sexta-feira, 17 de novembro de 2006

A força do cargo



Foi uma tristeza ver Cavaco Silva desfiar uma série de prudentes lugares-comuns, que qualquer político de segunda categoria sabe recitar de cor e salteado, na entrevista a Maria João Avillez. Ele nunca foi um orador brilhante, mas quando era primeiro-ministro, mesmo quando não dizia nada de jeito nas entrevistas, sabiamos que era um homem mais de acção do que de palavras. Só que agora a sua acção são discursos que só interessam a comentadores profissionais, e que se esquecem em três dias, roteiros pelo País sem resultados nenhuns, que se esquecem em dois dias, e mais cooperação silenciosa ou estratégica ou lá o que é com um Governo que ele considera "reformista", e mais uns seminários e umas medalhas, etc, etc. Perdemos alguém que ainda poderia dar, de facto, algo ao País, mudando-o como já o fez noutros tempos, por alguém cuja principal preocupação parece ser, como aliás aconteceu com todos os seus antecessores no cargo, conseguir alargar a base de apoio para a reeleição. E o pior é que provavelmente, por falta de opções e para evitar males maiores, eu vou voltar a votar nele.

8 comentários:

  1. Alguém duvidava ? Que pena eu tenho de si. Olhe, dedique-se aos restaurantes e deixe a política para quem sabe do ofício. Mas você não publica isto...

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  2. Pois é, para ouvir outra coisa que não lugares comuns, a Maria João devia mas era entrevistar Sua Altez Real.

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  3. O sr. Calvão é um masoquista. Devia ter ouvido a fabulástica entrevista do último PM do seu PPD/PSD (ainda gostava de ver um inquérito de rua em que fosse perguntado às pessoas: faz alguma ideia do que é o pêpêdêpêessedê?) que passou à mesma hora na RTP1.

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  4. E eu gostava era de votar no senhor Dom Duarte Pio para Presidente da República.

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  5. Azarucho! Eu rio-me muito daqueles que estavam à espera (coitados!) que o Cavaco fosse um presidente a dar pancada no Sócrates... em que mundo vivem?
    Azarucho, e vão voltar a votar nele. Bem feito.
    Eu não, nem que tenha de votar no cão da Ana Santa Clara (é este o nome não é?)

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  6. Calvão emprenhou pelos ouvidos com o que afirmou o Marocas na campanha.

    Segundo este, por esta altura já o Cavaco estaria a implantar o seu projecto de poder pessoal e em grande zaragata com o governo.

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  7. pois, entre a entrevista ao Cavaco e ao PSL nem pensei 2 vezes: ponham aí o PSL, aliás, ponham aí qualquer pessoa a falar que é mais interessante que Cavaco com o seu chorrilho de clichés e lugares comuns que qualquer presidente de junta de freguesia consegue discorrer

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  8. Eu também votei em Cavaco Silva na esperança que não fizesse o que os antecessores fizeram no 1º mandato, isto é, preparar a reeleição. Por isso defendo mandatos únicos embora mais alargados.

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