sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Para quando a ecologia do homem?

Em tempos da minha juventude li o Macaco Nu (The Naked Ape), livro em que Desmond Morris, o autor, descrevia com graça a espécie humana sob um prisma da etologia, uma disciplina da zoologia com influências evolucionistas onde se relaciona o reportório comportamental das espécies com as suas peculiaridades anatómicas. Citando de memória, a determinada altura o autor abordava o pacto de monogamia do casal humano (casamento) como um compromisso determinado pela necessidade duma aliança duradoura com vista à promoção da autonomia às suas crias, que em comparação às outras espécies se prolonga extraordinariamente. O  autor exemplificava o caso dum potro, que ao fim das primeiras horas já anda, e que após  poucas semanas é completamente autónomo, enquanto este processo numa criança pode durar entre seis a dez anos. 


Tudo isto para dizer que o homem possui a sua própria ecologia, e que me parece inegável que o “casamento” tem como fundamento original potenciar a geração de descendência com eficácia – daí o Amor, sentimento desconhecido nas outras espécies. Num tempo em que tanto se apregoa a protecção do ambiente, das florestas aos mais insignificantes insectos, não será altura de proteger o Homem de si próprio?  


 

15 comentários:

  1. Eu acho que essa ecologia é de fazer, mas não tem nada que ver com o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já que o que os afectos do seu vizinho não afectam a sua capacidade de acompanhar o seus filhos.

    Há muito mais para fazer ao nivel da ordem económica, por exemplo, com politicas de protecção à maternidade e filosofias empresariais que não atirem as descisões de ter filhos para lá dos 35 anos.

    A capacidade de constiuir e projectar uma familia numa idade saudável e fértil é hoje uma miragem para muito "jovem" de 30 anos, quanto mais 20, que não sabe se terá emprego amanhã e sabe que se o tiver é com um salário minimo miserável, e sem tempo para dedicar a outras dimensões do que é ser pessoa.

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  2. Caro JT,

    O Bernardo Pires de Lima também chama a atenção para a mega-catástrofe q sobre nós se abaterá com esta terrível subversão da natureza humana:

    http://uniaodefacto.blogs.sapo.pt/200896.html

    Abraço

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  3. Caro l.rodrigues.
    Bom comentário.
    Acho que merecia ser um post.

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  4. Caro L Rodrigues: fico contente que não tenha rejeitado liminarmente as minhas palavras. De resto tenho dúvidas que o tipo de engenharias que refere sejam minimamente eficazes.

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  5. Caro Frederico: não me parece intelectualmente honesto que, perante esta minha opinião me queira atirar para a extrema imbecilidade: em lado nenhum eu me refiro a cenários apocalípticos. Esse barrete não me serve.

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  6. Caro João,

    Nem me passou pela cabeça designar-te de intelectualmente desonesto e entristece-me q o faças relatvamente ao meu comentário. O link está lá e é relevante no q qo teu post concerne. Qto a barretes, n pretendo enfiá-los em ninguém - mto menos em quem estimo. A menos q caibam...

    Abraço

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  7. Não é de esquecer a natureza e ecologia humanas, mas o facto é que temos exemplos suficientes de desvios ao nosso lado mais animal para não o levarmos de forma demasiado literal na altura de se decidir sobre a sociedade.

    Dito isto, parece que hoje em dia vigoram as interpretações extremas. E demasiadas interpretações.

    Também não acho que os casais homossexuais devam ser afastados de eventuais medidas e discussões sobre o fortalecimento da família que tanta falta faz. Aliás, a adopção merece-me menos reservas que o casamento.

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  8. Não vejo porquê considerá-las ineficazes. Foi possivel fazer a engenharia contrária dando prioridade ao lucro de alguns. É só enviezar um pouco as prioridades a favor de um bem estar mais geral. Ou acha mesmo que isto da organização das sociedades é apenas a natureza a funcionar em roda livre?

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  9. Caro Frederico: jamais te chamei intelectualmente honesto, disse apenas que o teu comentário (não tu próprio) me parecia (subjectividade) intelectualmente desonesto, porque não se centra no que eu afirmo, tema que tenho a certeza também a ti te é sensível. Temos que ter cuidado que as nossas bandeiras políticas não nos ceguem. Repito: o texto do Bernardo Pires de Lima faz uma sarcástica caricatura que não vejo como se possa aplicar à preocupação manifestada no meu texto.
    Sabes bem que a minha consideração por ti é grande.

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  10. Caro João,

    Eu sei e tu sabes (espero!) q a consideração é recíproca - apesar das nossas divergências. Contudo, continuo a achar q o link q deixei tem relevância relativamente ao teu post.

    Abraço

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  11. No que à Etologia diz respeito enquanto ciência , que estuda os comportamentos animais na sua interacção com os ambientes sociais e físicos em que vivem. O livro do Morris pela publicidade que teve foi importante para levar ao conhecimento geral esta área, agora para uma abordagem séria e sistemática da Etologia debruçada para o problema humano, aconselho a leitura dos livros do Robert Ardrey .

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  12. Não é ecologia, é etologia.

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  13. Caro João Távora,

    E quem decide o que é que melhor protege o Homem?

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  14. talvez estejamos a voltar ao estado " natureza" , em que os machos alfa fecundam as mais que puderem em casamentos sucessivos , e os outros , sem unhas para tocar as guitarras eléctricas de hoje , tocam pífaro. o casamento sem divorcio com mulheres virginais ( que só conheciam um homem e nem sabiam bem o que era sexo ) dava muito jeito a estes últimos. mas está acabando.
    e numa perspectiva de evolução da espécie , talvez deva ser mesmo assim.

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  15. Uma pequena fuga ao tema: a referência ao Macaco Nu fez-me recordar que em Leiria, na Escola Industrial e Comercial, aí por 1969, pedi à minha professora de Português e directora da biblioteca, Margarida de Carvalho, pessoa a quem muito devo, que o adquirisse para a biblioteca da escola. Respondeu-me que me emprestava o livro, mas comprá-lo para a biblioteca, só com autorização do director, isto por medo ao Padre Vieira da Rosa. Liderei então uma comissão que foi recebida pelo director. Achava muito bem que lêssemos o livro, prontificou-se a emprestar-mo, agora comprá-lo, não. Por causa do referido padre.
    Confesso que quando o li pela primeira vez me interessei sobretudo pelos capítulos "Sexo" e "Agressividade" (cito de memória). Haverá livros muito mais actuais e mais correctos do ponto de vista científico, mas o Macaco Nu ensinou-me a olhar para a espécie a que pertenço com outros olhos, mais humildes.

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