terça-feira, 19 de agosto de 2008

Uma campanha triste

Prossegue a bom ritmo a campanha contra Manuela Ferreira Leite e resistir a ela é e melhor prova de valor da actual direcção do PSD. Compreendo o medo dos socialistas, com o País mergulhado numa  crise económica e num pessimismo atroz, e do esforço que fazem através dos seus “analistas” e jornalistas, mas já é mais difícil ver gente do PSD, ou que se diz próxima, embarcar nesse discurso repetitivo sobre o “silêncio” (antes os temas lançados tinham sido o Bloco Central e o desconhecimento dos dossiers de Alcochete e do TGV e a procriação e o estatuto dos Açores e o Chão da Lagoa e o Pontal e mais não sei o quê), julgando que vai ganhar muito com isso em cenários pós-eleições 2009.


Ontem, até o insuspeito Ângelo Correia, para grande desilusão de Mário Crespo, que esteve a entrevista inteira a tentar sacar-lhe declarações contra Manuela Ferreira Leite, considerou que não há outra hipótese senão o PSD ir a eleições com ela (contando com o seu apoio) e o pôs na ordem o apresentador português do “60 Minutes” ao dizer que a reportagem da SIC tinha ido buscar 30 segundos do seu discurso de meia-hora em que ele dizia que, em geral, o silêncio não é boa maneira de fazer oposição, embora tivesse falado de muitas outras coisas. Hoje, provavelmente por Ângelo Correia não ter dito o que ele queria ouvir, Mário Crespo foi buscar outro apoiante de Passos Coelho, Pedro Marques Lopes, que, infelizmente, não pude ver. A não ser uma das últimas frases da análise sobre Manuela Ferreira Leite, que, cito de memória, era algo como “já se sabe que coerência e credibilidade não ganham eleições”. Tenho a certeza que os militantes do PSD (que ele não é) vão meditar profundamente sobre o assunto.


É claro que Manuela Ferreira Leite fez muito bem em não ir ao Pontal, a uma festa organizada por Mendes Bota, um opositor declarado e inconformado com o resultado das eleições internas do PSD. Basta dizer que Ângelo Correia discursou num palanque que tinha escrita uma frase que apelava à criação da região do Algarve, que muitos presidentes de câmara algarvios do PSD (com a notória excepção de Macário Correia, por uma questão de fair play) nem sequer lá foram, quanto mais “notáveis” nacionais, que mesmo os militantes de base ouvidos pelos jornalistas estavam divididos entre aqueles que achavam que a líder do partido devia lá ter ido e os que achavam que isso não tinha importância.


É claro que Manuela Ferreira Leite vai falar, mas quando o fizer vai dizer coisas que valham a pena ser ouvidas. Aliás, basta notar que ela fez dois ou três discursos e deu outras tantas entrevistas desde que foi eleita e foi o suficiente para marcar a agenda política e pôr os socialistas e os seus amigos mais preocupados do que com qualquer líder anterior do PSD nesta legislatura. Nessa altura, tenho a certeza, essas mesmas pessoas dirão que ela está a falar demais.


 

5 comentários:

  1. Tenho dificuldade em perceber porque razão é que Manuela F. Leite tem que "falar". Mas "falar" sobre o quê? O problema de Louçã, Jerónimo, Paulo Portas, Menezes, Mendes etc...é que falam ou falavam demais. Quando os vemos na televisão (todos os dias), normalmente pensamos: "Epá lá está aquele outra vez." Ou "Já não posso ouvir este homem", ou mesmo "este passa a vida na televisão". Quantas vezes algum de nós não disse isto de um político ou mesmo de outra pessoa qualquer (tipo Mário Nogueira)?
    Com M. F. Leite, mesmo que não se goste dela, quando ela aparece as pessoas ouvem-na.
    Simples.

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  2. Mas interessa a alguém a vida interna do PSD?

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  3. Não viu PMLopes, mas eu resumo a sua prestação. Uma lástima, mas coerente com a lástima das suas intervenções no RCP. Por motivos diferentes, deveria fazer como Manuela Ferreira Leite: não falar. É que, enquanto esta não fala, por considerar inoportuno, embora tenha coisas importantes para dizer, ele - PMLopes - parece falar por oportunismo e ter, apenas, para dizer algumas barbaridades e de que é exemplo recente a frase que cita no seu post. Pobre país! Não chega a falta de qualidade dos políticos. Junta-se a esta, a falta de qualidade dos comentadores.

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  4. Tenho alguma dificuldade em compreender que, enquanto Sócrates, que é PM há 3 anos e meio, já regressou de férias, a dona Manuela, que é líder do PSD há 3 meses, esteja tão cansadinha que ainda continue (e ao que parece por mais um mês) de vacanças.

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