segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O sistema contra mim

Na semana passada fui almoçar à Baixa e, por volta das 13.30 h, ao passar em frente à Loja do Cidadão, nos Restauradores, estando com tempo, ocorreu-me fazer o pedido do Cartão de Cidadão, embora o meu BI ainda seja válido até 2016. Mas realmente é incómodo andar com ele, por ser demasiado grande, e a ideia de concentrar num só cartão vários dados pareceu-me prática. Entrei, tirei a senha e calhou-me o número 344. No painel electrónico, o último número chamado estava no 190 e tal. Nada de grave, já me tinham dito que demorava. Fui almoçar calmamente e voltei por volta das 16.30 h. Ainda faltavam uns 40 números para a minha vez. Continuava com tempo (só tinha um compromisso por volta das 18.30 h) e fui fumar uma cachimbada para a porta. Quando voltei, uma meia-hora depois, estava só a 10 números de ser atendido. Fiquei satisfeito, parecia-me que tinha "jogado" bem, sem perder muito tempo.


Eis senão quando, de repente, o número do painel pula para o 389. Era uma avaria, encarada com bonomia pelas três funcionárias que atendiam (uma quarta dedicava-se exclusivamente aos pedidos por marcação), embora tenha provocado sobressalto em quem esperava ali há horas, pensando que tinha perdido a vez. Mas, pronto, passaram a chamar em voz alta e, apesar da demora provocada pela confusão e por uma das três funcionárias se ter ausentado por uma boa meia-hora (quem sabe se para lanchar), lá para as 17.30 h, a avaria já tinha sido consertada e chegou a minha vez.


Entreguei os documentos todos, forneci os dados, mas quando fui fazer a fotografia e tirar as impressões digitais, a funcionária informou-me que o "sistema" tinha ido abaixo e ela ia esperar um bocadinho para ver se voltava. Após "brigar" uns cinco minutos com o computador, chegou à conclusão de que tinha que recorrer a outra máquina, embora tivesse que introduzir os meus dados outra vez. Pacientemente, fiz o que me pediam, desta vez a máquina colaborou e apresentaram-me o documento do pedido do cartão para eu assinar, em que me responsabilizava pela veracidade dos dados fornecidos. Verifico se está tudo bem e qual não é o meu espanto ao verificar que a minha freguesia de residência tinha sido substituída pela do lado. Chamei a atenção, mas imediatamente a funcionária me disse que eu devia estar enganado, porque o sistema lhe dizia que era nessa freguesia que eu morava. Respondi que tinha a certeza de que não e que a rua em que moro (ao contrário do que acontece com muitas outras de Lisboa) pertencia inteiramente à freguesia que eu referia. E que nunca assinaria um documento responsabilizando-me por declarações que sabia serem falsas e que teriam influência, por exemplo, no local em que voto. Ela sugeriu que então eu declarasse a freguesia em que dizia residir e depois podia assinar. Pareceu-me uma boa maneira de ultrapassar a situação, mas mais uma vez o "sistema" não quis colaborar: o campo onde vinha essa declaração não surgia no papel impresso...


Disse que desistia do cartão, mas que queria fazer uma reclamação. Foi logo chamar a supervisora. Simpática e tentando ser prestável, a supervisora tentou de todas as formas resolver a questão, mas parece que para os CTT (que são quem fornece a informação sobre moradas e códigos postais) eu moro na freguesia do lado. Sugeri que consultassem outras fontes, elas disseram que o sistema não deixava. Não havia nada a fazer e eu desisti, embora elas prometessem vagamente que iriam ver se resolviam a situação. Claro que perante a simpatia e já estando atrasado, decidi não fazer reclamação nenhuma, não querendo prejudicar quem afinal era tão impotente quanto eu perante o "sistema". Somos todos portugueses. Afinal, tenho até 2016 para resolver a situação e até lá podem acontecer várias coisas: posso morrer, mudar de casa, mudar de país (as próximas eleições talvez me ajudem a decidir), os CTT podem passar a conhecer a Lisboa, o cartão pode ser alterado, enfim, logo se vê.


Passada a irritação, fiquei satisfeito com este meu mergulho no país real. Não foi tempo perdido. Nada como verificar pessoalmente como uma coisa são anúncios, choques tecnológicos ou simplexes e outra a é a realidade.


 

22 comentários:

  1. Esta sua descrição do seu mergulho nos "simplex" e afins, remete-me para uma outra descrição que a Clara Ferreira Alves fez na sua crónica no jornal Expresso.
    (Não que eu seja muito fã de CFA, mas leio-a e, umas vezes concordo com ela e muitas das vezes não.)
    Mas eu citei-a aqui, porque vejo pelo seu bem disposto post, (parabéns pelo seu bom espírito) que de lá até agora, as coisas em termos de Cartão de Cidadão, só funcionam muito bem se algum dia formos PM deste país, pois se bem me lembro ele obteve-o na hora e sem problemas...

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  2. Obrigado, Gaivota. Não li esse artigo de Clara Ferreira Alves, mas é sintomático o número de pessoas que têm problemas. Só eu, enquanto lá estive, verifiquei três "avarias" (painel, máquina de fotografias e impressões, código postal ligado à freguesia errada) e a "briga" constante dos funcionários com um sistema que é suposto funcionar automaticamente e lhes facilitar a vida. O meu "bom espírito" deriva de, de facto, não precisar do cartão (desde que não perca o velho BI, o Diabo seja surdo...), senão seria bem diferente.

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  3. Não é muito grave! Apenas me fez lembrar " O Processo" de Franz Kafka.
    Só com uma pequena diferença: o escritor checo escreveu esse livro em 1920. Está, portanto, quase a fazer 90 anos.
    Foi você que mandou pedir um "Simplex"?

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  4. Engraçado, eu também moro na freguesia errada, o que me impediu de mudar como eleitor para Lisboa. O sistema não me aceitou. É por isso que não poderei votar contra o Santana Lopes, que pena...

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  5. Olhe, pense nas outras 300 pessoas que foram fazer o cartão, e que não tiveram problemas... pense sobretudo naquelas que têm alguma coisa para fazer durante o dia e têm nececessidade do cartão, porque o BI caducou agora (e não em 2016...), e que são prejudicadas por chicos-espertos que não podem esperar 7 anos...

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  6. ...e como é que obteve essa informação de que as 300 pessoas anteriores não tiveram problemas?...
    Acha mesmo que não tiveram? Acha mesmo que esperar horas, andar a ter que conviver com funcionários que, coitados, lhes puseram «o menino» nos braços mas não sabem que fazer mais, quando tudo falha, até os CTT que não deviam falhar, falham e eles ali, coitados a terem que aguentar e nós a termos que aguentar...
    Eu, se puder, espero ad eternum... e não tiro esse cartaõ.
    Sabe porquê?
    Odeio filas e odeio horas de filas e odeio tudo o que é para ser na hora e demora horas.
    O SIMplex é só uma dessas coisas ...

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  7. Bem, se o "sistema" português estivesse na altura vigente em Praga era uma maneira de ele "sair" do bairro judeu...

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  8. Afinal, o sistema até tem as suas vantagens...Abraço

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  9. Realmente, justifica o nome com que assina. Essa agressividade tem a ver com a proximidade de eleições? Lindo país em que quer viver, em que quem quer ter acesso a um serviço pago com os seus impostos é considerado um "chico-esperto".

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  10. Mas nós somos contra o sistema. Um abraço para ti também

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  11. Assim mesmo...concordo absolutamente.
    Ele há cada um!
    Ainda bem que veio aqui "dar-lhe de caneta" que é o que estes verdadeiros "chicos espertos" merecem. Sempre a defenderem o "tio"...
    Essa do nome é bem puxada! De facto é mesmo um enfastiamento de nome...

    Ps: Obrigada por ter respondido ao meu comentário ao seu post. Ainda há "boas maneiras" por aqui...

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  12. Na Defensores de Chaves tira-se o CC em 20 minutos.

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  13. Pois, a simpatia resolveu o problema da reclamação. A "nossa" cidadania acaba sempre em
    águas de bacalhau quando se trata de fazer alguma coisa importante. A questão da freguesia continuará por resolver provavelmente até 2016, mas deu um texto no blogue. Continuemos, pois.

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  14. Tem uma certa razão, deixei-me comprar pela simpatia. Mas também não reclamei porque acho que as reclamações na função pública acabam quase sempre por responsabilizar os subordinados e não quem verdadeiramente tem a culpa. Ou acha que quem me atendeu também não queria um "sistema" a funcionar bem? De qualquer maneira, eles já sabem que a rua em que vivo não está registada, na base de dados do CTT, na freguesia certa.

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  15. Este "gaivota" é mais do género "sabujo". Uma daquelas figuras sinistras das caixas de comentários que passam o tempo a engraxar os blogueiros de serviço... como agora as teorias da conspiração estão namoda, até se ficaria a pensar que o Calvão é gaivota...
    Quanto ao Calvão, já cá faltava o patético argumento do "serviço pago com os nossos impostos". Para começar, o serviço em causa é pago (e bem pago...) pelo respectivo utente; em segundo, esse pretenso "argumento de autoridade" tem muito que se lhe diga. Eu, por exemplo, pago impostos; já o Calvão, que "por acaso" vai almoçar à Baixa e, porque está por ali, decide fazer o Cartão e ainda tem tempo para ir laurear a pevide entre chamadas, parece-me um desocupado profissional. Tem a certeza que paga impostos?

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  16. Veja lá se a sua cabecinha enfastiada consegue imaginar alguém cujo trabalho pode implicar almoçar na Baixa. O seu ressentimento é tal (desculpem-me os esquerdistas com bom nível, mas só o consigo imaginar este enfastiado como alguém de uma certa esquerda....) que o deixa cego. Nunca escrevi que estava lá "por acaso". Mas mesmo que estivesse, nem você nem ninguém tinha nada a ver com isso. Sinistro é quem, como você, anda a policiar o comportamento alheio, a insultar e a provocar pessoas que não conhece de parte nenhuma, como um pidezinho obrigado a defender o Chefe. Agradecia que levasse os seus comentários para outros blogues onde encontre gente da sua laia.

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  17. Para o sr. enfastiado
    Não lhe irei responder no seu tom. Jamais, lhe faltaria ao respeito chamando-lhe "sinistro","sabujo" "engraixador" e outros mimos que me dirigiu...
    Se Clicar no meu endereço, poderá ver que, tenho ideias e prezo-me de as saber expor. Não exijo, porém, que concordem com elas...
    - Eu aceito todas as opiniões, mesmo aquelas que, como a sua não me dizem nada. Mas, rejeito as faltas de educação e como tal de mim apenas receba, um "blogueiro" e indiferente, passe bem.
    Ps: Sabe, eu só passo graixa nos meus sofás de couro, feitos de encomenda e porque me apetece.

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  18. Ao sabujo gaivota - escreve-se graxa e engraxar, não graixa e engraixar... e um tipo que aplica graxa em cabedal só pode ser mesmo bronco. Há uns produtos especiais, caso não saiba...
    Olhe, não vou perder mais tempo com uma criatura patética. Obviamente, não perco tempo a ver blogues de qualquer trolha com problemas de iliteracia...

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  19. Calvãozito, "ressentimento", "esquerdista", "cego","sinistro", and so on... não trabalha em Belém (nas horas vagas, obviamente...)? Tem jeito para fonte anónima de pasquins "de referência".
    Você tem um problema grave, mas julgo que uns calmantes devem ajudar um pouco... tanta agressividade...
    Sabe, eu escrevo onde me apetece e, por vezes, até acabo a perder o meu tempo a argumentar com cavalgaduras como o Calvãozito. Mas irei magnanimamente acolher a sua sugestão e deixar de gastar o meu latim consigo. You just don´t deserve it, sucker!

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  20. "o" Sabujo gaivota" é «uma», mas não sabuja e sabe assumir os seus erros mesmos os de escrita...por distracção fonética
    Mas aqui para nós eu lhe ofereço «de graça» duas coisas e a saber:
    - Aulas de Português - falado e escrito pois possuo habilitação própria
    - De etiqueta e boas maneiras pois tenho educação de berço.

    Ps: Aplicar graxa nos maples de couro, é tradição de pessoas que os possuem de berço; antes dos produtos sintéticos para «novos-ricos»

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  21. Para a "passarita" - comprovando o que escrevi, e reitero, não costumo perder o meu tempo a ver perfis de blogueiros/comentadores de 3ª escolha. Era dar-lhes demasiada importância, como se comprova...
    Quanto ao seu "berço", deve ter sido de palhinhas, junto à vaquinha do couro dos sofás - não há nada mais possidónio que apregoar-se que se mandou fazer sofás de encomenda... it goes without saying...
    Quanto à graxa, deve ser coisa de profissional - ou o paizinho era engraxador, ou graxista... a coisa estava preta, portanto...
    Resumindo, uma passarona. E por aqui me fico...

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