terça-feira, 1 de setembro de 2009

O último cartucho

 

Liedson é a mais recente contratação da equipa de carlos Queiroz, o seu último cartucho, com vista à redenção da sua desinspirada campanha para o Mundial da África do Sul. Confesso que nunca vi com bons olhos a abertura da Selecção Nacional a jogadores de origem estrangeira, mas a convocatória do levezinho foi a gota d’água que transbordou: a selecção de Carlos Queiroz é cada vez menos “nacional”. Equipa por equipa, já tenho a minha, para a qual pago quotas e  sofro irracionalmente ao fim de semana. 

Sei muito bem que o significado de “nação” é algo impreciso e o termo é envergonhado nestes tempos de relativismo que atravessamos. Mas eu sou teimoso e acredito que os portugueses partilham algo de comum, um património afectivo, histórico, cultural, linguístico e geográfico. Acredito que algo que nos une e nos dá corpo como povo, como grupo, para o bem e para o mal. Que tem um desígnio e um legado por cumprir, algo bem mais importante do que o resultado imediato de um qualquer torneio desportivo internacional. Por isso é que estes sinais de relativismo me preocupam: que devagarinho nos tirem pátria, o nosso último reduto.

 

Imagem daqui

6 comentários:

  1. João,

    Com todo o respeito, acho que a questão está mal colocada. O seleccionador deve escolher um conjunto de jogadores com nacionalidade portuguesa. O Deco, o Pepe e o Liedson respeitam essa condição, como também respeitam muitos que nasceram em África ou mesmo o Manuel da Costa que nasceu em França e nem sequer sabe falar português. Por que motivo não deveriam ser seleccionados os que têm nacionalidade brasileira e portuguesa? Que outra condição, a não ser a nacionalidade, poderia exisitr para escolher os jogadores? Caberá ao seleccionador fazer um juízo sobre as raízes dos jogadores, o local de nascimento, a sua ligação ao país, etc.? Penso que não e é por isso que considero que a questão esteja mal colocada.

    Na verdade, o que se deveria discutir são as condições para obter a nacionalidade portuguesa e isso nunca deverá ser responsabilidade de um seleccionador de futebol.

    Cumprimentos,

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  2. Por outro lado, vejo brasileiros na Selecção da Croácia e penso que muito mais nos une ao Brasil do que este à Croácia. E penso na selecção italiana de futsal onde todos os 14 jogadores eram brasileiros naturalizados (por uma generosa lei que onde a naturalização é quase automática até umas 3 gerações ou 4 para italo-descendentes...
    Se a nossa pátria é a nossa língua etc e tal... será que não era tudo mais pacífico se o apuramento já estivesse no saco?

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  3. Existem muitos jogadores que actuam na selecção que não são portugueses de origem.

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  4. João Távora escreveu coisas importantes para meditar, de entre as quais me permito destacar: « Acredito que algo que nos une e nos dá corpo como povo, como grupo, para o bem e para o mal. Que tem um desígnio e um legado por cumprir, algo bem mais importante do que o resultado imediato de um qualquer torneio desportivo internacional. Por isso é que estes sinais de relativismo me preocupam: que devagarinho nos tirem pátria, o nosso último reduto».
    A relação afectiva com a Pátria é do foro íntimo de cada um. Tal como noutros sentimentos fortes, cada um sente como sente. Desde que esse sentimento não extravase em atitudes que caiam fora da ética e da moral, ao menos da moral natural.
    Todavia, o que eu estranho é que essas palavras tenham aparecido a propósito do futebol. Devo dizer, desde já que também eu gosto de futebol.
    Pode até ser que nos estejam a "tirar a pátria" na questão dos jogadores seleccionáveis.
    Mas então o que se passa com as normas e as regras que nos são impostas e que são limitadoras da soberania. Lembremos, por exemplo do "receber para não produzir ou para não pescar", tornando-nos até mais vulneráveis num eventual conflito internacional. Outro exemplo: a posição que nos "obrigaram" a tomar na questão do Kosovo, até contra os alertas do Presidente da República.
    Outros exemplos haveria, mas fico por aqui.
    Perante casos de soberania, o futebol vale o que vale e vale pouco. Muito pouco.
    Pena dá ver sair pessoas altamente qualificadas porque não têm condições para trabalhar ou investigar em Portugal. Eu conheço uma doutorada em Química, com mestrados e NBAs que chegou a trabalhar num supermercado, porque nunca arranjou colocação. Porque nasceu numa família humilde sem "conhecimentos" altamente colocados. Está a trabalhar, desde o ano passado, na Austrália, longe dos pais idosos e da pátria.
    Estes, para mim, é que são casos de desamparo da pátria. A pátria que é território, mas habitado por pessoas.
    Cumprimentos.

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  5. So' me choca o facto de se fechar a porta a jovens formados ca' em Portugal, que fizeram deste desporto uma carreira ah custa de muitos sacrifícios, de resto quem quer dar o corpo pelo país que escolheu e o acolhe tem o meu apoio.
    Que países sem escolas e tradição no futebol naturalizem jogadores compreende-se, mas ca' em Portugal não vejo assim tanto essa necessidade...
    Cheira-me sempre mais a buchas metidas porque tem de ser....

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  6. Não estou de acordo, João. Os brasileiros não são "estrangeiros" como os "outros". sabe perfeitamente o que quero dizer. É a ideia de um certo Portugal que infelizmente morreu para dar passagem a uma Europa que sempre nos ignorou e da qual jamais me senti parte.

    Passando ao lado deste caso, o que terá então a dizer acerca da selecção francesa...?

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