sábado, 2 de janeiro de 2010

O insondável mistério do Bolo Rei

 


É para mim um grande mistério a tradição do Bolo Rei,  um pitéu que afinal  poucos apreciam, mas que nem a fúria jacobina de Afonso Costa conseguiu liquidar, vai fazer cem anos. Disponíveis em impressionantes quantidades pelos cafés e pastelarias, e empilhados em promoções nos supermercados,  há  casas especializadas onde se faz bicha para comprar um exemplar. Mas pelo que me é dado observar, com mais ou menos frutas, mais ou menos ovos ou açúcar, esta é, entre as iguarias da quadra, a menos apreciada: as crianças regra geral enojam-se só de ver as frutas cristalizadas, e os adultos estão de regime, depois do peru e das filhoses. Quando muito  é o dono da casa que come uma fatia por descargo de consciência ou sentido de missão. Assim, chego à conclusão que o Bolo Rei é uma espécie de penitência pagã para “aliviar” a sã alegria da quadra, não vá o diabo tecê-las.


Em tempos, quando o Bolo Rei tinha um brinde, (em boa hora eliminado em nome da sacrossanta segurança alimentar, que isto de engolir bijutaria não é agradável) o pessoal ainda o escarafunchava para habilitar-se a ir à fava. Já o bolo que me oferecem no escritório todos os anos, por norma resiste incólume à consoada e segue directo para o congelador, donde é sacrificado ainda antes do fim de ano no aniversário da minha filha. Acaba feito em torradas numa caixa de lata ilustrada com animais de Beatrix Potter, donde segue para o caixote do lixo por ocasião das limpezas de Primavera. Tão certo quanto o Natal ser em Dezembro.


 


Inspirado aqui 

10 comentários:

  1. Nos tempos que correm, o que mais há é bichas.

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  2. Como sabes, sem Bolo-Rei não havia Cavaco.

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  3. Aqui em casa, dura 3 dias. Todo comido, mesmo que as derradeiras fatias passem à fase da torrada. Não se deita comida ao lixo.

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  4. As pessoas não gostam do bolo-rei? Óptimo, mais fica para mim.

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  5. ó, João Távora,
    até o Bolo Arriaga é culpa do jacobino Afonso Costa ?
    Na República, sede de tão grandes pensadores, políticos e militantes , tudo o que sucedeu foi só obra de um Homem ?
    Não é um vício de forma, tão comum dos portugueses, que infelizmente tivemos, depois, de aturar durante 50 anos ?
    O Bolo Arriaga é, como foram muitas coisas em períodos revolucionários, um produto da evolução da própria revolução. E não pegou ! Não porque se gostasse de um rei que era detestado, mas porque era a imagem de outra coisa que nada tinha a ver com política.
    Um bom ano para si que, embora quase sempre discordo, não deixo de vir ler.

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  6. Eu não desgosto do buraco do meio.

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  7. As torradinhas de bolo-rei são óptimas.
    Bom Ano Novo!

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  8. O meu Bolo-Rei deste ano tinha fava!!!!. Como ainda não o acabei, tenho esperança que me saia um brinde.

    Maria

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  9. Não se deita comida fora, menino.

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  10. Cada vez mais raro é porém conseguir encontrar bom bolo rei.

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