sexta-feira, 13 de julho de 2007

Qualquer dia vai tudo para a fogueira

Tem chamada de capa no DN de hoje: O álbum Tintim no Congo foi proscrito das prateleiras de livros infantis em Inglaterra. Acusada de racista, pela Comissão pela Igualdade Racial da Grã-Bretanha (CRE), esta história de BD infantil, desenhada nos anos 30 por Hergé, reflecte um discurso estético e politico da época. Na sua trama algo ingénua e de traços ainda primários, encontramos a realidade e os mitos de uma África profunda e atrasada (face aos cânones ocidentais). Talvez afinal Cocô, o leal amiguinho africano, também seja um sinal de submissão civilizacional. No cúmulo do tão genial quanto absurdo guião, quando os chimpanzés raptam o Milou, Tintim acorre matando com uma carabina um exemplar, para vestir-lhe a pele e deste modo imiscuir-se no seio da comunidade assim resgatando o seu fiel amigo. Um delírio. Esta sequência (que no mínimo é uma imundície), entusiasmou várias gerações de tolas criancinhas e prazenteiros adultos... racistas e desrespeitadores da natureza.
Parece-me é que este puritanismo politicamente correcto, a prazo, compromete profundamente a nossa liberdade. Esta nova e omnipresente inquisição é patética e preocupante.
Afinal, quando folheamos o Tintim no Congo com gozo, devemo-nos envergonhar de quê? Do passado e da nossa história? Ou antes das guerras fratricidas, das fomes, da escravizante degradação humana que grassa hoje no continente africano livre e independente... diante do olhar cruelmente insensibilizado, quase indiferente, do ocidental opulento, modernaço e moralista?

9 comentários:

  1. Devem proibir que criancinhas saibam o que os Ingleses fizeram em África ou na Índia, e muito menos aquela história do Henrique VIII.

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  2. A culpa foi do macaco.

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  3. o tradicional puritanismo inglês

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  4. Vai no bom sentido.É só continuar...

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  5. Meu Caro João,
    a razão aventada encobre a real. E esta reside no facto de o muito formal jornalista do Diário de Lisboa que aparece ter deixado de ser ilustração dos portugueses, cuja urbanidade desceu a níveis impossíveis de coexistir com tal retrato. Porque somos velhos aliados e não estava em jogo interesse vital britânico que se visse, inventou-se essa para não nos magoar... ehehehehehe.
    Abraço
    Abraço

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  6. Quando alguém, que não eu, decide o que posso ler ou não, é grave. E, como em muitas outras coisas, o problema maior não está no começar...

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  7. Não podia estar mais de acordo!

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  8. Pois eu não concordo. Aliás, deixei isso por escrito no Comboio Azul.

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