sábado, 12 de abril de 2008

Cortinas de fumo


Um amigo meu há uns dias na caturrice gabava-se da sua veia esquerdista ao defender a liberalização das drogas “leves”. Perguntei-lhe se tinha consciência dos efeitos dessas substâncias nos miúdos, como a perda de concentração, auto-segregação e declínio no rendimento escolar. Finalmente indaguei se tinha adolescentes em casa. Confirmou-me que não.

Com quarenta anos de propaganda mais ou menos explícita na industria do espectáculo direccionada aos adolescentes, as drogas, mais ou menos pesadas, continuam a fazer vítimas e danos na nossa sociedade, já de si em rápida mutação e crise de valores. Impotentes perante o flagelo, as sociedades liberais ensaiam soluções, incluindo a liberalização. Não sou crente em teorias da conspiração, mas a quem interessa este estado de coisas? À colossal indústria de estéreis terapêuticas da toxicodependência, e às grandes farmacêuticas e seus incipientes paliativos?

Reconhecendo a complexidade do problema, a questão da proibição ou liberalização das drogas leves ou pesadas, mais do que a sua real eficácia legal, é para mim uma questão de ética. O sinal emanado pela lei não me parece uma questão menor: nalguns dos princípios promovidos na ordem doméstica, eu prefiro ser apoiado pela legislação do meu país.

De resto, se para algumas favorecidas luminárias da nossa praça o consumo de droga significa apenas uma caprichosa  diversão de circunstância, tal não altera o seu cariz desestruturante e funesto para a generalidade dos indivíduos.


8 comentários:

  1. Pois , mas os que não se desestruturam com canabis não temos que gramar com a possivel desestruturação dos outros , pois não?
    Acontece , que sendo o tema da cannabis tabu , jamais iremos ter uma cultura de consumo dessa droguinha - é uma droguinha comparada com valium ou serenais , ou até álcool-e somos impedidos de explicar e ensinar que não se conduz , não se trabalha e não se vai a aulas fumado , tal e qual como não se vai com os copos . Mas claro , álcool e medicamentos pagam imposto , e uma plantinha caseira não. E é aí que reside todo o problema , satisfação quasi gratuita do cidadão.

    ResponderEliminar
  2. Ver televisão e ler o jornal é muito pior que fumar uns produtos naturais. As proibições não contribuem para a diminuição do consumo, mas apenas para o enriquecimento de alguns. O tabaco também é uma droga... o Eça escreveu um bom artigo sobre esse vício e no entanto é legal. O Estado diz que mata, mas cobra um bom imposto sobre o seu consumo. As drogas são como os subsídios e as obras públicas... destroem a economia, mas alguns fartam-se de gozar com elas. Vai um charrito? Ó pá não... eu vou fazer um tgv, que a economia francesa precisa de um bom empurrão!

    ResponderEliminar
  3. Não encorajo os meus filhos de fumar, nem tabaco, nem canabis. Também não os encorajo de beber alcool. Mas conheço inúmeras pessoas, de 20, 30, 40, 50 anos, que regularmente fumam charros e levam vidas normais e responsáveis. Como conheço pessoas que bebem o seu copo de vinho diário...
    Questão ética? De onde vem isto? Está nos dez mandamento que não se deve fumar?

    Ético é ser responsável, e responsável é olhar de frente as consequências. E as consequências de meter canabis e cocaina, heroina, extasy no mesmo saco, mas deixar o alcool e todos os medicamentos valium, xanax, prozac etc. fora, são desastrosas.



    A criminalização das drogas leves

    ResponderEliminar
  4. As drogas leves são prejudiciais? São sim senhor, e o álcool não o é? E nem por isso deixa de ser vendido tal e qual como o tabaco. A questão é que as drogas leves são sem sombra de dúvida as mais consumidas pelos adolescentes e adultos, sim porque até aos 50 anos ainda há muita boa gente que a consome. Ou seja o mercado é bem grande. A economia paralela que daí provém dá muito dinheiro também a muito boa gente. Será que quem não quer a legalização serão os beneficiados pelo actual estado de coisas? Não sei porquê mas isto também me faz lembrar o IVG, é que alguns dos "cidadãos pela vida" ou faziam-nos em Espanha ou lucravam e bem com o aborto ilegal. O conservadorismo neste país contínua bem vivo, afinal entrámos na UE para quê? Não foi também para aprender com os nossos parceiros em diversas matérias. Aprendam com a Holanda nesta e noutras matérias.

    ResponderEliminar
  5. Beba menos, se e só se for o caso, e fume um charro que isso passa-lhe

    ResponderEliminar
  6. Antes de falar das ilegalidades, deveria reflectir sobre as legalidades, muito resumidamente, antes de falar das drogas leves porque não aponta a sua atenção para o alcool? É, só e apenas, a maior causa de morte nas estradas portuguesas. As drogas leves? Nunca ouvi falar.

    ResponderEliminar
  7. 1 - Quanto á comparação do álcool: Reconheço o problema, e defendo que o consumo do mesmo deveria ser totalmente restringido a maiores de 18 anos. De resto está provado a superior toxicomanogenia das drogas ilícitas, em relação ao álcool.

    2 – Sou visceralmente contra a vulgarização de determinados fármacos de duvidosa eficácia. Conheço os danos causados por tratamentos medico-psiquiátricos irresponsáveis.

    3 – Finalmente, subscrevo a posição sobre o assunto do CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA, aqui: http://www.cnecv.gov.pt/NR/rdonlyres/AD126346-32F2-443C-B994-2670DCD16B1A/0/P017_Droga.pdf

    ResponderEliminar
  8. Liberalizar ou Não liberalizar as drogas leves?

    No meu entender e no entender de muitos Portugueses achamos que tudo é uma verdadeira hipocrisia. Todos sabemos que existe drogas nas prisões, pois fala-se em redução e minimização de riscos, mas essas drogas são ilegais (cocaína e heroína)

    Bem tudo isto é muito ESTRANHO.

    Porquê?

    Muitas pessoas conseguem determinados estatutos a custa destas questões, mas o estranho é que não se resolve nada, pois ninguém politicamente tem coragem para assumir uma verdadeira posição sobre este assunto. Isto é para todos os políticos sem excepção.

    Em Portugal temos o IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência), que no campo da prevenção se limita a agradar algumas pessoas e enpalhaçar nas poucas coisas que faz. Mas frutos, resultados, nem por telescópio.

    Drogas são substâncias que actuam no Sistema Nervoso Central levando a que o consumidor possa fazer consumos duros ou leves.
    Assim,... pode ser mais perigoso o álcool (consequência: cirrose hepática) ou tabaco (consequência: cancro do pulmão) do que o consumo pontual de erva ou haxixe.

    Mas porque isso acontece? Porque esta legislação punitiva para algumas drogas?
    -Interesses económicos (talvez)
    -Para dar trabalho a parasitas (talvez)
    -Para criar mais cargos políticos (talvez)
    -Bem tanta coisa se podia dizer,...

    O que propunha,...
    UMA POSIÇÂO FIRME E FUNDAMENTADA

    Eu não sou consumidor, mas se fosse não entenderia porque um toxicodependente pode consumir na prisão e alguém que seja um trabalhador honesto não possa consumir uns charros de vez em quando,...

    MARQUEM POSIÇÃO PARA SEREM ESCLARECIDOS POR QUEM TEM ESSA RESPONSABILIDADE.

    Evite: a palhaçada

    PS: Obrigado pela oportunidade de participar neste tema, os fóruns permitem a possibilidade de sermos mais honestos nas nossas ideologias.

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...