sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Ando atrasado




Ontem, era para ter escrito sobre as inacreditáveis e raivosas declarações de Correia de Campos sobre o presidente da Câmara de Chaves e outros autarcas que lhe tinham feito frente, quando veio o Miguel Macedo com a declaração do PSD sobre o assunto (que, aliás, soube depois, tinha sido debatido no Parlamento, ficando para mim registada a correctíssima posição do PCP)e estragou-me o post. Hoje, era para escrever sobre o Babel, que também detestei, e vem o Villalobos dizer grande parte do que eu queria e ainda por cima mais bem escrito.
Só posso, portanto, tentar acrescentar que, em relação ao primeiro caso, que daria escândalo se fosse no tempo dos governos de Durão ou Santana, hoje não vi nada, nem comentários nem "alertas" democráticos nos poucos jornais que li. E que gostaria de ver o presidente da República, que tem obrigação constitucional de zelar por estas coisas do "normal funcionamento das insituições democráticas", dizer qualquer coisa.
Em relação ao Babel, acrescento apenas que já não tenho paciência para cineastas ou escritores que exploram o lado trágico da vida, sem qualquer esperança, julgando que estão a retratar a "realidade", quando na verdade esta raramente é tão desesperada como eles a apresentam. É facílimo ser trágico e pessimista. O contrário é que é difícil e intelectualmente interessante.

6 comentários:

  1. Olhem só que bem escito, e passo a citar: "Eu fui, num período que os desaconselho a investigarem da minha existência, crítico de cinema."

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  2. Pronto, eu altero. Mas acho mal que os professores de língua portuguesa se transfiram para a caixa dos posts alheios. Pfff...

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  3. É óbvio que o trágico é mais directo, toca nos sensores mais facilmente e mostrar a felicidade e a alegria porque inatingíveis(?) é bem mais desafiador. Agora, a "realidade" ... raramente é tão desesperada como eles apresentam"?
    Raramente? Deve ser mesmo uma realidade entre comas. Admiro esse optimismo.

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  4. "É facílimo ser trágico e pessimista. O contrário é que é difícil e intelectualmente interessante."

    De facto .. :)

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  5. cinderela-dos-pes-grandes23 de fevereiro de 2007 às 20:50

    Não vi ainda "Babel", mas ( quer eu venha a concordar ou não que este filme a merece) esta sua afirmação sobre a facilidade de ser trágico e pessimista tocou-me fundo: também não gosto de abordagens do tipo desesperançado.

    Lá está : é demasiado fácil!

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