Para mostrar que também sou culto, quando estava quase a puxar pela pistola, decidi ler um livro, coisa que já não fazia há cinco anos e sete meses. Assim, já estou quase a terminar o Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (também conhecido como "o pai do Chico" e, doravante neste post, SBH), e logo, logo, vou despachar os dois livros do Mário de Carvalho (emprestados pelo Luís Naves), que descobri recentemente ser um verdadeiro autor de best-sellers, já que toda a gente o leu em Portugal. Ou pelo menos na blogosfera. O objectivo deste post é sobretudo demonstrar que mesmo quem, como eu, vê televisão, pode conseguir ler um livro sem recorrer a subsídios, mas já agora aproveito para desenvolver a resposta ao post do João Villalobos (É a cultura, caramba!) publicado mais abaixo neste blog e que por sua vez é uma resposta ao meu excelente Apoiar Rui Rio III, A Vingança. É que uma passagem do livro de SBH refere a visão "patrimonial" que os portugueses tinham quando ocupavam lugares públicos, protegendo familiares e amigos, utilizando o dinheiro público para favorecer quem lhes interessava, enfim, aquilo que tão bem conhecemos até hoje. Haverá melhor exemplo dessa visão "patrimonial" do que autarcas e ministros a "apoiar" com dinheiros públicos "agentes culturais" em troca do aplauso dos jornalistas cultos e demais líderes de opinião que os ajudam à popularidade e à reeleição? E aproveito também para superiormente recomendar a leitura de SBH, que é um bom contributo para sabermos melhor como somos e as "políticas culturais" que praticamos há tantos séculos. Com tanto esforço intelectual, só volto a pegar num livro daqui a 15 anos.
terça-feira, 7 de novembro de 2006
Para acabar de vez com a Cultura
Para mostrar que também sou culto, quando estava quase a puxar pela pistola, decidi ler um livro, coisa que já não fazia há cinco anos e sete meses. Assim, já estou quase a terminar o Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (também conhecido como "o pai do Chico" e, doravante neste post, SBH), e logo, logo, vou despachar os dois livros do Mário de Carvalho (emprestados pelo Luís Naves), que descobri recentemente ser um verdadeiro autor de best-sellers, já que toda a gente o leu em Portugal. Ou pelo menos na blogosfera. O objectivo deste post é sobretudo demonstrar que mesmo quem, como eu, vê televisão, pode conseguir ler um livro sem recorrer a subsídios, mas já agora aproveito para desenvolver a resposta ao post do João Villalobos (É a cultura, caramba!) publicado mais abaixo neste blog e que por sua vez é uma resposta ao meu excelente Apoiar Rui Rio III, A Vingança. É que uma passagem do livro de SBH refere a visão "patrimonial" que os portugueses tinham quando ocupavam lugares públicos, protegendo familiares e amigos, utilizando o dinheiro público para favorecer quem lhes interessava, enfim, aquilo que tão bem conhecemos até hoje. Haverá melhor exemplo dessa visão "patrimonial" do que autarcas e ministros a "apoiar" com dinheiros públicos "agentes culturais" em troca do aplauso dos jornalistas cultos e demais líderes de opinião que os ajudam à popularidade e à reeleição? E aproveito também para superiormente recomendar a leitura de SBH, que é um bom contributo para sabermos melhor como somos e as "políticas culturais" que praticamos há tantos séculos. Com tanto esforço intelectual, só volto a pegar num livro daqui a 15 anos.
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quando desenvolve todos esses raciocínios brilhantes assim seguidos, não lhe dá vontade de pegar na pistola e disparar contra si mesmo?
ResponderEliminarMiguel Silveira
Não fossem as visões patrimoniais de tantos palonços ao longo da História e a arte seria um deserto ainda maior que certos interiores intelectuais que se pretendem luxuosos... compreendo o seu fascínio pelo velho Buarque, quando se lê um livro fica-se fascinado. Quem lê pouco fascina-se menos (e com qualquer coisa).
ResponderEliminarA leitura é uma experiência fascinante! Quem lê pouco fascina-se menos (e com qualquer coisinha se fascina).
ResponderEliminarUm livrito de História, da Arte, por exemplo, era capaz de lhe aliviar um pouco as ideias!
Entretanto pode ir mamando torradas com manteiga acompanhadas de imperiais.
ResponderEliminarCaro Duarte,
ResponderEliminarA tua fina ironia não invalida não teres ainda respondido ao tema, como prometido ;)
Abraço
Caríssimo João, ontem de facto o post saiu-me assim, mas olha que quando estou a citar o SBH é a sério. De qualquer maneira, acho que o teu post tem o grave erro de estabelecer oposições entre cultura e política, cultura e economia e outras que não têm razão de ser. E de achar que despejar dinheiro para os "agentes culturais" tem o efeito de desenvolver culturalmente o país. Também não percebi, já no teu comentário, que ideologia é essa de o Estado (ou seja, os responsáveis pela distribuição do dinheiro público) ser obrigado a subsidiar os tais agentes. Para mim, o dinheiro para a cultura é para bibliotecas, salas de espectáculo, orquestras, monumentos, museus, apoio à edição de clássicos, apoio esporádico a um ou outro artista, com provas dadas, que se encontre em dificuldades e, ainda mais esporadicamente, ao complemento de verbas para projectos específicos. E, que me lembre, para pouco mais. Finalmente, quando dizes que primeiro é a ideologia do apoio estatal à cultura e depois logo se vê como e para quem, estás a iludir um dos principais problemas, porque as duas coisas não se podem separar. Bom, isto já vai longo, mas vou ver se ainda volto a esta discussão, porque acho que ela é muito interessante e actual. Um abraço
ResponderEliminarChiça! Você é culto cum'ó caraças!
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