A veemente condenação de qualquer forma de exploração infantil, seja de que maneira for é sempre boa e bem vinda. Tenho porém que fazer o reparo de que este cartoon de Stuart, é também uma alusão à exploração capitalista numa perspectiva da luta de classes, tal como era defendida nas páginas do diário anarquista "A Batalha".
Ora em 1923 era suposto reinar a felicidade sobre a incauta República portuguesa. Então porquê esta imagem de miséria?
Sejamos rigorosos: sempre houve miséria e drama. às vezes mais, às vezes menos.
Lembro os meus tempos de estudante. Em Coimbra era figura conhecida a Maluquinha da Couraça. Chamavam-lhe assim. Era um cromo da «Alta». Não havia estudante que não a conhecesse, sempre a meter conversa com todos, crava um cigarro aqui, mete conversa ali, desbragava-se acolá.
Não fazia mal a ninguém. Ninguém já sabia passar sem ela. Era do folcore da cidade. Como não era uma pedinte, acredito, apesar de tudo, que não sofresse privações. Um passo em frente... que será feito dela?
Pelo lado dos anarquistas nunca houve adesão ao republicanismo, aliás são conhecidas as desavenças e prisões de anarquistas por discordarem abertamente do regime, claro que os anarquistas não sendo marxistas não serão o melhor exemplo da esquerda que refere. A esquerda marxista em Portugal foi sempre retalhada em vários grupos e associações, até ao nascimento formal do PCP em 1921, mesmo assim os comunistas (marxistas) não se pode dizer que tenham aderido ao republicanismo, pois o que aconteceu foi no final apoiarem a republica contra as forças conservadoras e militares que se começavam a movimentar e que resultaram na revolução que enterrou a nefasta republica. O que sucedeu é que muitos marxistas que não se reviam na politica bolchevique do PC, enveredaram por uma atitude de compagnons de route do regime, mas daí a aderirem ao republicanismo vai um largo espaço. Aliás o PC é pródigo em situações estranhas ao longo do tempo, tenho o numero 0 de uma revista muito interessante que acabou cedo "Estudos sobre o comunismo", que publica uma cópia de um panfleto do PC de 1937, com o titulo "Está em perigo a integridade nacional" onde se exorta os portugueses à defesa das colónias, que estariam em perigo de serem entregues por Salazar à Alemanha.
Olha é engraçado falar nisso, e eu a pensar que só a minha geração é que a conhecia... deve ser daquelas coisas imortais, como o Napoleão e o Sócrates (famosos cães de direito), sucessores do velho Fogo, a tasca do pinto (hoje Pintos Bar). Por acaso ainda anda pela cidade, deve é já ter os seus 70 ou mais anos, mas continua com os mesmos comportamentos . Houve uma vez, penso que já andava nos segundo ano, que ela se meteu comigo no Santa Cruz, até estranhei vê-la por aquelas bandas, que não para os lados do governo civil, foi logo pedir-me um cigarro, mas para azar dela não fumo, nem imagina o que me respondeu. Mas sabe o pior até é de gente com algumas posses, a família tem bens e é proprietária de uma série de prédios na própria Couraça, mas o que se pode fazer habituou-se àquela vida...
O quê?! A Maluquinha da Couraça ainda resiste? Mas então é uma lenda viva! E ainda tem a mania que o Salazar a persegue? Tenho de voltar a Coimbra para a rever! E V. diz o «Pintos Bar»? Coimbra há-de estar muito moderna, sem dúvida... Aquela tasca das nossas paródias!
Continua a mesma tasca de sempre, com a mesma gerência e tudo, mas com um nome moderno dado pelos caloiros de direito de 2000, mas nem imagina o que aconteceu uma vez, tive que percorrer república atrás de república por causa do alvará, que foi furtado... sabe quem o tinha, a Maluca, distraiu o velho Pinto e levou-o, com moldura e tudo... A razão é a mesma de sempre, o alvará tem mais de 30 anos, ainda acho que ainda era o Dr. Chaves e Castro Presidente da Câmara , logo achava que era um alvará do Salazar..â Há uns meses até a tentaram internar, não imagina a fita, já com aquela idade andava de xaile pela cabeça ao berros ao pé da Torre de Anto , que a PIDE a queria prender, que o Salazar não gostava dela desde menina e lhe tinha dado umas palmadas, uma fita dos diabos... Valeu a PSP andar na zona em ronda para a acalmar, ainda tentou entrar na Coimbra Editora para obrigas as raparigas da loja a tirarem um Livro da montra (A máscara de Salazar do Dá Costa), a mulher com a idade ainda está mais alucinada. Mas até chega a ser digna de pena, pelo que parece e, como lhe contei, a família tem posses, ela andou inclusive a estudar na faculdade, nas Letras, mas foi presa por causa do que dizia e a PIDE até parece que nem a tratou muito bem, ao ponto de não conseguir sequer acabar o curso, em 69 voltou a ser presa, o resto é o que se vê.
Por falar no jogo de logo, lembro-me que a estudantada a levava muito ao velho Calhabé. Era fácil: falava-se da relevância da sua participação, as entidades oficiais ficariam contentíssimas... E ela ia. Ia e entusiasmava-se. Uma vez (não sou muito de futebol) embarquei na expedição. Era precisamente um Académica-Sporting, que a Briosa ganhou 1-0 (golo de Brasfemes, se não me falha a memória). Berrava, apregoava, pulava, fazia a claque sozinha. E puxando-lhe pela língua, era o fim do mundo. Mas tão depressa insultava o árebitro do pior como, muito compungida, acompanhava a malta quando se cantava o célebre avé, avé, avé maria... antes de cada penalty a marcar contra a Académica. Boa sorte para a sua Académica logo!
Ora, tal nunca fizemos, até porque desde que o estádio Novo (Cidade de Coimbra) foi construído passou a pagar-se o bilhete, mas isso é comportamento normal dela, anda, umas vezes, a dizer mal de tudo e todos, mas depois já está branda e é toda simpatia, depende de querer algo de alguém. Ainda hoje soube de uma que fez a uma minha colega de escritório, viu-a na rua, perto da casa dos pais e foi logo atrás dela para lhe pedir informações, pelo que parece, lá descobriu que a rapariga é advogada, logo queria saber como podia processar o Salazar , veja bem, a pobre colega lá lhe foi explicando que o Salazar morreu, mas ela quis lá ouvir... acabou por chamar de tudo à rapariga... Sabe o que faço quando a vejo perto da porta férrea, entro logo para dentro, é que ela não entra em direito, tem medo dos archeiros...
Pois isso com a idade só piora. Na altura ela tinha a panca mas ali não havia miséria. E sempre se falou ser de gente de posses. Não sabia é que era na Couraça. Mas agora deve ser sozinha...
E a tropa hoje em dia não deve ser como antes em que, no fundo, todos a estimavam.
Pois, isso é verdade, está sozinha, nunca casou, não tem ninguém se não um sobrinho médico, mas que não consegue fazer nada dela. A troca é como tudo, a Universidade´está num mar de desrespeito total, dizem o que querem fazem o que querem, até transformaram o isntituto jurídico em sala de jogos, por vezes só me dá vontade de destribuir chapada a torto e a direito.
Sem comentários....
ResponderEliminarA moralidade humana...sempre presente...
ResponderEliminarEducadinha
A veemente condenação de qualquer forma de exploração infantil, seja de que maneira for é sempre boa e bem vinda. Tenho porém que fazer o reparo de que este cartoon de Stuart, é também uma alusão à exploração capitalista numa perspectiva da luta de classes, tal como era defendida nas páginas do diário anarquista "A Batalha".
ResponderEliminarIsso que afirma, é uma evidência que questiona a súbita adesão da antiga esquerda marxista ao republicanismo.
ResponderEliminarOra em 1923 era suposto reinar a felicidade sobre a incauta República portuguesa.
ResponderEliminarEntão porquê esta imagem de miséria?
Sejamos rigorosos: sempre houve miséria e drama. às vezes mais, às vezes menos.
Lembro os meus tempos de estudante. Em Coimbra era figura conhecida a Maluquinha da Couraça. Chamavam-lhe assim. Era um cromo da «Alta». Não havia estudante que não a conhecesse, sempre a meter conversa com todos, crava um cigarro aqui, mete conversa ali, desbragava-se acolá.
Não fazia mal a ninguém. Ninguém já sabia passar sem ela. Era do folcore da cidade.
Como não era uma pedinte, acredito, apesar de tudo, que não sofresse privações. Um passo em frente... que será feito dela?
Mais estranho é que o PCP surge na I República com o objectivo de destruir o Partido Republicano e até apoiou o golpe de Braga e o regime militar...
ResponderEliminarPelo lado dos anarquistas nunca houve adesão ao republicanismo, aliás são conhecidas as desavenças e prisões de anarquistas por discordarem abertamente do regime, claro que os anarquistas não sendo marxistas não serão o melhor exemplo da esquerda que refere. A esquerda marxista em Portugal foi sempre retalhada em vários grupos e associações, até ao nascimento formal do PCP em 1921, mesmo assim os comunistas (marxistas) não se pode dizer que tenham aderido ao republicanismo, pois o que aconteceu foi no final apoiarem a republica contra as forças conservadoras e militares que se começavam a movimentar e que resultaram na revolução que enterrou a nefasta republica. O que sucedeu é que muitos marxistas que não se reviam na politica bolchevique do PC, enveredaram por uma atitude de compagnons de route do regime, mas daí a aderirem ao republicanismo vai um largo espaço.
ResponderEliminarAliás o PC é pródigo em situações estranhas ao longo do tempo, tenho o numero 0 de uma revista muito interessante que acabou cedo "Estudos sobre o comunismo", que publica uma cópia de um panfleto do PC de 1937, com o titulo "Está em perigo a integridade nacional" onde se exorta os portugueses à defesa das colónias, que estariam em perigo de serem entregues por Salazar à Alemanha.
Olha é engraçado falar nisso, e eu a pensar que só a minha geração é que a conhecia... deve ser daquelas coisas imortais, como o Napoleão e o Sócrates (famosos cães de direito), sucessores do velho Fogo, a tasca do pinto (hoje Pintos Bar).
ResponderEliminarPor acaso ainda anda pela cidade, deve é já ter os seus 70 ou mais anos, mas continua com os mesmos comportamentos .
Houve uma vez, penso que já andava nos segundo ano, que ela se meteu comigo no Santa Cruz, até estranhei vê-la por aquelas bandas, que não para os lados do governo civil, foi logo pedir-me um cigarro, mas para azar dela não fumo, nem imagina o que me respondeu.
Mas sabe o pior até é de gente com algumas posses, a família tem bens e é proprietária de uma série de prédios na própria Couraça, mas o que se pode fazer habituou-se àquela vida...
O quê?! A Maluquinha da Couraça ainda resiste? Mas então é uma lenda viva! E ainda tem a mania que o Salazar a persegue?
ResponderEliminarTenho de voltar a Coimbra para a rever! E V. diz o «Pintos Bar»? Coimbra há-de estar muito moderna, sem dúvida... Aquela tasca das nossas paródias!
Continua a mesma tasca de sempre, com a mesma gerência e tudo, mas com um nome moderno dado pelos caloiros de direito de 2000, mas nem imagina o que aconteceu uma vez, tive que percorrer república atrás de república por causa do alvará, que foi furtado... sabe quem o tinha, a Maluca, distraiu o velho Pinto e levou-o, com moldura e tudo...
ResponderEliminarA razão é a mesma de sempre, o alvará tem mais de 30 anos, ainda acho que ainda era o Dr. Chaves e Castro Presidente da Câmara , logo achava que era um alvará do Salazar..â
Há uns meses até a tentaram internar, não imagina a fita, já com aquela idade andava de xaile pela cabeça ao berros ao pé da Torre de Anto , que a PIDE a queria prender, que o Salazar não gostava dela desde menina e lhe tinha dado umas palmadas, uma fita dos diabos...
Valeu a PSP andar na zona em ronda para a acalmar, ainda tentou entrar na Coimbra Editora para obrigas as raparigas da loja a tirarem um Livro da montra (A máscara de Salazar do Dá Costa), a mulher com a idade ainda está mais alucinada.
Mas até chega a ser digna de pena, pelo que parece e, como lhe contei, a família tem posses, ela andou inclusive a estudar na faculdade, nas Letras, mas foi presa por causa do que dizia e a PIDE até parece que nem a tratou muito bem, ao ponto de não conseguir sequer acabar o curso, em 69 voltou a ser presa, o resto é o que se vê.
Por falar no jogo de logo, lembro-me que a estudantada a levava muito ao velho Calhabé. Era fácil: falava-se da relevância da sua participação, as entidades oficiais ficariam contentíssimas...
ResponderEliminarE ela ia. Ia e entusiasmava-se. Uma vez (não sou muito de futebol) embarquei na expedição. Era precisamente um Académica-Sporting, que a Briosa ganhou 1-0 (golo de Brasfemes, se não me falha a memória). Berrava, apregoava, pulava, fazia a claque sozinha. E puxando-lhe pela língua, era o fim do mundo.
Mas tão depressa insultava o árebitro do pior como, muito compungida, acompanhava a malta quando se cantava o célebre
avé, avé, avé maria...
antes de cada penalty a marcar contra a Académica.
Boa sorte para a sua Académica logo!
Ora, tal nunca fizemos, até porque desde que o estádio Novo (Cidade de Coimbra) foi construído passou a pagar-se o bilhete, mas isso é comportamento normal dela, anda, umas vezes, a dizer mal de tudo e todos, mas depois já está branda e é toda simpatia, depende de querer algo de alguém.
ResponderEliminarAinda hoje soube de uma que fez a uma minha colega de escritório, viu-a na rua, perto da casa dos pais e foi logo atrás dela para lhe pedir informações, pelo que parece, lá descobriu que a rapariga é advogada, logo queria saber como podia processar o Salazar , veja bem, a pobre colega lá lhe foi explicando que o Salazar morreu, mas ela quis lá ouvir... acabou por chamar de tudo à rapariga...
Sabe o que faço quando a vejo perto da porta férrea, entro logo para dentro, é que ela não entra em direito, tem medo dos archeiros...
Pois isso com a idade só piora. Na altura ela tinha a panca mas ali não havia miséria. E sempre se falou ser de gente de posses. Não sabia é que era na Couraça. Mas agora deve ser sozinha...
ResponderEliminarE a tropa hoje em dia não deve ser como antes em que, no fundo, todos a estimavam.
Pois, isso é verdade, está sozinha, nunca casou, não tem ninguém se não um sobrinho médico, mas que não consegue fazer nada dela.
ResponderEliminarA troca é como tudo, a Universidade´está num mar de desrespeito total, dizem o que querem fazem o que querem, até transformaram o isntituto jurídico em sala de jogos, por vezes só me dá vontade de destribuir chapada a torto e a direito.