Está a falar na revolta de caserna que aconteceu no Porto em 1891?
Então não esqueça que um esquadrão de Cavalaria da Guarda Municipal do Porto, comandado pelo Major Graça, das escadas da igreja de Santo Ildefonso, correu de uma descarga só o «país republicano» inteiro.
Eram muito poucos atiradores para tantas centenas de milhares (ou milhões) de contestatários da Monarquia, não eram?
Veja mais pormenores em «O Tripeiro», Janeiro/1991. A revista é inteiramente dedicada ao tema.
Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão !
Esta foi mais uma daquelas revoltas verdadeiramente originadas pelo carreirismo militar, já o 25 de Abril de 74 foi assim.
Não me parece que o mapa cor de rosa fosse a verdadeira razão, aliás, muito fez D Carlos em manter os territórios de Angola e Moçambique, se bem que o fez muito à conta de atraiçoar o Gungunhana com o qual tinha mantido acordos de paz à altura de forma a assegurar a presença Portuguesa efectiva em territórios que até à data ninguém queria saber deles para nada, aliás a verdadeira colonização das Áfricas aconteceu em 61 com o grito de Salazar "para Angola, rapidamente e em força".
Na realidade o país vivia falido, primeiro com a guerra peninsular e depois com a guerra civil, D Carlos era Rei há pouco mais de um ano e os Ingleses cobardemente aproveitaram a situação para reclamar os territórios do Império com a desculpa de estarem desocupados (não se enganavam muito...)
Se formos ao fundo da história visualizamos que quem se revoltou foram sargentos e cabos por lhes estarem a ser negadas promoções, um pouco há imagem do que se passou com os oficiais milicianos e do quadro em Abril de 74...
Oh amigo Ega, sabe bem que foram mortas 12 pessoas e 40 feridas, no fim cerca de 350 foram julgadas e condenadas, etc... Se a 31 de Janeiro a Guarda Municipal do Porto derrotou as forças republicanas desorganizadas, em 5 de Outubro foi ao contrário, foram os monárquicos batidos por essas forças desorganizadas. Nem a artilharia superior da Guarda Municipal de Lisboa valeu à Monarquia. Temos que olha aos factos históricos, em 1910 já não havia animo na defesa da Monarquia, como em 1891 (não esqueça o Lamento de El-Rei D. Manuel II sobre os juramentos de fidelidade à República dos membros da sua casa pessoal). Se calhar hoje seria esse o destino da República, já poucos teriam animo para a defender, pelo menos a esta 3ª República.
Caro Amigo: vamos por partes. - o 31 de Janeiro começou com um ajuntamento de tropas em que a patente mais alta era um capitão no então chamado Campo de S.to Ovídio, no Porto. Terminou às 12 h com uma descarga da Guarda Municipal colocada no alto da R. Santo António (Igreja de S.to Ildefonso). É claro que morreu e foi gerida gente. - Também ninguém nega que em 1910 a guarnição de Lisboa se comportou misewrávelmente. A única unidade que saui a defender a Monarquia foi Artilharia de Queluz com Paiva Couceiro a comandá-la.
O que se passou entre 1891 e 1910? Sobretudo isto: - O «triste pio» do Rotativismo. - A propaganda do P. Republicano, muito eficaz junto da dita «classe média». - O Regicidio. - O medo generalizado da Carbonária, mercê dos seus frequentes atentados. Lembre-se da «artilharia civil».
Questão fundamental. Sem a morte d'El-Rei D. Carlos nunca haveria 5/OUT. - Por isso mesmo, os historiadores da actualidade (republicanos na maioria) são os 1ºs a dizer que a Monarquia acabou em 1908, não em 1910. - Dois anos chegaram para desanimar o povo e o Exército e possibilitar esse golpe de armas absurdo que foi o 5/OUT. - Note: ainda assim, não fora Machado Santos (homem destemido), a República não triunfaria. Não esqueça: o Almirante Cândido dos Reis suicidou-se. Porquê?
E já agora: Machado Santos, também ele, pagou caro a sua coragem. Foi assassinado na célebre noite do «Dente de Ouro».
Isto é um telegrama. Oxalá esclarecedor do que foi a República - capaz de comer o seu próprio pai...
- Efectivamente, aquando do Ultimato, D. Carlos reinava há um ano apenas. No entanto, a demagogia republicana apontou-lhe as baterias. - A confusão foi total. Exemplo: foi criada a Junta Patriótica do Norte, »à cause». Dela faziam parte pessoas como o Conde de Rezende (cunhado de Eça), Conselheiro Luis de Magalhães (depois ministro de J. Franco), Antero de Quental... - Na base de tudo estava o tratado resultante da Conferência de Berlim sobre os territórios ultramarinos. Nele fez-se valer a regra da «posse efectiva». Tinham direitos sobre os territórios africanos quem os ocupass efectivamente. - O maior interessado era o Império Germânico, sem possessões em África, mas ávido delas. - Portugal nunca fora além da costa, quer do lado de Angola, quer do de Moçambique. - O Mapa Cor-de Rosa era uma utoia alimentada por Barros Gomes, então Ministro do Governo do Partido Progressista. - A Inglaterra impôs-nos fronteiras. Foi isso o Ultimato. ao fazê-lo, impediu uma expansao para o interior já extemporânea. Mas também impediu que Bismarck viesse sobre nós... - Ficaram para trás os esforços de Silva Porto, Ivens e Capelo, é certo. - Mas tudo resultou num «pratinho» para o Partido Repubicano e para a História oficial, que é sempre a dos ganhadores.
Valerá, creio eu, reflectir porque é que, em 1914 a República se colou a Inglaterra, na I GG, sendo certo que em carta a Oliveira Martins o Eça se ria dos excessos republicanos em Lisboa, pretendendo que nada mais fosse comprado aos comerciantes ingleses.
Caro amigo não o nego, mas o rei D. Manuel II, foi muito melhor rei em 2 anos que D. Carlos em todo o reinado, basta que D. Manuel II restaurou a democracia. Amigo acredito que a Monarquia caiu sem apoio, à excepção do próprio Paiva Couceiro, não esqueça a famosa debandada da Guarda Municipal após uns meros obuses dos republicanos.
Caro Rés: V. não pode comparar o incomparável: D. Carlos e D. Manuel II!
Sobre a «democraticidade» de D. Carlos, creio que chega dizer o seguinte: El-Rei considerava-se o 12º membro dos «Vencidos da Vida» Ora, deste grupo constavam: - Ramalho e Eça: os autores das Farpas; - Oliveira Martins: socialista´(utópico); - G. Junqueiro e Antº Cândido - pró-republicanos.
Afora isso, leia Augusto Fuschini: socialista, que El-Rei quis conhecer. Foram apresentados e conversaram. D. Carlos perguntou-lhe: «mas quem para governar o País?». Resposta de Fuschini: «a escolha pertence a V. M.».
Quer homem mais propenso a ideias novas e res0peitador delas?
Meu amigo: peço-lje, não vá pela história oficial. Se for, caminha pela mentira e V. é, em si, a negação dela.
Pois mas D. Carlos teve a infeliz ideia de cair no rotativismo, depois colocou no governo o João Franco, com uma série de medidas impopulares e antidemocráticas , o resto é história: 5 de Outubro de 1910, 28 de Maio de 1926, 25 de Abril de 1974, só desgraças à excepção do 25 de Novembro...
Não Réspublica: D. Carlos «herdou» o fatal Rotativismo. Foi-lhe imposto. Existia desde 1876 (se não me falha a memória), com o chamado Pacto da Granja. D. Carlos teve de lidar com essa estranheza. Tão estranha que os grandes pensadores do séc. XIX/XX defenderam a politica chamada «fortalecimento do poder real». D. Carlos patrioticamente não se opôs. Seria a tal «magistratura de influência», em palavras de hoje. Foi um Rei popular. No País inteiro. Tenho documentos da época (cartas) que o comprovam. Tenho isso em estudos publicados que lhe oferecerei com todo o gosto. Testemunhos epistolares... Acredite!
Interessante este saudável e frutuoso debate de ideias, civilizado, que posiciona este blogue entre os meus favoritos. Aqui conversa-se, de facto, ao contrário de outros sitios.
Sem a morte de El-Rei, tudo seria diferente. Um assassinato é sempre um assasinato e muda o rumo da história.
Resta saber o que ficou desta história para as gerações vindouras. O que está ainda presente nos nossos dias, deste virar de página brusco, ou o que não está e podia estar.Ou ainda, o que poderá um dia vir a estar...escreve-se e, reescreve-se a história, não nos esqueçamos nunca disso.
Achegue à vontade que é sempre um prazer travar diálogo consigo assim como a grande maioria dos comentadores do fórum, um bem haja a todos, permita-me a aleivosia, por transformarem este espaço num micro centro de estudos.
Efectivamente o Bismarck andava à espreita, tinha influência juntamente com os Holandeses no território dos Boers e queria aproveitar a confusão, eu também partilho dessa ideia. O que e facto é que aquilo à data era terra de ninguém, tinha Portugal por lá meia dúzia de feitorias e o território só começou a ser mais povoado com a formação do Império de Gaza pelo pai do Gungunhana que através de acordos com a coroa Portuguesa ocupou grande parte da extensão das colónias mantendo-as habitadas. Mais tarde foi apelidado de demónio e foi preso pelo Mouzinho de Albuquerque e pelo Paiva Couceiro que por lá também andava mas isso é outra história.
Também não é mentira que as confusões originadas pelas disputas de terras no sul do continente Africano se tenham devido em grande parte não só ao desleixo Português pelas colónias Africanas (o Brasil era a única colónia onde se investia até lhes dar-mos a independência, muito em particular depois da fuga de João VI aliás, D João inclusive passou a vender directamente a mercadoria do Brasil à Europa sem pagar impostos a Portugal contribuindo ainda mais para a depauperação do Reino mas isso é novamente uma história diferente...); como dizia eu, como também a fraqueza negocial Portuguesa que teve como causa principal o depauperamento dos cofres do Reino.
Os Ingleses tiveram ao longo da história muitas decisões torpes para com Portugal, curiosamente sobre a história da I grande guerra tenho outra opinião.
Para mim e para outros, Portugal entrou na grande guerra pela necessidade de Afonso Costa de reagrupar o seu exército de forma a afirmar o seu regime jacobino pela força no País.
O Plano de Afonso Costa foi aproveitar o pedido dos Ingleses para confiscar a frota Alemã no Tejo para depois exigir entrar na guerra, como tinha sido cúmplice da coroa Britânica nessa operação, a coroa Britânica não teve argumentos para dizer não.
Ao entrar na guerra, Costa esperava ver as suas tropas rearmadas com material moderno e enriquecidas com a experiência que a guerra lhes traria; nada mais errado...
Fracamente armadas e desorganizadas, as tropas lusas foram chacinadas na Flandres e Sidónio Pais, no fim, ainda arcou com as culpas da desgraça por ter tido o azar de chagar ao governo em má hora.
A entrada de Portugal na I Guerra foi um inconveniente logístico para os Ingleses pois viram-se na obrigação de defender as colónias e o espaço marítimo luso, estorvamos mais do que trouxemos benefícios, mas isto é só a minha opinião.
No fim conseguimos manter aquilo que era nosso e não acredito que se tivéssemos sido neutrais na guerra que esse facto fosse possível.
Caro amigo: obrigado pelos filmes. Está a ser injusto. Vou pelo paradoxo, a ver se chego onde quero. Mortes violentas: Regicidio e Sá Carneiro. Pelos vistos há registos das cerimónias funebres em ambos os casos. V. impressionado com as imagens TV do enterro de Sá Carneiro (provavelmente) compara-o (inconscientemente) com o do Rei e do Príncipe.
Mas esquece: - Que a qualidade de som e imagem melhoru imenso nesse intervalo de 70 anos, permitindo outra noção da realidade. - Que a população de Lx cresceu espantosamente e os meios de transporte permitiram o acesso de gente de todo o País a Lx, quando de S. Carneiro. - Que em ambos o silêncio preponderou. Manifestações só de dor ou revolta que as imagens antigas não conseguem captar.
E, à parte tudo, a grande diferença. A morte de S. Carneiro não assutou as pessoas. O Regicídio trouxe o terror ao País inteiro. Foi demasiadamente brutal. As pessoas tinham medo de se manifestar; medo da Formiga Branca; medo da Carbonária; medo das bombas que explodiam por toda a parte em Lx.
E na provincia? A minha avó tinha 6 anos completados quando foi o Regicídio. Guardava fielmente na memória o choro generaizado, a tristeza de Guimarães inteira.
Em tempos entrevistei um homem (que já morreu, é claro) sobre o impacto do Regicído em VNF. Idêntica impressão. E por aí fora. Tente saber como foi na sua terra, ou melhor, na terra dos seus avós.
Caro Nuno: inteiramente de acordo consigo quanto àos antecedentes da nossa entrada na I GG. Só com este acrescento: atendendo à instabilidade politica em Portugal, então, A. Costa temia uma intervenção militar (como veio a acontecer com Sidónio, realmente). Uma intervenção contra a, como então se dizia, demagogia. E que poderia conseguir o reconhecimento da Inglaterra, onde aliás, D. Manuel II estava exilado... Vai dái: oficiais e praças para a Flandres para não combaterem «cá dentro»; e para garantir o apoio ao regime da Inglaterra.
Quanto ao Ultimato, como lhe disse, tudo radicou numa megalomania do Governo Progressista. O interior africano era de ninguém. E as potências europeias queriam-no e disputavam-no. Lembre-se do projecto de Cecil Rhodes - ligar o Cairo ao Cabo, num extenso império britânico. Nós portugueses, que passaramos séculos a tomar banho nas praias angolanas e moçambicanas - e não mais do que isso - em vez de fortalecermos e desenvolvermos o que ninguém nos contestava - abalançámos-nos (tesos como carapaus) a essa ideia maluca, para que não tínhamos dinheiro nem força para discutir com a Inglaterra.
A Coroa nada tinha a ver com isso. estávamos em pleno Constitucionalismo e era matéria da responsabilidade do Governo. Mas o Partido Repúblicano soube fazer do Rei o bode expiatório.
Falaremos mais tarde na posterior obra diplomática desse mesmo Rei.
Caro amigo como deve imaginar em Coimbra e na outra terra de onde sou houve de tudo... A minha família materna era de Republicanos, alegraram-se com o sucedido obviamente, o meu tetra-avô era membro do P.R. foi preso a quando da monarquia do Norte em Aveiro pelo Monárquicos, a minha família paterna não sei bem, eram tendencialmente Republicanos, embora o meu avô fosse Salazarista e o meu pai seja Monárquico/Social-Democrata.
Se hoje existem PALOP, tal se deve única e exclusivamente ao facto de D. Carlos estar sentado no trono, quando do Ultimatum. Se tivesse dependido da acção dos rotativos - os percevejos de ontem e de hoje -, teríamos apenas dois países a falar o português: Portugal e Brasil. À Inglaterra interessava a nossa presença em África, impedindo a França ou a Alemanha de se apoderarem de territórios muito valiosos (como hoje se confirma).
As reformas no sistema que o Rei e Franco gizavam - o Partido Regenerador-Liberal (conservador) e a aproximação do Partido Socialista à área do poder - teriam esvaziado completamente os velhos rotativos e o quase irrisório PRP. As eleições estavam marcadas para Abril de 1908 e previa-se uma imensa maioria franquista, até porque - facto pouco divulgado pelos actuais oficialistas de uma História truncada -, Franco penetrou em áreas sociais onde os republicanos julgavam poder exercer o exclusivo controlo. Sem regicídio, a república não teria acontecido. Pelo menos, a breve prazo. O que teria sucedido na I Guerra Mundial decidiria a sorte do regime, mas creio que jamais Portugal sofreria as derrotas que os alemães nos infligiram em todas as frentes. A Monarquia e o Rei sabiam que as nossas hipóteses estavam em África? Mas isso é o mundo das hipóteses. Creio firmemente que hoje Portugal estaria bem melhor, até porque 1910 consistiu numa imperdoável quebra no sistema parlamentar a que umas vezes melhor, outras pior, o país se acostumara. A república foi um desastre infindável que chega aos nossos dias. Monarquia vão tê-la, mas como sempre quiseram os republicanos: a espanhola.
Fatal e destrutiva, só uma alteração do sistema constitucional permite que Portugal saia da crise, que só o fim das partidocracias permite resolver. É um dos pontos que concordo com o Passos Coelho, a criação de círculos uninominais e a possibilidade de cidadãos poderem concorrer, sem participarem em listas partidárias.
João Távora:
ResponderEliminarEstá a falar na revolta de caserna que aconteceu no Porto em 1891?
Então não esqueça que um esquadrão de Cavalaria da Guarda Municipal do Porto, comandado pelo Major Graça, das escadas da igreja de Santo Ildefonso, correu de uma descarga só o «país republicano» inteiro.
Eram muito poucos atiradores para tantas centenas de milhares (ou milhões) de contestatários da Monarquia, não eram?
Veja mais pormenores em «O Tripeiro», Janeiro/1991. A revista é inteiramente dedicada ao tema.
Ainda bem que nã era só pólvora seca.
ResponderEliminarCasa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão !
ResponderEliminarEsta foi mais uma daquelas revoltas verdadeiramente originadas pelo carreirismo militar, já o 25 de Abril de 74 foi assim.
Não me parece que o mapa cor de rosa fosse a verdadeira razão, aliás, muito fez D Carlos em manter os territórios de Angola e Moçambique, se bem que o fez muito à conta de atraiçoar o Gungunhana com o qual tinha mantido acordos de paz à altura de forma a assegurar a presença Portuguesa efectiva em territórios que até à data ninguém queria saber deles para nada, aliás a verdadeira colonização das Áfricas aconteceu em 61 com o grito de Salazar "para Angola, rapidamente e em força".
Na realidade o país vivia falido, primeiro com a guerra peninsular e depois com a guerra civil, D Carlos era Rei há pouco mais de um ano e os Ingleses cobardemente aproveitaram a situação para reclamar os territórios do Império com a desculpa de estarem desocupados (não se enganavam muito...)
Se formos ao fundo da história visualizamos que quem se revoltou foram sargentos e cabos por lhes estarem a ser negadas promoções, um pouco há imagem do que se passou com os oficiais milicianos e do quadro em Abril de 74...
Oh amigo Ega, sabe bem que foram mortas 12 pessoas e 40 feridas, no fim cerca de 350 foram julgadas e condenadas, etc...
ResponderEliminarSe a 31 de Janeiro a Guarda Municipal do Porto derrotou as forças republicanas desorganizadas, em 5 de Outubro foi ao contrário, foram os monárquicos batidos por essas forças desorganizadas.
Nem a artilharia superior da Guarda Municipal de Lisboa valeu à Monarquia.
Temos que olha aos factos históricos, em 1910 já não havia animo na defesa da Monarquia, como em 1891 (não esqueça o Lamento de El-Rei D. Manuel II sobre os juramentos de fidelidade à República dos membros da sua casa pessoal).
Se calhar hoje seria esse o destino da República, já poucos teriam animo para a defender, pelo menos a esta 3ª República.
Caro Amigo: vamos por partes.
ResponderEliminar- o 31 de Janeiro começou com um ajuntamento de tropas em que a patente mais alta era um capitão no então chamado Campo de S.to Ovídio, no Porto. Terminou às 12 h com uma descarga da Guarda Municipal colocada no alto da R. Santo António (Igreja de S.to Ildefonso). É claro que morreu e foi gerida gente.
- Também ninguém nega que em 1910 a guarnição de Lisboa se comportou misewrávelmente. A única unidade que saui a defender a Monarquia foi Artilharia de Queluz com Paiva Couceiro a comandá-la.
O que se passou entre 1891 e 1910?
Sobretudo isto:
- O «triste pio» do Rotativismo.
- A propaganda do P. Republicano, muito eficaz junto da dita «classe média».
- O Regicidio.
- O medo generalizado da Carbonária, mercê dos seus frequentes atentados. Lembre-se da «artilharia civil».
Questão fundamental. Sem a morte d'El-Rei D. Carlos nunca haveria 5/OUT.
- Por isso mesmo, os historiadores da actualidade (republicanos na maioria) são os 1ºs a dizer que a Monarquia acabou em 1908, não em 1910.
- Dois anos chegaram para desanimar o povo e o Exército e possibilitar esse golpe de armas absurdo que foi o 5/OUT.
- Note: ainda assim, não fora Machado Santos (homem destemido), a República não triunfaria. Não esqueça: o Almirante Cândido dos Reis suicidou-se. Porquê?
E já agora: Machado Santos, também ele, pagou caro a sua coragem. Foi assassinado na célebre noite do «Dente de Ouro».
Isto é um telegrama. Oxalá esclarecedor do que foi a República - capaz de comer o seu próprio pai...
Tudo isso e muito mais, está tudo preto no branco em http://www.centenariodarepublica.org
ResponderEliminarCordeais saudações
Amigo Nuno: permita-me umas achegas.
ResponderEliminar- Efectivamente, aquando do Ultimato, D. Carlos reinava há um ano apenas. No entanto, a demagogia republicana apontou-lhe as baterias.
- A confusão foi total. Exemplo: foi criada a Junta Patriótica do Norte, »à cause». Dela faziam parte pessoas como o Conde de Rezende (cunhado de Eça), Conselheiro Luis de Magalhães (depois ministro de J. Franco), Antero de Quental...
- Na base de tudo estava o tratado resultante da Conferência de Berlim sobre os territórios ultramarinos. Nele fez-se valer a regra da «posse efectiva». Tinham direitos sobre os territórios africanos quem os ocupass efectivamente.
- O maior interessado era o Império Germânico, sem possessões em África, mas ávido delas.
- Portugal nunca fora além da costa, quer do lado de Angola, quer do de Moçambique.
- O Mapa Cor-de Rosa era uma utoia alimentada por Barros Gomes, então Ministro do Governo do Partido Progressista.
- A Inglaterra impôs-nos fronteiras. Foi isso o Ultimato. ao fazê-lo, impediu uma expansao para o interior já extemporânea. Mas também impediu que Bismarck viesse sobre nós...
- Ficaram para trás os esforços de Silva Porto, Ivens e Capelo, é certo.
- Mas tudo resultou num «pratinho» para o Partido Repubicano e para a História oficial, que é sempre a dos ganhadores.
Valerá, creio eu, reflectir porque é que, em 1914 a República se colou a Inglaterra, na I GG, sendo certo que em carta a Oliveira Martins o Eça se ria dos excessos republicanos em Lisboa, pretendendo que nada mais fosse comprado aos comerciantes ingleses.
Caro amigo não o nego, mas o rei D. Manuel II, foi muito melhor rei em 2 anos que D. Carlos em todo o reinado, basta que D. Manuel II restaurou a democracia.
ResponderEliminarAmigo acredito que a Monarquia caiu sem apoio, à excepção do próprio Paiva Couceiro, não esqueça a famosa debandada da Guarda Municipal após uns meros obuses dos republicanos.
Caro Rés:
ResponderEliminarV. não pode comparar o incomparável: D. Carlos e D. Manuel II!
Sobre a «democraticidade» de D. Carlos, creio que chega dizer o seguinte: El-Rei considerava-se o 12º membro dos «Vencidos da Vida»
Ora, deste grupo constavam:
- Ramalho e Eça: os autores das Farpas;
- Oliveira Martins: socialista´(utópico);
- G. Junqueiro e Antº Cândido - pró-republicanos.
Afora isso, leia Augusto Fuschini: socialista, que El-Rei quis conhecer. Foram apresentados e conversaram. D. Carlos perguntou-lhe: «mas quem para governar o País?». Resposta de Fuschini: «a escolha pertence a V. M.».
Quer homem mais propenso a ideias novas e res0peitador delas?
Meu amigo: peço-lje, não vá pela história oficial. Se for, caminha pela mentira e V. é, em si, a negação dela.
Pois mas D. Carlos teve a infeliz ideia de cair no rotativismo, depois colocou no governo o João Franco, com uma série de medidas impopulares e antidemocráticas , o resto é história: 5 de Outubro de 1910, 28 de Maio de 1926, 25 de Abril de 1974, só desgraças à excepção do 25 de Novembro...
ResponderEliminarNão Réspublica: D. Carlos «herdou» o fatal Rotativismo. Foi-lhe imposto. Existia desde 1876 (se não me falha a memória), com o chamado Pacto da Granja.
ResponderEliminarD. Carlos teve de lidar com essa estranheza. Tão estranha que os grandes pensadores do séc. XIX/XX defenderam a politica chamada «fortalecimento do poder real». D. Carlos patrioticamente não se opôs. Seria a tal «magistratura de influência», em palavras de hoje.
Foi um Rei popular. No País inteiro. Tenho documentos da época (cartas) que o comprovam. Tenho isso em estudos publicados que lhe oferecerei com todo o gosto. Testemunhos epistolares...
Acredite!
Caros comentadores,
ResponderEliminarInteressante este saudável e frutuoso debate de ideias, civilizado, que posiciona este blogue entre os meus favoritos. Aqui conversa-se, de facto, ao contrário de outros sitios.
Sem a morte de El-Rei, tudo seria diferente. Um assassinato é sempre um assasinato e muda o rumo da história.
Resta saber o que ficou desta história para as gerações vindouras. O que está ainda presente nos nossos dias, deste virar de página brusco, ou o que não está e podia estar.Ou ainda, o que poderá um dia vir a estar...escreve-se e, reescreve-se a história, não nos esqueçamos nunca disso.
Cumprimentos,
Marquesa de Carabás
Amigo Ega.
ResponderEliminarAchegue à vontade que é sempre um prazer travar diálogo consigo assim como a grande maioria dos comentadores do fórum, um bem haja a todos, permita-me a aleivosia, por transformarem este espaço num micro centro de estudos.
Efectivamente o Bismarck andava à espreita, tinha influência juntamente com os Holandeses no território dos Boers e queria aproveitar a confusão, eu também partilho dessa ideia. O que e facto é que aquilo à data era terra de ninguém, tinha Portugal por lá meia dúzia de feitorias e o território só começou a ser mais povoado com a formação do Império de Gaza pelo pai do Gungunhana que através de acordos com a coroa Portuguesa ocupou grande parte da extensão das colónias mantendo-as habitadas. Mais tarde foi apelidado de demónio e foi preso pelo Mouzinho de Albuquerque e pelo Paiva Couceiro que por lá também andava mas isso é outra história.
Também não é mentira que as confusões originadas pelas disputas de terras no sul do continente Africano se tenham devido em grande parte não só ao desleixo Português pelas colónias Africanas (o Brasil era a única colónia onde se investia até lhes dar-mos a independência, muito em particular depois da fuga de João VI aliás, D João inclusive passou a vender directamente a mercadoria do Brasil à Europa sem pagar impostos a Portugal contribuindo ainda mais para a depauperação do Reino mas isso é novamente uma história diferente...); como dizia eu, como também a fraqueza negocial Portuguesa que teve como causa principal o depauperamento dos cofres do Reino.
Os Ingleses tiveram ao longo da história muitas decisões torpes para com Portugal, curiosamente sobre a história da I grande guerra tenho outra opinião.
Para mim e para outros, Portugal entrou na grande guerra pela necessidade de Afonso Costa de reagrupar o seu exército de forma a afirmar o seu regime jacobino pela força no País.
O Plano de Afonso Costa foi aproveitar o pedido dos Ingleses para confiscar a frota Alemã no Tejo para depois exigir entrar na guerra, como tinha sido cúmplice da coroa Britânica nessa operação, a coroa Britânica não teve argumentos para dizer não.
Ao entrar na guerra, Costa esperava ver as suas tropas rearmadas com material moderno e enriquecidas com a experiência que a guerra lhes traria; nada mais errado...
Fracamente armadas e desorganizadas, as tropas lusas foram chacinadas na Flandres e Sidónio Pais, no fim, ainda arcou com as culpas da desgraça por ter tido o azar de chagar ao governo em má hora.
A entrada de Portugal na I Guerra foi um inconveniente logístico para os Ingleses pois viram-se na obrigação de defender as colónias e o espaço marítimo luso, estorvamos mais do que trouxemos benefícios, mas isto é só a minha opinião.
No fim conseguimos manter aquilo que era nosso e não acredito que se tivéssemos sido neutrais na guerra que esse facto fosse possível.
Pois, é o D. Luís é que tinha culpa!!!
ResponderEliminarVeja estes filmes sobre o regicídio...
http://www.youtube.com/watch?v=oLzj3fdTiwo
http://www.youtube.com/watch?v=CExSYGPCYS0&feature=PlayList&p=5B8F767449117C4D&index=1
Não repara nada no povo que assistiu, não se vê grandes emoções sobre rei tão popular, mas ao buiça e sardinha foram apertar-lhe a mão na morgue, até que os enterraram à pressa...
Caro amigo: obrigado pelos filmes.
ResponderEliminarEstá a ser injusto. Vou pelo paradoxo, a ver se chego onde quero.
Mortes violentas: Regicidio e Sá Carneiro. Pelos vistos há registos das cerimónias funebres em ambos os casos.
V. impressionado com as imagens TV do enterro de Sá Carneiro (provavelmente) compara-o (inconscientemente) com o do Rei e do Príncipe.
Mas esquece:
- Que a qualidade de som e imagem melhoru imenso nesse intervalo de 70 anos, permitindo outra noção da realidade.
- Que a população de Lx cresceu espantosamente e os meios de transporte permitiram o acesso de gente de todo o País a Lx, quando de S. Carneiro.
- Que em ambos o silêncio preponderou. Manifestações só de dor ou revolta que as imagens antigas não conseguem captar.
E, à parte tudo, a grande diferença. A morte de S. Carneiro não assutou as pessoas. O Regicídio trouxe o terror ao País inteiro. Foi demasiadamente brutal. As pessoas tinham medo de se manifestar; medo da Formiga Branca; medo da Carbonária; medo das bombas que explodiam por toda a parte em Lx.
E na provincia? A minha avó tinha 6 anos completados quando foi o Regicídio. Guardava fielmente na memória o choro generaizado, a tristeza de Guimarães inteira.
Em tempos entrevistei um homem (que já morreu, é claro) sobre o impacto do Regicído em VNF. Idêntica impressão. E por aí fora.
Tente saber como foi na sua terra, ou melhor, na terra dos seus avós.
Caro Nuno: inteiramente de acordo consigo quanto àos antecedentes da nossa entrada na I GG. Só com este acrescento: atendendo à instabilidade politica em Portugal, então, A. Costa temia uma intervenção militar (como veio a acontecer com Sidónio, realmente). Uma intervenção contra a, como então se dizia, demagogia. E que poderia conseguir o reconhecimento da Inglaterra, onde aliás, D. Manuel II estava exilado... Vai dái: oficiais e praças para a Flandres para não combaterem «cá dentro»; e para garantir o apoio ao regime da Inglaterra.
ResponderEliminarQuanto ao Ultimato, como lhe disse, tudo radicou numa megalomania do Governo Progressista. O interior africano era de ninguém. E as potências europeias queriam-no e disputavam-no. Lembre-se do projecto de Cecil Rhodes - ligar o Cairo ao Cabo, num extenso império britânico.
Nós portugueses, que passaramos séculos a tomar banho nas praias angolanas e moçambicanas - e não mais do que isso - em vez de fortalecermos e desenvolvermos o que ninguém nos contestava - abalançámos-nos (tesos como carapaus) a essa ideia maluca, para que não tínhamos dinheiro nem força para discutir com a Inglaterra.
A Coroa nada tinha a ver com isso. estávamos em pleno Constitucionalismo e era matéria da responsabilidade do Governo.
Mas o Partido Repúblicano soube fazer do Rei o bode expiatório.
Falaremos mais tarde na posterior obra diplomática desse mesmo Rei.
Caro amigo como deve imaginar em Coimbra e na outra terra de onde sou houve de tudo...
ResponderEliminarA minha família materna era de Republicanos, alegraram-se com o sucedido obviamente, o meu tetra-avô era membro do P.R. foi preso a quando da monarquia do Norte em Aveiro pelo Monárquicos, a minha família paterna não sei bem, eram tendencialmente Republicanos, embora o meu avô fosse Salazarista e o meu pai seja Monárquico/Social-Democrata.
Se assim é, também considera a actual situação rotativa como fatal. Fatalidade como a tal enxerga de percevejos ...
ResponderEliminarSe hoje existem PALOP, tal se deve única e exclusivamente ao facto de D. Carlos estar sentado no trono, quando do Ultimatum. Se tivesse dependido da acção dos rotativos - os percevejos de ontem e de hoje -, teríamos apenas dois países a falar o português: Portugal e Brasil. À Inglaterra interessava a nossa presença em África, impedindo a França ou a Alemanha de se apoderarem de territórios muito valiosos (como hoje se confirma).
ResponderEliminarAs reformas no sistema que o Rei e Franco gizavam - o Partido Regenerador-Liberal (conservador) e a aproximação do Partido Socialista à área do poder - teriam esvaziado completamente os velhos rotativos e o quase irrisório PRP. As eleições estavam marcadas para Abril de 1908 e previa-se uma imensa maioria franquista, até porque - facto pouco divulgado pelos actuais oficialistas de uma História truncada -, Franco penetrou em áreas sociais onde os republicanos julgavam poder exercer o exclusivo controlo.
Sem regicídio, a república não teria acontecido. Pelo menos, a breve prazo. O que teria sucedido na I Guerra Mundial decidiria a sorte do regime, mas creio que jamais Portugal sofreria as derrotas que os alemães nos infligiram em todas as frentes. A Monarquia e o Rei sabiam que as nossas hipóteses estavam em África? Mas isso é o mundo das hipóteses. Creio firmemente que hoje Portugal estaria bem melhor, até porque 1910 consistiu numa imperdoável quebra no sistema parlamentar a que umas vezes melhor, outras pior, o país se acostumara. A república foi um desastre infindável que chega aos nossos dias.
Monarquia vão tê-la, mas como sempre quiseram os republicanos: a espanhola.
Fatal e destrutiva, só uma alteração do sistema constitucional permite que Portugal saia da crise, que só o fim das partidocracias permite resolver.
ResponderEliminarÉ um dos pontos que concordo com o Passos Coelho, a criação de círculos uninominais e a possibilidade de cidadãos poderem concorrer, sem participarem em listas partidárias.