
Parece que no seu discurso do 5 de Outubro Cavaco Silva, perante cerca de uma centena de pessoas que acorreram à Praça do Município, fez de novo referências à "ética republicana". Ainda estou para saber o que isso significa, desde que alguém (Sampaio?) decidiu há meia dúzia de anos utilizar a expressão. Não deve ser a praticada na I República, porque essa já nem os republicanos civilizados e cultos defendem. Será a de Salazar e Caetano? Não, deve ser a actual, a III, a pós-25 de Abril. Mas então porque será que o representante máximo da tal III República decide pelo segundo ano consecutivo pôr a questão da corrupção no seu discurso? Onde anda a tal ética republicana, que ninguém a vê?
Tão sumissa quanto a pobre Maddie.
ResponderEliminarPois quer-me parecer, meu caro Duarte Calvão, que é mesmo a ética da Primeira República. Desde logo, porque certos valores podiam ser ingénuos, mas não estavam poluídos. Depois, porque a situação caótica não ensombrou uma quase-verdade da época: perdiam-se fortunas na política. Quem as tinha, naturalmente. Portanto, bem ao contrário do que esta terceira República tem proporcionado: chega-se à política com uma mão atrás e outra à frente e fazem-se fortunas enquanto o diabo esfrega um olho. E enquanto o olho da ética faz de conta que não vê...
ResponderEliminarEstão a brincar connosco;uma brincadeira de mau gosto,onde "eles comem tudo e não deixam nada".
ResponderEliminarQue tem a ver a República com a corrupção? Por acaso houve corrupção nas várias presidencias da República em Portugal? Em Espanha, Bélgica, Holanda e Reino Unido não há corrupção? Não entendo este post... A corrupção nada tem a ver com o regime republicano ou monárquico, da mesma forma que há ditaduras republicanas e monárquicas.
ResponderEliminarCaro J.C, se se referem à I república, e estou de acordo que havia entre os republicanos gente idealista e séria, o que dizer das perseguições políticas e religiosas que na altura se fizeram? A ética não diz só respeito à corrupção.
ResponderEliminarQuanto a ti, Tiago, além do gosto de te ver por estas bandas, tenho que te dizer que leste mal o que escrevi. Só perguntei o que era a tal ética republicana. E foi o presidente quem chamou a atenção para a questão da corrupção. Talvez tu, republicano empedernido, me possas explicar essa ética.
Pois e precisamente por ninguem a ver, que tem necessidade a se lhe referirem.
ResponderEliminarE por estas e outras que sou monarquico convicto!
Vim aqui atraves do amigo FMV.
Um abraco beirao d'Algodres.
Quiz dizer: FJV, Francisco Jose Viegas!
ResponderEliminarCaro Duarte, a ética republicana distingue-se sobretudo por não estar ligada a nenhuma moral religiosa. Ao contrário da monarquia que se rege pela religião oficial do país. A ética republicana é laica e não mistura Estado e religião, o que não acontece na monarquia. E só isso já é muito... pelo menos para mim. Depois há esta definição: "A ética republicana exige competência, devoção ao serviço público, transparência, disponibilidade para abandonar o cargo exercido a outros melhores, nos termos da lei. A ética republicana exige que o funcionário sirva a República e proíbe-o de se servir da República para promover os seus fins pessoais ou os de um determinado grupo". Depois há algo inequívoco: um regime republicano é sempre mais democrático do que um regime monárquico, entre democracias. Ou seja, uma República democrática é sempre mais democrática do que uma monarquia democrática. A ética republicana consiste também numa maior confiança nos seus povos, permitindo-lhes escolher a mais alta figura da Pátria. E não como na monarquia, onde nem se percebe por que razão tal pessoa simboliza o Estado...
ResponderEliminarParece, pois, caro Duarte Calvão, que estamos de acordo no essencial. E, embora isso não seja essencial, é sempre bom verificá-lo.
ResponderEliminarDesculpa a demora em responder, Tiago, até porque gostei da tua resposta (já agora podias dizer a quem foste buscar a citação). Como este post já foi ultrapassado por muitos outros, acho que merece a pena retomar o tema no futuro. Para já, acho que fazes uma grande confusão nessa questão de separação entre Estado e religião nas monarquias. Noutros tempos, ela poderia não ocorrer, mas já há muitos anos que nas monarquias constitucionais europeias ela existe (é o Parlamento que faz as leis). É claro que me podes dar como exemplo a Arábia Saudita, mas aí é uma questão cultural daquelas paragens, basta ver as repúblicas teocráticas como o Irão.
ResponderEliminarQuanto as princípios da tal ética republicana não vejo qual a especificidade, já que se podem aplicar igualmente a monarquias e monárquicos. Aliás, os melhores exemplos actuais serão até de países monárquicos.
A outra questão da eleição do chefe de Estado ocupa mais espaço e fica para depois. Só para "picar", vai pensando então qual a legitimidade do presidente alemão ou do italiano, entre outros que não são eleitos por sufrágio directo.
Caro J.C., também folgo em sabê-lo.