domingo, 15 de julho de 2007

Jazz


Na sexta-feira, fui ver um concerto do saxofonista Joshua Redman ao Parque Palmela, onde hoje termina o Estoril Jazz, e voltei de lá de bem com o mundo. Não posso pedir mais nada à minha música preferida. Redman faz parte de uma geração que, depois dos exageros do "fusion", jazz-rock, da ECM e de experimentalismos vários nos anos 70 e 80, reconciliou o público com o jazz no início dos anos 90, de alguma maneira recuperando o espírito do "bebop".
Já tinha visto Joshua Redman, neste mesmo palco, em 1994, com um quarteto de jovens músicos fabulosos, então desconhecidos, com Brad Mehldau ao piano (poucas vezes um músico, sobre o qual nada sabia, me impressionou tanto), o contrabaixista Christian McBride e o baterista Brian Blade. Depois disso, vi mais três apresentações de Redman em Portugal, uma das quais "ao desafio" com o também saxofonista Branford Marsalis (que, há que dizê-lo, ainda brilhou mais do que ele) e confirmei o carácter excepcional da sua música, quer interpretando clássicos quer músicas da sua autoria.
Agora, ele veio apresentar o seu novo disco "Back East" e não precisou de se socorrer de standards (nos primeiros discos e concertos isso acontecia) para arrebatar-nos com sua música alegre e contagiante. Ao contrário do que fazia nesse período do início dos anos 90, em que descobria o jazz com entusiasmo, mas em que caía em demasiada intelectualização, em comparar virtuosismos instrumentais, em ler o que diziam os compêndios, recebi a música de Redman com uma descontracção que me mostrou que estou mais sábio.
Desta vez, Redman veio com o excelente contrabaixista Reuben Rogers e um baterista extraordinário, Antonio Sanchez, mas temi a ausência do piano. Porém, o entendimento entre eles foi tão perfeito que não foi preciso mais nada. Há muito tempo que a música não me dizia tanto. À saída, numa loja instalada numa tenda, comprei de enfiada cinco discos antigos de jazz. Só ao chegar a casa reparei que eram todos de saxofonistas e não foi por coincidência. Andava distraído com outras músicas, mas depois deste concerto estou de volta ao jazz. Ao jazz que se faz hoje, no meu tempo.

7 comentários:

  1. Que me diz ao Biréli Lagrène?
    Estou a lembrar-me do seu concerto «Jazz à Vienne», para apenas falar desse e porque estou a ouvi-lo/vê-lo neste momento.
    Jazz com algum sangue espanhol, onze músicos em palco, dos quais 9 virtuosos da guitarra, um acordeão e um contrabaixo.
    FABULOSOS, todos!
    De bem com o mundo? Não se pode ficar melhor.

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  2. Excelente, sem dúvida.

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  3. Não conheço Biréli Lagrène, nem sou grande apreciador da guitarra, eléctrica ou acústica, no jazz. Mas o seu entusiasmo é tão parecido com o meu, que vou ver se ouço.

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  4. Foi o que eu senti depois do concerto dos Air, no Coliseu. É outro género, bem sei, mas a mim enche-me as medidas.

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  5. Duarte Calvão,

    Desaconselho-o, se me permite, a ouvir no Youtube esse semi-deus da guitarra acústica que é Biréli Lagrène, sendo que quem ele escolheu para o concerto são também de primeira água.

    Para quem viaja no som, como deduzo ser também o seu caso, a distorção deste site deixa os cabelos em pé. É um massacre dos puros da guitarra e não só.
    Preferível será certamente ver/ouvir um DVD com, no mínimo, a razoável qualidade acústica das lojas de discos.
    O virtuosismo e a dança diabólica de dedos deixam-me pregada à tela.
    Ao vivo, escusado será dizer, é de entrar em êxtase.

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  6. Foi excelente. Aliàs todo o cartaz do Estoril Jazz este ano foi excelente do primeiro ao último dia.

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  7. Gostei tb do Festival Internacional de Saxofone em Palmela. No dia de abertura (Jul 9), o Quinteto Luso Tango foi tb soberbo!

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