sábado, 8 de dezembro de 2007

Uma feira de horrores

Não consigo passar ao lado. A minha terra encheu-se de sanguinários canalhas a deambular na inútil feira de vaidades patrocinada pela Europa dita “civilizada”. Uma feira de horrores, uma exibição despudorada das mais medonhas degenerações humanas. Um sucesso mediático aqui no burgo: em directo, debaixo das objectivas e dos holofotes, cada trupe luta por um minuto de fama para o seu impune líder, uma gloriosa menção nas noticias, estéril bramido para a História indiferente.
E porquê não os prendem? - pergunta-me ingénua a minha enteada.
Depois, de estômago revirado, verificarmos impotentes a África real, com cheiro a terra seca e sangue, muito sangue. Um continente em lancinante sofrimento, pleno de arbitrariedade e dor. Não são efeitos digitais que deformam aquelas mulheres que se alimentam de detritos na lixeira. É só assim que alimentarão um pequenito esqueleto de olhos vidrados que levam às costas. Não são figuras da playstation, aquelas crianças esbugalhadas arrastando uma metralhadora para parte nenhuma. E o bebé, da idade do meu, no meio do deserto a comer ervas secas também não é ficção, é demasiado real.
Vergonhosamente mais de dois mil anos passados sobre o nascimento de Cristo, todos somos cúmplices desta mal contada história diabólica. Permanecemos uns bárbaros. E isso incomoda-me muitíssimo.

Na imagem: criança ugandesa.

12 comentários:

  1. É isso mesmo: permanecemos uns bárbaros, e não sei se isso terá um dia cura...

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  2. Justíssima, a sua indignação.

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  3. E pior que tudo: patrocinado por alguém que... só tem pena de não ser como eles!!!

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  4. Não direi que a indignação do Senhor Távora não é justíssima; parece-me. todavia, que o texto não mantém a coerência do princípio ao fim.
    Afinal de contas quem são os canalhas?
    O Senhor Távora não pode ignorar, e não pode ignorar porque não pode, que a Europa nem sempre foi o que é hoje. A Europa também fez um caminho com muitos canalhas e muito sofrimento.
    Partir do estádio a que nós chegámos e criticarmos e apodarmos os outros de canalhas não é, seguramente, uma atitude honesta.
    Bom seria que todos fizéssemos o acto de contrição, até porque hoje é domingo, e decidíssemos ser melhores no futuro.
    Palavra de Manuel da Mata.

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  5. Precisamente Sr. Manuel da Mata, não vejo que nós europeus sejamos assim tão superiores. Quando oportunistamente pactuamos, originámos e convivemos com estas realidades. Quanto muito, os nossos "canalhas" são mais sofisticados.

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  6. Temos milhões de anos como espécie e não mais do que uns parcos séculos daquilo a chamamos civilização. Somos uns bárbaros por dentro, sim. A capa de verniz é fragilíssima, estala à mais pequena reminiscência das cavernas. O espírito do "salve-se quem puder" ainda impera na humanidade, e temo que continue a ser assim por muito mais tempo.

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  7. Que giro, concordo com a sua indignação, que não é só dirigida para um dos lados, não esquece o outro e a cumplicidade, mas espanto-me com um comentário à sua prosa ...

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  8. Senhor João Távora,

    Agradeço o comentário ao meu comentário. Hoje, neste caso concreto, estou totalmente de acordo com o Senhor.

    Assim, civilizadamente, poderemos sempre discutir. E vertendo prosa sobre os temas em discussão, que isto, às vezes, parece o reino do "non sense".

    Respeitosos cumprimentos.

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  9. Alice Espanto Maravilha9 de dezembro de 2007 às 00:15

    Já tive uma namorada Barbara e também já tive uma outra Bávara. As Bávaras são as minhas favoritas, principalmente com motor boxer!
    Estou a pensar pôr-me numa e ir África abaixo...
    Encontramo-nos, eu e vossas excèlencia algures a meio do mapa cor da rosa.

    Quando chegarem vão espremendo uma laranja ou duas ou um portugal ou dois, o que preferirem!

    Porreiro, pá!

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  10. A Perversidade do dinheiro tem um poder demoníaco.O vazio interior continua a ser preenchido pelo poder
    financeiro,... e aí há muitos "irmãos"!!!

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  11. Esta Alice Espanto Maravilha ainda se faz!

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  12. Caro Senhor Távora,

    Faltam pelo menos dois ditadores de PALOPS que também viaram a Lisboa, a citar:

    - Nino Vieira (Guiné-Bissau)
    - José Eduardo dos Santos (Angola)

    Cumprimentos,

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