terça-feira, 29 de setembro de 2009

De quem é a culpa?


Parece que agora todos sabem qual seria a “estratégia” correcta para Manuela Ferreira Leite ganhar as eleições e não há cão nem gato, na boa tradição portuguesa de bater em quem está no chão, que não lhe atribua “culpas” pela manutenção de Sócrates no poder. Há três meses, depois das europeias, as mesmas pessoas admiravam-lhe a estratégia e até o estilo…Em democracia, a “culpa” é sempre dos eleitores e eles preferiram Sócrates, Portas e Louçã. Ou então abstiveram-se e deixaram outros escolher por eles. Queriam que a líder do PSD, para “agradar” aos eleitores, prometesse aquilo que não acreditava poder fazer, berrasse em comícios, se vestisse de outra maneira, fizesse o pino? Procurem outros políticos. Ela apresentou aos eleitores uma alternativa responsável. Eles preferiram outros governantes. Tão simples quanto isso.

Sobre a questão de Manuela Ferreira Leite continuar ou não liderança, voltar um bocadinho atrás não custa nada. Ela candidatou-se à liderança porque nem Rui Rio nem outras pessoas em que confiava quiseram avançar. Teve como adversários Santana Lopes, que dá um bom candidato em Lisboa, mas que estava ainda a refazer a sua carreira política, e Passos Coelho, cujo currículo se resumia a ter sido líder da “jota” em tempos que já lá vão, e que apresentou um programa “liberal”, velho de 30 anos, rapidamente esquecido com o advento da crise. Ah, e parece que tem “boa imagem”, algo que impressiona muito os nossos politólogos. Ou seja, a escolha era óbvia, e o comportamento subsequente de Passos Coelho e dos seus apoiantes tornou-a mais óbvia ainda.

Manuela Ferreira Leite pode até deixar de ser líder, mas só se for substituída por alguém melhor. Alguém que consiga conjugar a mesma seriedade e competência com mais jeito para a comunicação de massas. No PSD, só consigo ver duas pessoas com essas características: Rui Rio, que já disse que não sai da Câmara do Porto, e Paulo Rangel, que por enquanto está no Parlamento Europeu. Tomara que haja outras pessoas, porque se não houver, prefiro continuar com Manuela Ferreira Leite e não vejo motivo nenhum para ela sair, tanto mais que agora é deputada e adivinham-se dias tumultuados para os socialistas sem maioria absoluta.


 


Adenda: Entretanto, nestes tempos sombrios, uma boa notícia. João Gonçalves, do Portugal dos Pequeninos, filiou-se no PSD.

 

10 comentários:

  1. Esse companheiro já tinha sido filiado no PSD e orgulhava-se de se ter desfiliado...

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  2. Caro Duarte Calvão,

    Exactamente. Sem tirar nem pôr.

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  3. Talvez agora a MFL faça o pino.

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  4. Ó tempo, volta p'ra trás!29 de setembro de 2009 às 11:20

    Está-se mesmo a ver, Manuela que faz 69 anos em Dezembro, esperar aí uns dois para chegar a PM, com 71, e ficar lá 4 anos, até aos 75...

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  5. Concordo com tudo o que disseste. Este ano, o PSD andou à deriva do PS. Sem objectivos concretos, sem ideias próprias, sem candidatos válidos, atacando o Sócrates e o PS pela má gestão. Enfim, entraram no jogo do Sr. Eng., tal como ele antevia e ganhou.

    Na minha opinião o PSD perdeu antes mesmo da campanha. Com Ferreira Leite ou com outro candidato, faltou empenho e confiança dos portugueses para optarem pelo PSD.

    Cump

    Catarina

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  6. Passos Coelho tem a inaudita vantagem de não usar um colar de pérolas.

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  7. Passos-Coelho tem a inaudita vantagem de ter como apoiante Filipa Martins.

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  8. Excelente post, como é seu costume.
    Como se sabe, é próprio dos seres inferiores amesquinhar quem perdeu. E seres inferiores não faltam por aí na blogosfera...
    Manuela Ferreira Leite teve um mérito indiscutível: quando lá chegou, o PSD praticamente deixara de existir como alternativa ao sufoco socretino que está a levar o país à desgraça.
    Na nova etapa, agora aberta, o PSD tem de renovar-se. E, como V., só vejo dois nomes para isso: Rui Rui ou Paulo Rangel. Se Rio tem medo, como parece, é preciso, imperioso e urgente que Rangel avance.
    Impõe-se, sobretudo, que o PSD diga "não" ao clone socretino que, desde há meses, mais não tem feito que tentar a sabotagem interna do partido.

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  9. Duarte, para mim, o grande problema deste PSD é não subscrever o velho princípio – salvo erro napoleónico – de que a roupa suja deve lavar-se em casa e à porta fechada. As mais assanhadas e rancorosas críticas que tenho ouvido ao partido e à sua liderança saem da boca de assumidos (não sei se genuínos) PSD’s. De que resulta que, actualmente, o pior inimigo em campanha contra o PSD é ele próprio. E a imagem que vende é a de um pouquíssimo atraente saco de gatos. Haverá meio de sanar a situação?

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  10. O PSD é formado por pessoas com personalidades muito fortes, que se têm em alta conta (às vezes, com razão, outras nem tanto...), pensam pela sua cabeça e são muito exigentes com os líderes. Isso tem um lado positivo. Mas, por outro lado, a dificuldade em admirar alguém a não ser a sua ilustre pessoa, a vaidade intelectual e a cegueira em não perceber que o tal "saco de gatos" se está a afundar e que, por muito que lutemos entre nós, vamos todos ao fundo se não agirmos de outra maneira, afecta muito o partido, não sei se de forma já irremediável. Para já não falar daqueles que não têm profissão e que dependem da política para viver.

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