Por circunstâncias profissionais, quando fui Relações Públicas da cadeia Tivoli, tive o privilégio de privar com Raul Solnado. Numa ocasião em especial, uma parceria dos Hotéis Tivoli com a Casa do Artista em 2004, juntou-nos durante mais de um mês em inesquecíveis noites de ensaios para uma festa de Natal da empresa: então o Raul, com a sua incomensurável generosidade e com a ajuda de Joel Branco, Artur Agostinho, Amélia Videira e uns quantos afoitos empregados dos hotéis, liderou a realização dum inesquecível espectáculo de variedades. Ainda hoje revi o vídeo dessa festa que levou ao delírio os mais de duzentos antigos colegas meus dos Tivoli Lisboa e Tivoli Jardim. Por mim jamais esquecerei as noites de ensaios, convívio e galhofa que precederam essa noite memorável, que acredito ter sido uma das mais divertidas festas de Natal realizadas pela empresa. A sua generosidade, simpatia e uma persistente boa disposição são os traços que guardo do Raul Solnado. E ficarei para sempre grato pelos momentos de gozo e boa disposição que eu vivi na minha infância, quando por sorte sintonizava a gravação de um dos seus números teatrais no meu pequeno transístor: de orelha colada ao aparelho deliciava-me com a guerra de 1908 e outros inteligentes disparates que Raul interpretava com mestria. De resto, como comprova o actual panorama do humor nacional, esta é uma arte muito, muito difícil, obstáculo que não se resolve atribuindo-lhe nomes pretensiosos como Stand up, que só conseguem acentuar a crise de imaginação, a vulgaridade dos textos e da maior parte dos humoristas contemporâneos.
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Gostei muito desta evocação e partilho contigo a embirração com o termo 'stand up comedy', a pretender inventar o que já estava inventado há muito sem necessidades de rótulos estrangeirados. Tal como tu, conheci muito do Solnado ao ouvi-lo na rádio, noite após noite, naqueles discos com as rábulas mais conhecidas que em certos trechos já sabia de cor.
ResponderEliminarPara ele não julgar que eu era algum pelintra, fiquei-lhe com um panarício e meia dúzia de bicos de papagaio.
ResponderEliminarGostei muito do comentário do Nilton na RTP creio......
ResponderEliminar"De igual para igual" segundo o próprio...
Gostei muito do teu pertinente post no Delito, caro Pedro. Não é só a RTP: um país que não cuida da sua memória está condenado. Abraço
ResponderEliminarCaro, o que disse na RTP, que me pediu um comentário no dia em que o Raul faleceu é que ele me chamou a casa dele me desafiou a escrever um livro com ele e me tratou de igual para igual. Elogiou o meu trabalho como o fez desde que me viu a primeira vez há 9 anos atrás. Reforçou que era das pessoas que ele estimava e que me reconhecia talento, disse-o várias vezes. Foi o Raul aliás e o Júlio César que me viram no Teatro A Barraca e depois o Júlio César convidou-me para o Casino Estoril.
ResponderEliminarO meu comentário foi, estava em casa dele o ano passado e apesar dele me estar a tratar de igual para igual, a trabalhar comigo, na minha cabeça, por momento algum deixei de pensar timidamente: Nilton, está aqui o Raul Solnado.