quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Porque o socialismo não funciona

Os fins justificam os meios: inconformados com a predomínio dos gadgets, dos jogos electrónicos, das pragas dos chats e farmevilles, em detrimento da boa leitura, acabamos de instituir lá em casa aos mais velhos prémios pecuniários para incentivo ao consumo de literatura.  Para terem ideia, a nossa oferta vai dos 10,00 para romances juvenis tipo Wolfgang Hohlbein (Anders, Génesis etc.) 20,00 por uma Isabel Allende, ou Gabriel Garcia Marquez, aos 30,00 por um Eça, e imaginem que desafiei o rapaz a ler a História de Portugal do Rui Ramos por 50,00 a descontar numa viagem de finalistas do liceu. É que a verdadeira diferenciação de competências começa e acaba em casa, de preferência sem o Magalhães. 


 

39 comentários:

  1. A Casa dos Espíritos ainda por cima dá direito a 20€?

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  2. Perdão, equivoquei-me. Queria eu dizer AFRODITE.

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  3. Hummm, João, se bem não tenha nada contra o princípio, acho injusto pôr o Gabriel Garcia Marquez e a Isabel Allende no mesmo patamar de prémios...

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  4. Já pensou que tipo de mensagem está a passar ao seu filho? Se o socialismo dá provas de profunda decadência, que pensar deste capitalismo que reduz o prazer da leitura a uns patacos? Tudo é prostituível... essa é a doença deste século.

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  5. Socialismo é o pai comprar os livros e todos os filhos poderem ler.

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  6. A Relíquia quanto vale?

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  7. Eu acho que ler a colecção completa da GAIOLA ABERTA devia valer uns 100 euros, no mínimo.

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  8. Recomendo especialmente a minha biografia, intitulada «Os Maias» e, também do meu biógrafo, «A Ilustre Casa de Ramires».

    Não esqueça o velho Camilo, indispensável.

    E quanto aos prémios mais valiosos, a leitura «D. Carlos» de Rui Ramos, é previsivel que comece já a ajudar a separar o trigo deste joio que agora nos infesta.

    Boa sorte!

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  9. Dar dinheiro a um filho para ler o Marquez é um acto de difícil classificação, mas, desde já, pouco abonatório.
    Coff, coff.
    Em compensação, a ideia da História de Portugal é boa, mas para quem não está habituado a ler, arrisca-se a ser uma leitura branca. Eu iria por pagamentos parcelares referentes a leituras parcelares da obra - e discussão ao jantar do trecho lido
    A Ilustre Casa de Ramires deve ser leitura obrigatória. Idem para A Cidade e as Serras. E Camilo, idem.
    Desculpe e presunção dos "conselhos" e parabéns pela ideia - que tem os seus perigos: entrei num concurso para a leitura de Xenofonte. Li parte, e nunca mais voltei a Xenofonte e aos Dez mil. O prémio, acho que consistia em 50 estudos, valor da minha semanada, há 40 anos.

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  10. Pois. Eu também não acho justo Isabel Allende ao mesmo preço que Garcia Marquez.

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  11. Concordo, caro Luís, mas o livro foi aconselhado no liceu, suponho que faz parte do "plano nacional de leitura".

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  12. Caro L Rodrigues: não me diga que eu sou socialista e não sabia?!?

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  13. A gaiola aberta não temos lá em casa, e se algum dos miúdos a levar eu cobro uma taxa: ler a Cidade e as Serras.

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  14. Boas sugestões sem dúvida, caro Ega, mas em relação à história (que os miúdos desconhecem por completo - ou só conhecem aquilo que conversamos às refeições) preferia que começassem por uma perspectiva geral, e a obra dirigida por Rui Ramos parece-me perfeita para a finalidade.
    Mande cumprimentos ao Carlos da Maia

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  15. A Relíquia é tão divertido que deviam ser os miúdos a pagarem-me, mas vá, fica pelo preço de tabela: 30,00.

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  16. Quando é preciso eu estou muito doente, ó Aníbal. Em fase terminal.

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  17. Todos os planos que ponham as crianças a ler livros e consigam despertar nelas o gosto pela palavra escrita são bons. Eu pela parte que me toca recordo-me muito bem de menino e moço começar a gostar de ler com livros de aventuras, mais exactamente dos Cinco.

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  18. para ler Allende deviam era pagar €1000, pelo menos não pagam para ler saramago, se não nem com todas as reservas de ouro do UE permitiam tal pagamento...

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  19. Ler A Casa Grande de Romarigães devia dar direito a ir às meninas.

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  20. Olhe diga isso ao Marx, Engels, lenin, Stalin, Trostky, etc...

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  21. Esse livro é o exemplo puro do nosso Portugal...

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  22. Amigo Ega, Camilo, por amor de Deus, aquele "Amor de Perdição" é o exemplo puro de folhetim mal escrito... é o 24 horas do século XIX...

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  23. Quanto paga para ele ler o Conde de Monte Cristo ou os Três Mosqueteiros?
    Já agora recomendo a História Concisa de Portugal, do Prof. José Hermano de Saraiva, e, se tiver idade, um Locke, Rousseau, Voltairre ou Montesqueau.

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  24. Já agora por falar em farmvilles e mafiawars, alguém me explica porque é que a direita prefere o primeiro e a esquerda o segundo...

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  25. Meu Amigo:
    E »a Queda de um Anjo», »A Brasileira de Prazins», as «Novelas do Minho», «O Senhor do Paço de Ninães», o «Anátema»... Desculpe lá que não me socorro agora da lista dos editados - vai de cor...

    Caro Rés: está aí o Portugal de Oitocentos que é o mesmo de agora.

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  26. O velho Maia tem um pequeno defeito: não está para se chatear com esta «choldra» de país.
    Enfim, eu vou espicaçando-o. Mas sem resultado.
    De qualquer modo, os cumprimentos serão entregues.
    Antecipadamente, sei que os retribui.

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  27. Os fins não justificam os meios.
    Nada a opor quanto ao ir às meninas. Um verdadeiro escândalo ir para os Jerónimos.

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  28. Essa gente não está toda morta?

    A solução genuinamente capitalista seria não dar nada aos miudos, e deixá-los escolher com a carteira. O João Távora adoptou uma posição, por assim dizer, de estado paternalista que acha que sabe o que é melhor para eles.

    Claro que sendo pai, tem desculpa, mas o que ele fez não é nada que um estado social com algum dinheiro para gastar em cultura não faça pelos cidadãos, sendo isso apelidado de "socialismo" pelos que acham que isso constitui uma desvalorização ou uma crítica.

    Pronto, não expliquei aos outros mas expliquei ao Réspublica, que lá terá o seu lugar na história.

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  29. É incrivel como a sua geração gosta do Camilo, a minha é mais Eça.

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  30. Então eu devo ser da geração do Ega: para mim Camilo é um Mestre das letras ( embora também goste de Eça ).
    « Eusébio Macário », « A Corja »,.« Memórias do Cárcere»...; há lá melhor literatura do que essa?

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  31. Ou então o pai tem obrigação de instruir e educar o filho, enquanto que o Estado não tem que se meter na vida privada de cada um, deve limitar-se ao exercício dos poderes públicos em que se exerce coacção, isto é, não compete ao Estado prestar esses serviços mas à iniciativa privada. Sabe chama-se Estado respeitador da liberdade individual.

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  32. A coisa é complicada: conheço gente que calças as luvas de horticultor de manhã e depois de jantar mergulha numa vida de crime.

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  33. O socialismo que provou na prática, ser um fracasso enquanto realidade social a todos os níveis, foi o socialismo de base marxista. Além disso podemos e devemos considerar como fracassos as experiências concretas dos socialistas utópicos franceses Saint Simon ), e as experiências Makhnovistas (de base libertária) na Ucrânia. Pelo que todas as teorias socialistas (Anarquistas, utópicos e marxistas) saídas das primeiras internacionais, não conseguiram quando postas em prática, ultrapassar a barreira do confronto com a realidade. Porém o socialismo não se esgota nas várias teorias saídas das internacionais, há outras formas de socialismo que podem funcionar.

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  34. João, João ...
    Trinta euros para os livritos de Isabel Allende ou Garcia Márquez?! Então para grandes escritores como Vargas Llosa o prémio, por comparação, será de 200 euros, suponho ...

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  35. Caro Ega:

    Qualquer livro de Eça de Queirós é uma boa sugestão... A ironia social está sempre presente nas suas personagens!
    Além de ser nacional, confirma que o Portugal do séc.XIX é, por demais idêntico, ao Portugal do séc. XXI...
    Apesar de ser mais "amante" do Realismo como corrente literária, em detrimento do Romantismo, Camilo será sempre uma boa opção... "A queda de um anjo" é um bom exemplo daquilo que se vive no séc XXI e um óptimo livro!

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  36. Fui criticadíssima quando fiz o mesmo há uns anos atrás, mas a verdade é que deu resultado. Comecei precisamente assim, com livros "juvenis" e "fininhos" mas só tive de "pagar" ao princípio. Não me durou muito a selecção porque a partir dos 3 primeiros livros nunca mais tive de os "comprar". O 1º livro que me lembro que o mais velho leu sem eu pedir nem aconselhar foi o "Triunfo dos Porcos" (também fininho, ora bem...). Foi um sucesso e o princípio de um hábito sem pretensões intelectuais mas bem melhor do que os ditos jogos e chat's (que naturalmente também usam). Só mais uma coisa: os meus filhos não dão erros ortográficos...
    MM

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  37. Caro José: Como deves calcular os "valores" não têm a ver com a qualidade dos autores, mas com compromissos com outras incidências. Eu quero é que eles leiam.

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  38. Ás vezes começo a pensar nos livros que o Estado me mandou ler...
    valeu-me o meu pai.

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