A semana que passou foi muito interessante em termos políticos e apetece-me comentar alguns casos. Para isto não ficar muito longo, vou dividir os textos, começando pela eleição de Paulo Portas. Em primeiro lugar, devo dizer que acho que a ambição num político (desde que não seja a famosa ambição desmedida) é uma qualidade e não um defeito. Depois, por muito que não goste do estilo de Portas, e eu não gosto, tenho que reconhecer que ele se portou muito bem na coligação com o PSD no Governo (o partido em que milito, para quem ainda não saiba) e ganhou pontos na minha consideração. Portanto, não me causa nenhuma irritação ou preocupação especial ele ter sido eleito para líder do CDS e já sei que vai ter a benevolência dos socialistas e dos jornalistas e comentadores que lhes são próximos (como se viu ontem no Parlamento), sempre que não estiver coligado com o PSD e pareça servir para dividir a direita.Para mim, o dado mais interessante da eleição de Portas é mostrar como estão as pessoas em Portugal. A verdade é que, ao escolherem o dirigente que sabiam que tinha andado a intrigar nos últimos dois anos contra a direcção legitimamente eleita por quatro de Ribeiro e Castro, os militantes do CDS mostraram, de forma esmagadora, que (ao contrário do que passam a vida a proclamar) se estão a borrifar para os "valores", preferindo um líder que, na sua opinião, terá mais destaque mediático e assim mais fácil acesso ao poder. Para quem tanto critica o "pragmatismo" do PSD, onde apesar de tudo os confrontos são mais às claras (veja-se, no actual episódio, Mendes, Menezes e Santana), não está nada mau.
Curioso que não tenha ainda visto ninguém a comparar a eleição de Portas e de Sócrates. Ambos foram eleitos por serem mais telegénicos do que os outros adversários internos e, por isso mesmo, mais capazes de conduzir os partidos ao tão desejado poder. Se bem que no caso do secretário-geral socialista o caso seja bem mais escandaloso. Portas tem mudado de opinião e de valores demasiadas vezes mas mantendo-se sempre no seio do conservadorismo até quando a volta é de 180º. Pouca diferença faz, pois continua a ser apreciado dentro do partido. Já Sócrates saltou para o mais desbragado liberalismo, arrastando consigo até Vieira da Silva - tido como a andorinha socialista do Executivo do PS. Num partido como este estranho que não se façam ouvir as vozes críticas socialistas. Só para estarem no poder aceitam perder todas as ideias de esquerda deixar as questões sociais. Aí é que não há valores nenhuns. Um Alegre e um Medeiros Ferreira (agora varrido para debaixo do tapete blogosférico) não são suficientes para mudar a coisa.
ResponderEliminarEu não sabia que militava num partido político. Para usar literalmente a expressão que emprega, eu nem sabia que “ainda” não sabia que militava nesse partido. Da forma como o escreve parece ser crucial e fatal que todos o viéssemos a saber… Se calhar, não é para ser interpretado assim, mas é interessante como essa palavra “ainda” confere toda uma outra importância à sua militância…
ResponderEliminarO que me leva, se não se importa, a fazer-lhe uma pergunta, daquelas à Baptista Bastos, que se deve colocar a todos os militantes do PSD: Onde é que estava naquela noite em que o Conselho Nacional composto por uma centena de companheiros seus elegeu quase por unanimidade o companheiro Pedro Santana Lopes como sucessor de Durão Barroso?
Basta ler o meu perfil, que está exactamente igual desde o que coloquei no primeiro dia deste blogue, para perceber o "ainda". Além disso, já em vários posts referi a minha condição de laranjinha militante. Quanto à sucessão, como sabia que não víviamos num país com maturidade democrática, em que este tipo de situações se resolvem sem maiores problemas, defendi (não no Conselho Nacional, a que não pertenço), um Congresso Extraordinário. E não foi nessa noite, foi bastante antes. Depois, como é evidente, apoiei o Governo legítimo de Santana Lopes e fiz campanha por ele nas legislativas.
ResponderEliminarAgradeço os esclarecimentos. Pelos vistos, pertenço a uma minoria que tem uma abordagem mais lúdica da leitura dos blogues: raramente consulto perfis e, dado que o Corta-Fitas é um blogue plural, tenho alguma dificuldade em identificar alguns dos seus autores.
ResponderEliminarPor outro lado, dada a sua amável explicação sobre a sua conduta durante a nomeação de Pedro Santana Lopes, sinto-me na obrigação de lhe retribuir a amabilidade, explicando-lhe como compartilhava consigo essa imagem da transparência dos confrontos dentro do PSD, até ao dia do referido Conselho Nacional.
Em abstracto, a vantagem de órgãos colectivos numa organização é a de permitir a presença de um leque de opiniões diferentes. Quando, de um assunto controverso como aquele, envolvendo a participação de uma centena de dirigentes escolhidos, resulta uma votação de uma unanimidade de “Comité Central” então havia ali 90 pessoas a mais…
Creio que foi um momento de confusão, já que o partido também tinha sido surpreendido com a ida de Durão Barroso para Bruxelas, e parece-me que acharam que o melhor era cerrar fileiras em torno do novo líder e não dar sinais de divisão em congressos. A falta de lucidez desculpa-se em parte porque estávamos "debaixo de fogo" da oposição e dos media e Jorge Sampaio teve um comportamento inacreditável para um chefe de Estado, causando instabilidade com os seus 15 dias de reflexão sobre uma questão que se resolve em horas em países de democracia parlamentar.
ResponderEliminarÉ muito simpática essa sua descrição de um partido a cerrar unanimemente fileiras à volta do seu novo líder...
ResponderEliminarMas tenho a impressão que toda as histórias anteriores do PSD torna-a caridosa em excesso...