segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Paciencia de Jó...

José Saramago é, na minha opinião, um escritor mediano e homem amargo, zangado com a vida e com a humanidade, e prova viva da total arbitrariedade política do “prémio Nobel”. Com uma sensibilidade comercial impar, o autor move-se e manipula como poucos o espaço mediático, em especial quando lança uma nova produção: a um estalar de dedos, a grande nação jornalística lança-se-lhe submissa aos pés, para gáudio dum pequeno Portugal ressabiado, jacobino e dogmático. Só assim se entende o porquê dum país inteiro despertar a uma segunda-feira com as rádios televisões e jornais proclamando as blasfémias do escritor: contra todos os filósofos ou homens de cultura dos últimos dois mil anos, o senhor Saramago vem a descobrir e denunciar que afinal a Bíblia “é um manual de maus costumes”.


Toda a vida houve quem dissesse grandes disparates, sem que deles fosse necessário apelar ao contraditório, à razoabilidade ou ao bom senso: eram simples disparates que não saiam dalgum pasquim, de conversas de café ou de salão. A diferença nos dias de hoje é o sucesso instrumental que facilmente obtêm estas frases assassinas, acalentadas por uma comunicação social que se alimenta, não dos factos ou da informação, mas da polémica sensacionalista. Mesmo que isso reverta na desinformação de muita gente incauta ou promova os mais obscuros projectos políticos.

6 comentários:

  1. A sua opinião é tão válida quanto a de Saramago (ele nem é dos meus autores favoritos). Saramago nunca fez sucesso com frases assassinas como diz entre outras coisas mas se quer pensar assim tudo bem. Pois eu também penso como ele no que diz respeito à bíblia e não sendo eu um sucesso de pessoa e ter apenas feito uma carreira académica seria e de qualidade (sem jornalistas) sou capaz de ler o que você escreve sem trepar paredes... A diferença e o sucesso dos outros porque será que causam tanta azia?

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  2. "não dos factos ou da informação, mas da polémica sensacionalista".

    João Távora,
    até posso estar de acordo consigo em certas coisas mas quanto ao que escreve e que eu acima referi diga-me:
    Quais factos ?
    Factos na Bíblia ?
    Posso discordar de Saramago na forma mas não discordo no conteúdo. E se ele pensa assim, podemos discuti-lo, como me pode discutir a mim e/ou eu a si.
    Agora, porquê tanto barulho ?
    De que têm medo ?
    De uns poucos ateus que existem em Portugal e o proclamam ?
    Do que é que a organização cristã tem medo ?
    Que o proselitismo ateu avance ?
    Mas quem ao longo dos milénios não tem feito outra coisa do que investir no proselitismo, de boas e más formas, do que a ORGANIZAÇÃO DA RELIGIÃO CRISTÃ E ISLÂMICA E JUDAICA ?
    Prefiro na realidade as palavras do padre Tolentino de Mendonça sobre o assunto. Fala e discorda mas não afronta porque não tem medo.
    A sua posição, João Távora, parece a da Conferência Episcopal, que como sempre é má.

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  3. Sumiati: sou suficientemente realista para reconhecer que a minha opinião vale infinitamente menos que a do Sr. Saramago coisa comprovada com a repercussão que a dele tem nos media nacionais.

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  4. Quando me refiro aos factos, refiro-me aquilo que tem importância para ser relevado ao público. A atenção dada pelos "media" ao escritor e a este "sound bite" parece-me excessivo. Só isso.

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  5. Saramago, que obviamente sabe que já não vai viver muito, tudo o que ele mais gostaria agora é duma polémica digamos político-religiosa que o lançasse num vedetismo terminal, qual vítima de intolerância inquisitorial. Que fim em beleza, não? Em vezz de se dedicar, como muitos outros fizeram, ao comentário do Grande Embuste Comunista, que tanto mal fez ao século XX, mas que ele jamais consideraria, covardemente, é óbvio, tamanho é o silêncio ensurdecedor do assunto, mas que o confrontaria com o seu fiel público de esquerda comunista ou afim (arrepiante Judas, a sua aproximação à memória do grande Jorge de Sena — esquecendo, topando décadas de vexames e silêncios...), Saramago investe contra a Igreja e o catolicismo, numa intifada típica dos desesperados.

    Sinceramente, tenho pena dele.

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  6. É fácil atacar os judeus e os cristãos(dos quais faz parte). O que gostava de ver, seria Saramago dizer o que pensa acerca do Corão. Coragem para tanto, não a deve ter.

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