Num impulso nostálgico e a pensar na “cultura” das minhas criancinhas pus-me a coleccionar os DVDs da Pantera Cor-de-Rosa de Friz Freleng que sai aos sábados com o Público. Na minha memória eu guardava o fascínio do personagem principal, a divertida banda sonora de Henry Mancini, os cenários geométricos em esquiço de cores garridas, e o sentido de humor da série delirantemente sarcástico. Não podia eu imaginar o nefasto efeito de indigestão causado pela visualização de inúmeros episódios seguidos, da repetição exaustiva do tema musical, da receita do humor sempre igual e dos os invariáveis e minimais grafismos: ao terceiro episódio, todo encanto e graça da Pantera, mesmo sendo Cor-de-rosa, esvaíra-se totalmente, e as minhas crianças olhavam para mim de soslaio insinuando uma imensa “seca”. Talvez pouco convincente, ainda lhes expliquei que antigamente era uma Graça caída dos céus, quando o canal único de televisão exibia um episódio avulso e acidental, entre um programa de agricultura e um telejornal chatíssimo sem facadas ou inconfidências da vida real. Não entenderam e voltaram insolentes para os seus computadores pessoais trocar mensagens, ficheiros mp3 e clips do youtube enfim, a interagir com o mundo.
Não permito que me desmistifiquem a Pink Panther, ok? Quando eu aterrei aqui, a tv era a preto-e-branco, havia dois, DOIS, canais que não davam o dia inteiro e havia o Vasco Granja com desenhos animados do Office national du Canada e da Checoslováquia. Portanto, quando dava a Pantera, a cinzento, coitadita (de mim), era uma festa.
ResponderEliminarLá em casa era uma festa, Blond. Não experimente ver episódios ao quilo: não funciona.
ResponderEliminarCaro João,
ResponderEliminarA minha filha mais nova , de nove anos, gostou, mas prefere os os Simpsons.
Fiquei , contudo , com a mesma sensação que V. refere.
Está bem, mas sejamos justos: não deve haver muitas séries, principalmente aquelas cujos episódios são independentes, que resistam à visão de episódios em série (passe o pleonasmo).
ResponderEliminarTás com azar, que foi precisamente o granja que te deu a pantera. E o bugs bunny, o tex avery, o road runner, etc, etc. A memória é tramada e a memória que ficará sempre do Vasco Granja é que era uma tortura para os putos. É um trauma rectroactivo ;)
ResponderEliminarPedro
A pantera não é para "criancinhas" pequeninas, nem mesmo para putos de nove anos. Coitados dos míudos, que seca. É um desenho animado muito estilizado, com referências e truques de grafismo demasiado adultos. E muito menos aquela música hipnótica do Henry Mancini. Nem o Fritz Freeling alguma vez pensou nessas idades quando fez a Pantera. Só se começa a gostar da coisa lá para os 11, 12 anos. Os Simpsons já é diferente. Até bébés são capazes de se divertir com os bonecos amarelos, cheios de movimento e vozes engraçadas, ainda que não percebam patavina do que els dizem.
ResponderEliminarPedro
Presumo que o Pedro não está a comentar o meu post que presumo não leu. P. Exp. em lado nenhum eu referi a idade dos miúdos.
ResponderEliminarJoão Távora, não se zangue. Parti do princípio, admito que arradamente, que quando falou em criancinhas, se referia a crianças pequenas, só isso. O essencial do meu comentário, de qualquer forma, apenas se refere às idades que para mim serão as mais adequadas para apreciar a pantera. no big deal.
ResponderEliminarPedro