sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

"Spam" telefónico

Foi há alguns anos que me inscrevi no Círculo de Leitores com o intuito de subscrever a magnifica colecção Reis de Portugal cujo último volume, D. Manuel II, orgulhosamente atafulhei na estante faz agora um ano. Não fora alguns contactos de marketing directo para o meu telemóvel, a minha relação com a editora já tinha cessado há muito. Acontece que respeito o trabalho de toda a gente e, por deformação profissional, devo alguma tolerância extra aos vendedores, mesmo provenientes dalgum exasperante call center.
O episódio surrealista que a seguir relato ensina o que não deve ser uma operação de marketing (pouco) “relacional”, ou o que é uma estratégia de vendas suicida:
Recentemente, num final do dia, quando eu ia a caminho de casa, uma senhora do telemarketing do Círculo de Leitores apanhou-me pelo cansaço. De seguida e sem piedade disparou o seu inquérito numa irritante voz anasalada: “O Sr. João (!) está contente com o serviço do Círculo de Leitores?” “O Sr. João recebeu a última revista do Círculo de Leitores?” “Olhe, estamos a fazer uma promoção especial para a Colecção Reis de Portugal, conhece?”
Com caridade cristã esclareci a senhora que o Sr. João era um feliz possuidor da dita colecção, que se sentia bem servido com a que lhe coubera em sorte... e com a licença dela desliguei a chamada educadamente.
Quinze dias depois recebi nova investida telefónica da mesma editora: “O Sr. João (!!!) pode falar agora?” “Está contente com o serviço?” “E, a propósito, sabe que a Colecção Reis de Portugal está agora com 50% de desconto?”
... Atingido de morte, ainda tive coragem de esclarecer a Senhora que afinal eu era com um daqueles trouxas que a seu tempo comprara a dita colecção pelo dobro do preço!

10 comentários:

  1. Booktailors - Consultores Editoriais18 de janeiro de 2008 às 19:04

    Pelo post, presumo que nem a nova revista do Círculo de Leitores o tenha feito mudar de opinião.

    cumprimentos
    paulo ferreira

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  2. Meu caro, vai ficar livre de dar pelo logro se fizer como eu. É fácil: não raro, depois de me identificarem pelo nome completo, passam ao tratamento pelo primeiro nome próprio sem qualquer cerimónia.

    Quando assim é, não me ensaio para lhes desligar imediatamente o telefone na cara a meio da pergunta seguinte. Vantagem: não chego a saber em que é que me enganaram...

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  3. Caro Paulo: não encontro lá nada de interessante. E depois, gosto de ir às Livrarias.

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  4. O João Távora está cheio de razão. A venda por catálogo pode ser muito cómoda, mas livros... só numa casa de livros. E se for numa casa de alfarrábios, melhor ainda.

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  5. João, comecei a fazer a colecção muito depois- só quando o João e o Miguel Castelo Branco falaram muito bem do «D.Carlos» -, pelo que ainda me faltam vários; será que me vão fazer esse desconto? Ainda bem que fiquei a saber...

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  6. Caro João Távora,
    Também sou sócio do Circulo de leitores e ainda não fui submetido a este inquérito.
    No entanto o que me chamou mais a atenção no seu post é o novo tique dos call-centers e não só do :
    - Sr. João (!!!) nos seu caso;
    - no meu é o Sr. António (!!)
    Com tantos escribas de qualidade aí no Corta-Fitas aqui está um bom tema para blogar é qu eu ainda não tive a inspiração.

    Bom fim de semana

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  7. O JC tem razão. Poucos anos depois do lançamento iremos inevitavelmente encontrar no alfarrabista o bom livro ou colecção em perfeito estado.

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  8. Há uma livraria na Av. do Uruguai, a LIVRARTE, que só vende livros usados.
    Tem exposto um retrato de D. Manuel II, que, de certa maneira, é o patrono.
    Tem a vantagem de estar longe dos sítios habituais e o atendimento é muito cordial.

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  9. Caro António P
    Afinal, como é que gostaria de ser tratado?
    É o título (Dr., Engº, Arqº) que lhe faz falta? Nao gosta da expressão "Senhor"? Ou gostava que ao "Senhor António" acrescentassem o apelido?

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  10. Como é obvio, é má criação (desconsideração) não se tratar as pessoas pelo seu apelido. Dr. Mário, Sr. Anibal, Eng. José ou Sr. João.

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