quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Mexer na escória

A propósito desta polémica, quem me conhece sabe como me repugna a intriga anónima nos blogues. Pela cobarde desresponsabilização e perversão das mais básicas regras de civilidade que isso significa. É assim que por motivos higiénicos, por regra só me dirijo a um interlocutor que eu de boa fé reconheça como devidamente identificado. Em tempos li um espantoso texto da Fernanda Câncio, sempre tão ciosa da sua ética jornalística, relativizando a validade das assinaturas na blogosfera, como se não possuíssem relevância. Claro que essa arrogante abordagem apenas revelou a pantanosa hierarquia de valores característicos da geração socras que tomou conta dos meandros da governança – media incluídos. Mas acontece que uma opinião assinada faz toda a diferença, seja numa coluna de jornal, seja no mais modesto dos blogues. Somente desta forma o autor arrisca responsabilidade pelo seu ponto de vista. Dar a cara pelo que se afirma, em qualquer dos lados da barricada, faz a diferença que existe entre um Homem e um individuo sem carácter.


 

14 comentários:

  1. Perfeitamente de acordo. Quem pode sequer imaginar opinar e comentar a vida publica escondido no seu anonimato? Sem dar oportunidade a quem lê de colocar um rosto atrás da escrita. Enganar os leitores, defraudar, vigarizar com uma postura que se esconde por detrás de quem realmente são.

    Cobardia é o que é. Quem não mete o rosto onde mete a boca só merece estar calado.

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  2. O Fernando Pessoa era um malandro.
    Além de cobarde, enganava, defraudavae vigarizava os seus leitores.
    Só não percebi essa de se esconder por detrás de quem realmente era.

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  3. Que eu saiba a utilização de heterónimos ou pseudónimos não confere automaticamente anonimato aos autores.

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  4. Alem disso não me parece que Pessoa utilizasse heterónimos para insultar pessoas identificadas, como se faz quotidianamente na CC.
    De resto, não insulte Fernando Pessoa, comparando-o aos Abrantes & Magalhães do blog de fretes do Governo.

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  5. Na qualidade de anónimo (já identificado por alguns) tenho que referir que esta polémica é um pouco chata, é que há pessoas que recorrem ao anonimato por razões do foro profissional, para que em virtude das suas opiniões não seja enxovalhados , etc... mas também há quem abuse e recorra a esse sistema para atacar indiscriminadamente , não sei continuo a achar que apenas a criação de um fórum de opinião, com acesso limitado aos seus membros resolve o problema.

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  6. Caro Rés: é a velha questão do anonimato e dos pseudónimos.
    O anonimato é sobretudo uma arma de ataque ou de defesa. Sendo que a causa é o ataque (cobarde); o efeito é a defesa (legitima).

    O pseudónimo não impede a pessoa seja conhecida. Impele mesmo a que se dê a conhecer. E é sobretudo utilizado literáriamente.

    O se pseudónimo define a sua preocupação politica. O meu... talvez uma forma também de ver a politica.

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  7. Sim, eu sei, mas a ideia do fórum era a ideal para resolver esse problema.

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  8. O conceito de fórum tal como é entendido e utilizado pelo menos em Portugal, revela-se concentracionário . Pelo que me diz respeito, tenho sempre muito gosto em conversar com os que me são próximos ou iguais, mas o confronto de ideias não existe, pelo menos no sentido de conflito de cosmovisões. Logo considero que este tipo de blogues deve seguir em funcionamento, pois caso contrário passaremos à fase de conflito seguinte, eu pelo menos já sei de que lado da barricada fico.
    Sou absolutamente a favor de conseguir que o maior numero de nós se conheça, nem que seja virtualmente pois isso levará a um movimento de opinião crescente, que alguma consequência trará à cena nacional.

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  9. Concordo. E esta «mesa de café» parece assegurar o sossego e o conforto de quem se senta nela com a boa intenção de trocar ideias.

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  10. Referia-me a um fórum do género da ciberjus, onde se inserem juízes, advogados, mp de várias correntes ideológicas, a ideia é ser amplo e abrangente, mas sem os riscos das ordinarices da vida!
    Mas entendo a sua opinião amigo Velho, logo se vê como corre a luta...

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  11. Não sei se o meu comentário de há pouco «entrou».
    Este espaço parece ter as medidas adequadas para se debaterem ideias com abertura a todos que não «descarrilem» de uma conversa civilizada e não provocatória.

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  12. Caro Ega,
    Estamos realmente empenhados em que as coisas não resvalem para um nível impróprio.
    DE resto, folgo em continuar a vê-lo no Corta-Fitas.
    Abraço do
    Rui Tabosa

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  13. Obrigado, caro Rui.
    Felicito-os a todos pelo vosso empenhamento
    Abraço
    J. da Ega.

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  14. Como sempre, caro crull, I couldn´t agree more with you.

    Educadinha

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