A maior "revolução" operada na sociedade contemporânea ocidental, subtil e orgânica, é aquela que aconteceu à relação entre o pai e os seus filhos. Mais até do que as conquistas femininas, de lugares nos estádios, quotas ou promissoras carreiras.
Hoje reconheço que o meu pai ainda esboçou uns tímidos esforços, desajeitadas tentativas de intimidade. Mas a rigidez dos "papéis" estava-lhe demasiado impregnada, assim como aquela assumida solidão.
Então a maior revelação dos tempos modernos é a da plena paternidade: hoje, conhecemo-nos cedo, com a ajuda da pele e de uma orgânica cumplicidade. Com muitas canções, lenga-lengas, banhos de banheira, de mar e de mundo. Depois de tudo isto, que venha a vida toda, com os seus anunciados terrores e tempestades. Seremos mais fortes por certo, o que já não é pouco.
Reeditado
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