quarta-feira, 16 de julho de 2008

Banal Obama

Um dos grandes mistérios do nosso tempo é o êxito que Barack Obama alcança entre pessoas de esquerda, mas também de direita, dizendo as maiores vacuidades. Mesmo entre os cínicos mais empedernidos, há quem se comova com a sua “mudança”. Na sua última edição, a Sábado reproduz uma entrevista que ele deu à Rolling Stone. Transcrevo, integralmente, três perguntas e respectivas respostas. As outras nem sequer valem a pena.


Sobre a famosa “mudança”, a banalidade chega a doer. Ora vejam:

 

Mudança é a pal avra-chave da campanha e define a sua estratégia. Pode descrever o que é a mudança? Como é que ela é? Não em termos políticos mas que mudança quer que faça a América no seu todo.

Quero que as pessoas se voltem a sentir ligadas ao governo, e quero que a administração responda às vozes das pessoas, e não apenas a quem está dentro do sistema e a determinados interesses. Esta é a mudança real. Quero que pensemos a longo prazo e não apenas a curto prazo, quer se trate das alterações climáticas, política energética, como educar os nossos filhos, que tipo de investimentos estamos a fazer nas nossas infra-estruturas, como estamos a usar o Orçamento Federal e a Dívida Pública. Quero que pensemos de forma intergeracional, algo que se fazia mais e se deixou de fazer.

 

Quem ainda tem ilusões sobre causas “fracturantes”, aprenda com estas palavras:

 

Em Dreams From My Father, narra a intolerância que os seus pais sofreram com o casamento interracial – que então era ilegal. Qual a diferença entre isso e a proibição do casamento homossexual?

Bem, sou sempre cuidadoso em não estabelecer equivalências entre as comunidades, porque assim começa-se a fazer uma competição da vitimização ou de quem tem sido mais discriminado. O que eu digo é que acredito vivamente nas uniões civis entre pessoas que terão todos os direitos federais, de acordo com a lei federal, que o contrato do casamento confere. Acredito que o país ainda está a trabalhar o conceito dos casamentos do mesmo sexo e o choque, histórico, com as crenças religiosas. Penso que já foi atingido um consenso no que toca às visitas nos hospitais, na possibilidade de acesso a benefícios como os da Segurança Social, que as pessoas não devem ser discriminadas, que todos devem ser tratados de igual forma. Penso que isto é um ponto de partida – este consenso irá aumentando com o tempo. 

 

Nesta última pergunta, o disparate sobre a retirada rápida do Iraque (onde, há cerca de um ano, os “sábios” declaravam haver uma “guerra civil”, lembram-se?) continua a ser o único traço distintivo. O sistema de saúde foi também uma bandeira de Hillary Clinton e até Bush tem apostado na independência em relação ao petróleo. E o aquecimento global é hoje uma bandeira de todos os candidatos. Aqui fica:

 

Tem algum objectivo para o fim do primeiro mandato em que diga “se isto acontecer, ou não, será uma marca ne gativa da minha administração”?

Se não tiver retirado as tropas do Iraque, aprovado um sistema universal de saúde e criado uma nova política energética que reflicta a nossa independência do petróleo estrangeiro e um sério compromisso com o compromisso com o aquecimento global, então teremos perdido o barco. Estas são três grandes questões que requerem muita atenção e imaginação e será necessário que o povo americano esteja suficientemente inspirado para estar preparado para estes grandes desafios.

 

Ah, é verdade! Ele é negro! Só que votar de acordo com a cor da pele do candidato é uma manifestação de racismo.

3 comentários:

  1. Épá, até o Santana Lopes e o Menezes são muito melhores que o Obama, isto para não falar na avó Manuela.

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  2. Independentemente das ideias concretas de Obama em relação aos mais diversos problemas que terá que enfrentar caso seja eleito, ele parece ter aprendido alguma coisa com os resultados das eleições americanas desde, pelo menos, Ronald Reagan.
    Não são as ideias que são eleitas mas sim a personalidade.

    "Forma mas não conteúdo, dirá". Mas forma também é conteúdo. As pessoas votarão na forma como ele se relacionará com o público americano, a forma como ele lidará com crises, com a verdade etc etc. Há uma boa dose de racionalidade em avaliar as coisa por este prisma. Podem estar a ser enganadas? Podem.
    Mas suspeito que serão menos do que com o ultimo que para lá foi.

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  3. Não me parece mais vazio do que a sua crítica.

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