem nos governa há mais de 5 séculos. Poucos povos subsistiram a tanto desgoverno.
ResponderEliminarAcho isso muito pouco, caro João Costa :-)
ResponderEliminarCaro João Távora
ResponderEliminarA Pequena Alface, interroga-se sobre os 80% dos Portugueses, que estão à margem das decisões.
Muitos, são assim:
Sem Sonho ou Utopia, nada nos resta.
A questão da liderança é secundária. Tanto nos faz. Qualquer um serve. Já sabemos que vai ser igual ou pior que o anterior, e que aquele que lhe seguir.
Desprezamo-los a todos. Olhamo-los com um misto de piedade e raiva.
Não passam de seres patéticos, que se julgam donos do Mundo, mas que são apenas tolerados.
Trocamos-lhe os nomes, os cargos, os partidos políticos.
Não por mal, mas por indiferença.
Não sentimos por nenhum, qualquer réstea de afecto.
Nunca choraríamos a sua morte.
Apenas umas palavras de circunstância e um encolher de ombros.
Sempre os olhámos como usurpadores. Como Estranhos.
Quando foi a última vez que que sentimos que perderamos um dos nossos?
Quando foi a última vez, que nos disposemos a dar a vida por um deles?
Somos incapazes de nos governarmos, diz-se.
Não, não somos!
Apenas... não queremos.
E a estupidez da corte republicana e laica, que passo a passo nos atira para o abismo, no fundo, bem no fundo, dá-nos um certo prazer.
Confirma a nossa razão. Aumenta o nosso desprezo.
E afogamo-nos numa cultura de consumismo e Hedonismo, mas não por deslumbramento.
Apenas para nos esquecermos, que nos perdemos, e súbitamente, acordámos rodeados de estranhos.
"All things come to an end,
Even death itself dies the death of things.
Destiny is chamaeleon-coloured.
its very essence is transformation,
In its hands we are kike a game of chess,
And the King may de lost for the sake of a pawn,
To shake off the world, and find repose.
For earth turns to desert, and men die.
Say to this lowly world: the secret of the
Higer worl lies in Aghmat.
-Abbad III Rei de Sevilha-
Abul Qasim Muhammad ibn Abbad al -Mu´Tamid.
Nascido em Beja, em 1040, morreu exilado em Aghmat em 1095, aos 55 anos.
Mais de um século depois da sua morte, o Historiador Al Abbar, escreveu:
"Todos amam Al Mutamid, todos o lamentam, e ainda hoje é chorado."
Foi Governador de Silves aos 23 anos - "O Paraíso de Portugal"
Abbad Al Mutamid, o Rei Poeta do Al Andaluz, era um Nasr.
Maria da Fonte