Fui conhecer a nova livraria Byblos, nas Amoreiras, e gostei bastante. A ponto de provavelmente passar a ser a minha primeira escolha, já que a actual, a FNAC, à qual estou eternamente agradecido pelo papel que teve na revitalização do Chiado, traz-me problemas inultrapassáveis: ao fim de dez minutos naquela cave abafada sinto vontade de fugir dali para fora.Não sei se já existem noutras livrarias portuguesas, mas na Byblos vi que havia uma secção dedicada à "Literatura Gay". Como estava com um pouco de pressa, não me demorei, mas, entre uma série de nomes de que nunca tinha ouvido falar, lá estavam também livros de Oscar Wilde.
Ora, pergunto-me se faz algum sentido falar de "literatura gay", discriminá-la numas prateleiras e pôr lá autores como Wilde. Nunca li os livros dele numa perspectiva homo ou hetero, nem os de Gide, Yourcenar, Lorca, Forster, os clássicos gregos, Paul Bowles, Allen Ginsberg, David Leavitt, o brasileiro Bernardo Carvalho (que aproveito para recomendar como um dos melhores autores de língua portuguesa da actualidade) e sei lá mais quantos escritores que abordaram a "temática" e de que agora não me lembro.
Se a justificação para esta secção da livraria é os livros descreverem "cenas fortes", ponham-nos então numa secção de "Literatura Erótica", onde estejam hetero, homo, bissexuais e tudo o mais que houver.
Já comentei este assunto com amigos, mas quase todos que a defenderam deram-me a pior das respostas, a de que "lá fora" já são comuns...
Em que «parteleira» estão arrumados os livros de José Castelo Branco?
ResponderEliminarPode ser que um dia haja um gueto que reúna todas as livrarias estúpidas.
ResponderEliminarCá para mim, literatura gay não é definitivamente literatura erótica.
ResponderEliminarEstá-se mesmo a ver que o Duarte não leu este post (e, já agora, todo o Blog) do Eduardo Pitta. Olhe que ganharia bastante em fazê-lo.
ResponderEliminarhttp://daliteratura.blogspot.com/2007/08/soma-no-subtrai.html#links
O politicamente correcto ajuda e fomenta o surgimento de guetos. A rotulação é mais um forma de controlo da sociedade... Já agora o Tournier, estava lá? O que conta é para mim desde já motivo para não por os pés nessa casa ali às Amoreiras
ResponderEliminarOu os livros tratam especificamente do tema, ou não tratam. Se tratam, vou pensar no caso. Se não tratam (se apenas descrevem 'cenas fortes', como diz o Duarte Calvão, ou se é pela opção sexual dos autores, ou se é apenas porque sim), é um coisa idiota.
ResponderEliminarE o Daniel Oiveira? O que é que o Daniel Oliveira diz disto?
a literatura é universal. uma livraria novinha em folha não devia incitar à discriminação. quando muito, há categorias literárias, como culinária, poesia, anatomia, sexualidade, história, política, etc. ainda bem que publicou isto, que é da maneira que eu nem me incomodo a pôr lá os pés. muito obrigada.
ResponderEliminarO Duarte Calvão quer mesmo uma resposta? A sério?... Cá vai (cof, cof): É o Mercado. Nothing personal. As coisas são sempre mais simples do que parecem.
ResponderEliminarNa sua antiga livraria, a FNAC Chiado, essa secção já tem barbas maiores do que as do Walt Whitman. É sempre bom haver uma secção dessas porque, como disse o Eduardo Pita, não diminui, acrescenta. Não deve ser impeditivo é de que esses livros caibam em outros canônes ou prateleiras. De resto, serve para afastar os "enojas" desta vida!
ResponderEliminar1 Já existe uma secção gay na FNAC onde infelizmente se encontram os livros de Oscar Wilde.
ResponderEliminar2 Na Byblos a maior parte dos livros de Oscar Wilde (e ainda tem alguns) encontram-se na secção de literatura.
3 De facto é ridiculo fazer uma secção de literatura gay. Mas a Byblos nesse campo é melhor que a FNAC que poem esta secção ao lado da secção de literatura erótica...
Se houvesse uma secção "literatura hetero", o Daniel Oliveira já tinha escrito cinco artigos e 12 'posts' a protestar.
ResponderEliminarAcho uma pouca-vergonha que literatura lésbica esteja na prateleira gay. Onde já se viu!
ResponderEliminarAgradeço à Sofia ter-me chamado a atenção para a polémica entre Henrique Raposo e Eduardo Pitta, que data de Agosto deste ano e que de facto não tinha acompanhado. De qualquer maneira, mantenho a minha opinião. Tanto mais que no meu post não falo, genericamente, de "literatura-gay", mas sim de concretas secções de livrarias.
ResponderEliminarPeço que não encontrem no meu post razões para não ir à Byblos, que me pareceu uma boa livraria.
Também não sabia que na FNAC a secção já existia. Como disse, passo por lá a correr...