segunda-feira, 10 de março de 2008

Bom debate

Na RTP 1, discute-se. com bom nível de ambas as partes até este intervalo, monarquia e república em Portugal. Pelos vistos, a questão está viva e interessa a muita gente, ao contrário do que muitos "sabichões" asseguram, do alto da sua ignorância.

30 comentários:

  1. Do lado dos monárquicos e do lado dos republicanos, até este intervalo, discute-se quem estará «melhor preparado»: um Rei ou um Presidente.

    É isto que, até este intervalo, verdadeiramente os une: os tratos de polé a esta língua que já foi portuguesa e que acaba de consagrar-se como acordo-ortografiquês.

    Em qualquer dos casos, parece que convém lembrar a monárquicos e republicanos (e à Fátima Campos Ferreira também) a diferença entre 'bem' e 'bom' e, consequentemente, entre 'mais bem' e 'melhor'.

    Pode ser que um Rei e um Presidente estejam muito bem preparados. Pode até ser que um esteja mais bem preparado do que outro. Mas defender que um deles está tão 'bom' preparado que acaba por considerar-se «melhor preparado» que o outro... não estou a ver muito bem!

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  2. Um debate que há muito tempo se justifica: acabar com o tabu que se criou-saber que a liberdade e a democracia não estão em causa.
    Uma tentativa, elevada, de mostrar o que está em causa: a unidade, que , como alguém disse, e eu assim penso, dificilmente é assegurada por uma pessoa tão ligada aos partidos...

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  3. Falando de Português, pior ainda foi a afirmação inicial de Paulo Teixeira Pinto, sobre a "aderência" à Causa Monárquica...
    Fora esta adesão aos pontapés na gramática, o debate foi interessante e civilizado, de facto.

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  4. Como não comecei a ver logo do início, essa escapou-me. Mas é uma verdadeira 'pérola'. Vinda de quem vem, estou a imaginar o ruído gelado na sala. Ou talvez não...

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  5. Pois é. O dinheiro compra muita coisa, mas não compra tudo. Não compra, por exemplo, a Língua Portuguesa.

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  6. Interessa à brava. Mais, só a saída do Camacho.

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  7. A discussão foi um sucessão de tolices além de que requentada e cheia de imprecisões erros e esquecimentos.

    Fazia tanta falta quanto um pente a um careca.

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  8. Um debate bom mesmo era discutir monarquia absoluta ou constitucional. Isso, sim.

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  9. Interessante debate, mas se excluirmos Medeiros Ferreira, o campo dito "republicano", isto é, da Situação, era muito fraquinho. retive as últimas palavras do Sumo Sacerdote do regime, o sr. António Reis: NADA de referendos! Isto é que é democracia!

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  10. Há uma coisa de que tenho muita pena: um debate destes, importante, queiram ou não, dar a uma hora em que o trabalhador, que tem de se levantar muito cedo, para começar a trabalhar às 8h, não tenha acesso a este "desfazer de preconceitos", que desde sempre lhe foram incutidos: afinal, continua a interessar manter-se as pessoas na ignorância...

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  11. Não interessa nada a muita gente, Duarte Calvão. Você quer que eu organize já um debate com montes de malta excitada sobre a pesca ilegal do ruivaco na barragem da Aguieira? Vai parecer que o mundo roda à volta do peixito... ;) Não se iluda, homem.

    Trago

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  12. peço desculpa, mas este programa acaba sempre a horas tardias, não foi só este importantíssimo debate, aliás diria mesmo importantérrimo.

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  13. Pois é, coitado do Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, hoje levantou-se às 8 horas cheio de sono por ter estado a assistir àquilo até às quinhentas...

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  14. Refiro-me concretamente a este debate, porque é dele que se fala no post, mas o mesmo serve, exactamente na mesma medida, para todos os outros que interessam aos portugueses: é assim que funciona a televisão pública...

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  15. Debate muito interessante, sim senhor!
    Para a próxima semana sugira-se à Fátima Campos um debate sobre se Portugal estará bem na lado Oeste da Peninsula Ibérica ou se ficaria melhor a Este banhado pelo Mediterrâneo.

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  16. Eu conheço pelo menos 20 milhões de portugueses interessadíssimos na questão.

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  17. Ah, ah, ah, excelente ideia!

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  18. Se eu fosse jornalista, acharia talvez que, mais objectivo que a minha opinião sobre o interesse do tema, seria a comparação das audiências do programa com as de outros «Prós e Contras».

    Mas isso era se eu fosse jornalista.

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  19. Caro Duarte,
    uma pergunta para si... É a favor de, no Estado e no privado, as promoções serem por cunhas e não pelo mérito?
    Depois de me responder a esta pergunta, faço o comentário sobre a monarquia...
    Cumprimentos.

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  20. Fonte: Ciberdúvidas11 de março de 2008 às 15:20

    Não é muito fácil dar uma resposta definitiva, porque, neste ponto, a língua está em evolução. Melhor é comparativo de bom; mais bem é comparativo de bem. O lógico, portanto, será dizermos "mais bem preparado", comparativo de "bem preparado". Vemos, porém, que Camões escreveu: «O ponto (…) melhor tornado no terreno alheio (…)» (Os Lus., IX, 58).
    Camilo em "O Santo da Montanha", escreveu: «(…) aceitou um almoço melhor adubado que o da ceia (…)». E assim outros grandes escritores.
    Mas vejamos o seguinte: em bem preparado, bem tornado, bem adubado, o advérbio bem faz "corpo" com o particípio passado que se lhe segue. E há casos em que esse "fazer corpo" é tão nítido que se unem graficamente as duas palavras, o advérbio bem e o particípio passado, com o hífen (ou traço de união), como por exemplo em bem-falado, bem-feito, bem-parecido, etc. Note-se que cada uma destas palavras funciona como um qualquer adjectivo, como por exemplo: feio, bonito, belo, comprido, etc. E tal como dizemos mais feio/bonito/belo/comprido, diremos também mais bem preparado, mais bem-fadado, mais bem-feito, mais bem-parecido. O que vem a seguir a mais apresenta-se-nos como um todo significativo, e não como duas palavras diferentes. Eis a razão por que nos soa mais agradavelmente mais bem preparado (advérbio mais+adjectivo) tal como em mais feio (advérbio+adjectivo).

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  21. Muito bem. Isto foi melhor do que eu esperava. De facto, há muitos republicanos que andam nervosos. O Medeiros Ferreira, um republicano civilizado e atento, bem que disse no debate que notava um "recrudescimento" do ideal monárquico, sobretudo entre os mais novos. É natural, são as ultrapassadas ideias republicanas do século XX que vão ficando para trás.

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  22. Já pensaram os republicanos para que é que serve o presidente da república?
    E os monárquicos já pensaram para que serve um rei?
    Um estado pode funcionar bem sem nenhum deles, sem 90% das sanguessugas que os rodeiam e já agora sem 98% dos secretários de estado e respectivas entourages.

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  23. Vejo que o Duarte Calvão não respondeu ao meu repto...
    Por isso aqui fica o meu comentário:

    Sou republicano e não ando nervoso.
    Até pelo contrário, pois a ideia de que alguém deve exercer um alto cargo do Estado não por mérito ou por eleição, mas porque tem o mesmo sangue do seu antecessor, mesmo sendo incompetente para o cargo, já lá vai. Os tempos em que existiam distinção de classes fazem parte do Passado.
    Não existem portugueses de primeira, de segunda e de terceira, porque na monarquia o princípio é que apenas os de "sangue azul" fazem parte da "boa casta" e é boa gente.
    Por isso lhe perguntei, caro Duarte, se era a favor da cunha, porque em monarquia os familiares é que têm cunha para assumir o cargo...
    Desta forma, não vale a pena partir para um debate sobre a possibilidade da monarquia ser alternativa à república sem avaliar estes aspectos primeiro. São uma questão prévia, necessária para analisar a questão de fundo.

    Cumprimentos.

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  24. Caro Ricardo S,

    A sua pergunta é de resposta tão óbvia que julguei que era puramente retórica. Acha realmente que só quem tem "sangue azul" é que tem acesso aos altos cargos das monarquias? Recomendo-lhe, com urgência, que vá examinar as famílias de Gordon Brown, Blair, Major e Thatcher na Grã-Bretanha e as de Zapatero, Aznar e Gonzalez em Espanha, só para ficarmos pelos mais mediáticos. Nas monarquias constitucionais, o poder executivo, que é aquele que realmente é "poder", está há muito nas mãos de gente de todas as origens. Se não quiser sair de Portugal, vá ver como, mesmo durante a "tirania" em que viviamos antes de 1910, a maior parte dos governantes não tinha gota de sangue azul.

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  25. Pois claro, o próprio rei e a sua real família não têm sangue azul. Aliás, ninguém na realidade tem.

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  26. "Muito bem. Isto foi melhor do que eu esperava. De facto, há muitos republicanos que andam nervosos."

    Duarte Calvão, você acredita sinceramente que alguém em Portugal ande nervoso por causa desse assunto? Acredita mesmo nisso? Diga lá... é que se acredita que alguém anda nervoso com medo de que a manarquia se instale em Portugal, é porque não conhece mesmo o país que tem e as reais preocupações dos portugueses, sejam eles quem forem.

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  27. Pois é, António, se os portugueses não andam preocupados com a forma como é governado o país e com o tipo de regime que temos, deveriam. Acabo de ouvir na telefonia um estudo a dizer que a região portuguesa com melhor nível de vida, Lisboa e Vale do Tejo, equivale á última espanhola, a Galiza. Se for fazer comparações históricas, verá o que representou para Portugal e o seu desenvolvimento a ruptura republicana e os cem anos que se seguiram. Em 1910, comparados com outros países europeus, estávamos bem melhor.

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  28. Caro Duarte,
    a pergunta não era retórica. E continuou a não responder...
    Eu não falava do poder executivo, mas do poder do Rei, que equivale, com as necessárias adaptações, ao do Presidente.
    Em Espanha e no Reino Unido (casos que referiu) e noutras monarquias europeias, os reis (e rainhas) têm mais ou menos os mesmos poderes que tem o nosso PR. A diferença é que não são eleitos e estão lá pela linhagem, pelo sangue.
    E agora outra pergunta: se ter Presidente ou Rei vai dar ao mesmo, já que os poderes seriam sensivalmente os mesmos, porque prefere então um Rei?
    Porque acha que o cargo deve ser exercido por quem tem o mesmo sangue do antecessor em vez de alguém que seja eleito e escolhido pelo povo pelo seu mérito e qualidades?
    Ou acha que o povo é burro e não deveria votar?...
    Cumprimentos.

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  29. Tudo bem, Duarte Calvão. Que você ache que deviamos ficar preocupados com coisas que você acha que deviamos ficar preocupados, é muito natural. Mas que você ache que de facto muitos portugueses (ou um ou dois) andam preocupados ("nervosos" ;) com o facto de podermos ter uma monarquia, é que não lembra ao diabo... ;). Não, a malta, concorde ou não com ela, anda preocupada com outras coisas. Mas a malta, acredite, tem muito carinho por principes e princesas e reis e palácios, pronto.

    E já sei que em 1910 eramos um dos paises mais prósperos da Europa. Quem nos visitava ficava espantado com tanto progresso.
    E também já sei que se a república não tivesse sido implantada, eramos um país próspero. Até era capaz de cá nevar e tinhamos em média mais dez centímetros de altura. Também já conheço essa divertida e fértil modalidade da historiografia que é o "se tivesse sido assim..."

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  30. Aderência :

    acto de aderir;

    qualidade do que é aderente;

    fig.,
    adesão;

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