segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cartões de Natal

Desde que trabalho em comunicação empresarial que todos os anos na véspera da quadra natalícia  se me põe o mesmo dilema: que fazer com o costume das “Boas-festas” aos clientes e parceiros?  Será esta uma eficaz acção de relações públicas ou antes uma irritante espiral de desperdício da qual as empresas e instituições não se conseguem libertar, aprisionadas que estão umas às outras em cumprimentos meramente protocolares?


Para lá duma meritória política de Solidariedade Social que extravasa este tema, parece-me que o que sobra do espírito de Natal, uma festa de natureza intimista e familiar, para o mundo empresarial é realmente pouco. Mas até hoje nunca tive convicção suficiente para propor a extinção deste ritual: é difícil ter uma boa desculpa para não retorquir educadamente a um Cartão de Natal. E se assim é, acabo todos anos condescendendo à tradicional dança de cartões, se possível com um desenho original, de preferência em apoio de alguma instituição carenciada, e sem esquecer a imprescindível "versão electrónica interactiva".


Vêm estas palavras a propósito duma inocente provocação aqui há dias do Paulo Pinto de Mascarenhas em que afirmava que não há Cartões de Boas-festas grátis. Tirando uma leitura das relações sociais "à moda da National Geographic", e apesar de os "verdadeiramente desinteressados” estarem em vias de extinção, ainda os há: são os Cartões daquele parente diplomata, e de um ou outro amigo mais antiquado ou extravagante que teima calorosamente em fazer-se presente na árvore de Natal cá de casa. Uma coisa impossível de fazer com as milhentas bonecadas que entopem a minha caixa de correio electrónico ou a página do facebook nesta quadra. Sinais dos tempos.


 

4 comentários:

  1. Cartões de Natal de firmas é no Ecoponto Azul.

    ResponderEliminar
  2. pronto está bem, não envio um cartão a ninguém.

    ResponderEliminar
  3. À atenção dos comunicadores empresariais29 de dezembro de 2009 às 11:46

    Na qualidade de «receptor» de cartões de Boas Festas enviados por empresas (infelizmente, passou o hábito de familiares e amigos o fazerem, à boa maneira manuscrita, que sempre é outra coisa), irritam-me os que são assinados automaticamente, ou por algum director (que só conhecemos de nome), ou por ene pessoas cujos nomes nada nos dizem, algumas delas usando assinaturas ilegíveis.

    Ainda quando são enviados por alguém que conhecemos (o nosso contacto habitual, gerente de conta, ou assim), vá que não vá.

    ResponderEliminar
  4. João, detesto o «cartão» de Boas Festas «mecânico», assinado por atacado e absolutamente impessoal. Mas, excluído este, gosto de receber cartões de Boas Festas, mesmo que se tratem de meras «provas de vida» dos respectivos remetentes. Há pessoas que só por essa via sei que ainda existem, e ainda bem que existem e ainda bem que fico a sabê-lo. ;-D

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...