Independentemente da lei que o reja, tendo em conta a vulgarização do divórcio e a generalizada ineficácia dos tribunais, em especial os de família, pergunto-me quais as consequências disto tudo, principalmente nas crianças. Por mim, fico apreensivo com o estabelecimento progressivo duma pretensa moral darwinista e com a divinização de uma irreprimível liberdade individual. Quanta dor, quanta solidão e desespero pairarão, envergonhados e oprimidos, nesta selva de instintos, ilusões e quimeras. Não estamos nós cegamente a destruir, numa geração, uma fórmula de estruturação social que levou séculos a desenvolver-se? O homem evoluiu assim tanto?
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Fujam... o João Távora vislumbrou o apocalipse
ResponderEliminarNão, João Távora:
ResponderEliminarFamílias mal estruturadas e mesmo completamente desestruturadas, sempre houve e em número muito superior ao que normalmente se julga. Acontece é que ficavam camufladas pela vergonha social que normalmente jogava a benefício do mais culpado. Pessoas que casavam com base em negócios feitos pelos pais, sem que o amor, completo, tenha tido nisso qualquer papel, o que dava lugar a famílias de faz de conta, que se arrastavam no tempo para salvar as aparências. A única coisa que mudou diferente, foi a libertação de ancestrais cangas, injustas e ignóbeis.
O resto deriva d' essas situações serem hoje amplamente noticiadas.
Hoje as famílias têm uma vida mais efémera, porém mais verdadeira, enquanto duram.
Escrito isto, digo-lhe que farei, para o mês que vem, 40 anos de casado. Portanto não me estou a justificar.
ResponderEliminarErrata:
Desculpem, mas onde está «mudou diferente» deve ler-se, simplesmente, «mudou».
Há verdade na sua análise que quanto a mim peca por superficial, caro Manuel. De resto eu não escrevi que era contra o divórcio - se fosse, não tinha formado a família a que pertenço, da qual me orgulho muito.
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