sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Anticomunismo primário

Creio que é assinada pelo nosso Pedro Correia a notícia publicada no DN desta semana que diz que o escritor Mário de Carvalho saiu do PCP no ano passado. Fico espantado não por ele ter saído, mas sim por ter esperado por 2005 para o fazer. Nunca li nada dele, mas quero acreditar que seja um bom escritor, embora agora tenha mais dúvidas. Será que é mais um daqueles medíocres promovidos pela esquerda bem pensante dos jornais? Porque, como se perguntava hoje Lobo Antunes, o melhor escritor do mundo, na entrevista à Judite de Sousa: "como é que alguém pode ainda ser comunista?"

36 comentários:

  1. Caro Duarte,são "sinais dos tempos", eu acho.

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  2. É tão fácil fazer juízos de valor sobre alguem que não se conhece, pois como admite não leu nada de Mário de Carvalho, não é? E se fosse ler e viesse depois aqui comentar? Não perde nada e pode ser que ganhe alguma coisa... pelo menos o sentido de humor.

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  3. Pois, Lobo Antunes é o melhor escritor do mundo, o Benfica é o melhor do Mundo, Sá Carneiro é o maior político que alguma vez houve, o queijo da Serra é o melhor do mundo e assim por diante.

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  4. A Judite de Sousa é a melhor entrevistadora do mundo, eh eh

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  5. O pensamento do duartecalvao é, no mínimo, tortuoso: se é comunista e se foi do PCP até 2005, provavelmente é mau...

    Vá ler o Mário de Carvalho. Se o fizer, perceberá que tem andado a perder um dos escritores com melhor domínio da Língua Portuguesa.

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  6. Pergunto eu "como é que alguém pode ainda não ter lido Mário de Carvalho?"

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  7. Acho este post muito injusto. Mário de Carvalho é um excelente escritor. Na minha opinião, é um dos melhores da língua portuguesa, pelo menos que eu tenha lido. Acho que tem de acabar esta confusão entre a obra literária e a ideologia dos escritores, sendo a obra criticada em função da ideologia.

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  8. Lobo Antunes tamém fez plágio. Sai em breve...

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  9. Caríssimo Duarte,

    Mário de Carvalho é um dos melhores escritores que temos. E podias ler por exemplo Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina, que perdeu sem justiça o prémio da APE para a Mafalda Ivo Cruz.
    Abraço

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  10. Pronto, pronto, o Luís Naves vai emprestar-me livros dele e eu vou ver se os leio. Mas a questão que eu levanto não é se ele é ou não um bom escritor (já disse que espero que seja e tenho indicações nesse sentido de gente em cuja opinião confio). A questão é: como é que alguém podia ainda ser comunista em 2005?

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  11. Provavelmente, o Mário de Carvalho continua a ser comunista: só não é do PCP. Aliás, faz sentido a pergunta: como ainda se pode ser do PCP em 2005? Agora, comunista pode ser-se perfeitamente. Ser comunista não é ser marxista-leninista. Isso sim, não faz sentido em 2005.

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  12. Eu estava capaz de dizer que sou comunista a partir de hoje só para contrariar este post.
    Por isso não se admire que por causas mais importantes haja gente que reaja aderindo ao comunismo.

    O mal do comunismo é ver o mundo a duas cores. Mas é um mal que é partilhado com a ponta direita...
    Por isso uma vai sempre justificar a existência da outra.

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  13. Pode-se dizer é que o comunismo em Portugal não acompanhou os tempos,veja-se os casos de Espanha,Italia e França,esses tiveram a inteligência de evoluir,e não estagnar como os comunistas em Portugal.

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  14. Estou muito mais sossegada depois de aqui ler a opinião de dois destacados membros deste blog, sobre a qualidade literária do Mário de Carvalho. Até já estava a ficar com falta de ar. A ligeireja com que um jornalista se permite escrever sobre o que desconhece, é que me assombra. E depois admiram-se com a qualidade do jornalismo em Portugal...

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  15. Sabem que mais ?

    Tenham cuidado e tino e não se ponham a explorar e a «cavalgar» muito a saída do Mário de Carvalho do PCP no ano passado (pelos vistos, é uma novidade com mais de 10 meses).

    É que ele nos últimos anos, sem prejuizo das criticas e divergências, já disse o suficiente sobre a sua relação com o PCP e com os comunistas para não gostar de certas explorações
    e ser muito bem capaz de retaliar exactamente em sentido contrário.

    E quanto aos jornalistas que apareçam envolvidos nesta exploração mesquinha, tenham também cuidado porque o Màrio é o autor dos textos mais violentos e cáusticos que jamais se publicaram sobre muitos jornalistas e sobre o jornalismo dominante em Portugal, tendo chegado a crismá-lo de «jornalismo-cão».

    Juízinho pois que vocês manifestamente não conhecem o Mário de Carvalho.

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  16. E não é que eu toquei mesmo numa "vaca sagrada" (salvo seja)?

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  17. vai pró comité central, anonymous27 de outubro de 2006 às 15:33

    retaliar exactamente em sentido contrário só pode querer dizer isso.

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  18. o Alentejo ainda vai ser nosso outra vez.

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  19. Luís Filipe Cristóvão27 de outubro de 2006 às 16:37

    Ponto 1 - Ser militante do PCP e ser Comunista são duas coisas bem diferentes.

    Ponto 2 - A entrevista do Lobo Antunes foi excelente, mas nem tudo o que o Mestre prega fica lei.

    Ponto 3 - Caro Duarte, leia livros.

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  20. Alguma coisa não está a correr bem.
    Tantos posts sobre o PCP e a Coreia -e mais a saída do Mário de Carvalho do PCP -e acabo de dar uma volta grande pelo blogoesfera e, espantosamente, parece que ninguém reparou na estrepitosa novidade que resulta da sondagem Marktest hoje publicada no DN.

    Sim, coisa nunca vista, tirando o PR e o Pres. da AR, na cotação dos líderes partidários o 1º passou a ser Jerónimo de Sousa, com um saldo positivo de 10 pontos, enquanto Sócrates aparece na 3ª posição resumido a 2 pontos positivos e Marques Mendes a -14 e Ribeiro e Castro a -29 (ambos negativissimos portanto).

    Será que os habitualmente tão crédulos em relação às sondagens passaram hoje, de súbito, para o campo da incredulidade ?

    Ou muito me engano, ou anda qualquer coisa no ar.

    E e não é boa para o Governo do PS e de Sócrates e para a sua desgraçada política.

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  21. No que V. se foi meter Duarte...
    Abraço,

    JT

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  22. UMA GAIVOTA VOAVA E DIZIA PUTA QUE PARIU A SOCIAL-DEMOCRACIA.27 de outubro de 2006 às 18:40

    SIM DUARTE, INFORMA-TE E LÊ JORNAIS PÁ, SENÃO OS CAMARADAS CORTAM-TE A PILA.

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  23. 1 Mário de Carvalho é um excelente escritor e eu se fosse a si, não postava mais nada, em sínal de contrição, enquanto não terminasse a leitura de pelo menos um dos seus livros
    2 A pergunta deveria ser: Como é que o Lobo Antunes ainda pode ser o Lobo Antunes? (ah, segundo o Público de hoje, não é "ele" que escreve os livros... é que não se aguenta!)
    3 "esquerda bem pensante dos jornais"... quem? O Pedro Correia? :)

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  24. Eu quero lá saber se ele entrou ou saíu do PCP.
    Sei é que o ter lá estado marca para sempre.
    O resto é conversa.

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  25. Malta, bora ler o Mário de Carvalho, antes que digam que ele também plagiou o Dominique Lapierre e o Larry Colins.
    PS: Caro Duarte, já somos dois «ignorantes» a nunca ter passado os olhos pelos livros do Carvalho.

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  26. Andam a falar do quê!? Não viram a entrevista da Judite ao Lobo Antunes? Ele disse que o melhor gajo do momento a escrever é o Ricardo Araújo Pereira, do Gato Fedorento!
    Essa é que é essa. E esqueceu-se de falar no Rodriguinho...

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  27. Duarte, tal como o Luís e o João já disseram, o Mário de Carvalho é um dos grandes prosadores portugueses da actualidade. Grande romancista, grande contista, grande cronista. O facto de ter sido militante do PCP é, obviamente, irrelavente em termos literários. O facto de ter abandonado a militância comunista, obviamente, é relevante em termos políticos - e jornalísticos. Abraço.

    P. S. - Vou emprestar-te, com todo o gosto, um dos livros do M. de C.

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  28. Foi engraçado ver as reacções que este post provocou. A maior parte das pessoas, incluindo os meus queridos amigos corta-fiteiros Luís, João e Pedro, rasgaram as vestes pela qualidade literária de Mário de Carvalho, coisa que eu nunca pus em causa. Se o fizesse, seria profundamente desonesto, já que, como disse e repito, nunca li nada dele. A minha questão é, e sempre foi, como é que alguém tido como um reputado intelectual, culto e viajado, se mantém num partido como o PCP até 2005. Escrevo isto pela terceira vez, mas temo que mais uma vez me venham dizer, com indignada emoção, que ele é um grande escritor e que eu "devia" ter lido os seus livros. É de facto muito interessante e revelador do carácter dos portugueses esbarrar, ainda que inadvertidamente, com as nossas "vacas sagradas".

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  29. Oh! Duarte... O que V. escreveu não interessa nada. "O pecado" é V. não ter lido nada de MC. (Eu até já me safei pois li um conto, da antoligia de João de Melo).

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  30. Duas ou três vezes, o Duarte Calvão insiste na angustiante, dramática e ontológica pergunta sobre como é que alguém pode ser comunista em 2005 (parece que a luminária literária do António Lobo Antunes também lançou a questão na entrevista à Judite (de Sousa).

    E noto que, estranhamente ou talvez não,a isto ninguém ainda lhe respondeu.

    Dadas as limitações deste tipo de comentários, eu só queria dizer quatro coisas:

    A 1ª é que a pergunta faz-me sempre lembrar outra antiga pergunta (mas mais pós-25 de Abril)um pouco parecida e que se centrava sobre «como é que se pode ser «comunista e católico ao mesmo tempo?»; e a resposta que se costumava dar para esta também serve para a pergunta de Duarte Calvão ; e a resposta era e é «SENDO!», ou seja, eles estão aí aos milhares e só isso já responde à pergunta e lhe tira sentido e eficácia. Neste contexto, a pergunta acaba por ser um exemplo típico de, em vez de se partir da realidade para a tese, se quer antes torcer ou negar a realidade até ela, coitada, se encaixar no esquema mental pré-concebido.

    A 2ª coisa que queria dizer é que a pergunta tem subjacente determinadas avaliações, juízos e imagens sejam sobre o PCP e os comunistas portugueses, seja sobre o que é a sua ideologia, seja sobre as experiências internacionais de tentativas de construir o socialismo. Ora em todas estas matérias, mesmo com variantes de grau, o problema é que os comunistas não se reconhecem nessas imagens, juízos e avaliações e acusam mesmo os seus detractores de muita falta de informação sobre o seu verdadeiro patrimómnio de luta, de reflexão, de orientação e de propostas.

    A 3ª coisa é que os comunistas portugueses são a única corrente política e os únicos homens e mulheres portugueses que parece terem de assumir responsabilidades pelos erros e crimes que, em nome dos ideais comunistas mas na verdade negando-os e corrrompendo-os, foram cometidos há décadas e a milhares de quilómetros de distância.Parece pois que só PCP tem ou teve afinidades e solidariedades internacionais. É com base nesta falsidade e entorse que, por exemplo, não passa pela cabeça a ninguém responsabilizar Pacheco Pereira, Ana Gomes, Durão Barroso ou Jorge Coelho pelos milhões de mortos da revolução cultural chinesa e do maoismo. Ou responsabilizar os socialistas portugueses pelos crimes das guerras coloniais da França na Indochina e na Argélia em que os socialistas franceses estiveram envolvidos. Atenção : eu acho muito bem que isto não se faça porque é um absurdo e uma injustiça: acho é que também não se deve fazer isso com os comunistas portugueses.

    A 4ª é que, como bem lembrou aqui Fernando Caldeira, a maior parte dos opinantes que aqui apareceram não conhecem o Mário de Carvalho não só como escritor mas enquanto cidadão e político, filiado no PCP durante 40 anos.É que ele, que há uns anos estava em divergência e conflito com orientações adoptadas pelo PCP, nem por isso deixou de em muitas ocasiões explicar porque razões continuava no PCP, invocando designadamente todo um património de afectos, de combates travados, de certos dos melhores traços desta comunidade política. Sem falar explicitamente do PCP, foram ideias dessas que estiveram muito presentes no tocante testemunho e intervenção que ele fez, por exemplo, no lançamento (e no prefácio) do livro de histórias da resistência recentemente publicado por Helena Pato com o título «Saudação, Flausinas, Moedas e Simones» (ed. Campo das Letras).

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  31. Como de costume, está visto que não conseguiremos ir muito longe nesta tentativa de diálogo compreensivo.
    Por isso, só mais umas achegas:

    - quando eu falo de «património de afectos» não é por acaso que, logo a seguir escrevi «de combates travados»; considerar que uma referência deste tipo corresponde a uma «amálgama entre vida privada e política» que seria « típica de partidos comunistas» é, por distância e desconhecimento, não estar a perceber nada do que é uma experiência de participação num partido e designadamente no PCP. Não há «amálgama» nenhuma e o que é curioso é que a tese de Duarte Calvão
    é que empurraria para uma visão desumanizada e maquinal dos partidos de que o PCP é tão acusado mas que os comunistas em absoluto rejeitam.

    - eu não sei que idade tem o Duarte Calvão (mas bem vistas as coisas o problema não é de idade porque há quem tivesse idade para isso e então fechasse os olhos e tapasse os ouvidos),mas em 1990 o PCP fez um XIII Congresso Extraordinário só em torno da crise do campo socialista e onde há vastas autocriticas e demmarcações que não podem estar sempre a ser ignoradas;

    - e, já antes disso, em «O Partido com Paredes de Vidro» de Álvaro Cunhal, publicado em 85 (e obviamente escrito antes) há páginas suficientes para se perceber que o PCP não têm nenhuma identificação com o regime norte-coreano e relembro que o tão atacado Bernardino Soares declarou em 25.2.2003: "As concepções de democracia e de socialismo que no PCP defendemos para Portugal estão inscritas no nosso Programa.Quanto à Coreia do Norte é uma evidência que as concepções de socialismo e de democracia que defendemos estão nos antípodas das deste País, e que rejeitamos vigorosamente quaisquer tentativas para “colar” o PCP a experiências ou práticas pelas quais não é responsável e que são estranhas às suas concepções."

    - por fim, tenho pena que DC não tenha dito nada sobre o terceiro ponto do meu anterior comentário.

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  32. As pessoas que cita no terceiro ponto do seu comentário há muito que romperam definitivamente com os enganos da sua juventude, compreensíveis em parte por terem coincidido com um período de combate a uma ditadura de direita em Portugal e posterior efervescência revolucionária. Eu, que tenho 43 anos, também pertenci ao PT no Brasil que se libertava da ditadura no início dos anos 80 e cheguei a integrar, durante quase um ano, um partido trotskista, a Convergência Socialista. Mas hoje sei muito bem que, fora o ter combatido uma ordem injusta, não se aproveita nada daquilo que então defendia, aos 18 ou 19 anos.
    Eu nunca li os documentos do PCP que se demarcam dos tais regimes, mas, já depois de 1990, lembro-me dos dirigentes do PCP defenderem a tentativa de golpe contra Gorbatchov em 1991. E do contínuo apoio à ditadura cubana, que tortura e fuzila dissidentes, que prende intelectuais e jornalistas por delitos de opinião.
    No dia que eu vir os dirigentes comunistas dizerem alto e bom som (e não em reuniões à porta fechada) que Estaline foi um monstro assassino, que Honecker, Jaruselski, Ceausescu, Fidel Castro e todos os outros dirigentes dos "partidos irmãos" mais não foram do que ditadores sanguinários, não acredito na sinceridade de nenhuma alegada autocrítica, cheia de reservas mentais, de relativismos, de "dialécticas". Eu tanto condeno Hitler, Salazar e os ditadores militares brasileiros quanto o Trotsky em que um dia acreditei e que foi tão assassino, enquanto teve poder para isso, quanto os outros.
    Quanto aos afectos e ao tal património de combates travados, eu conheço suficientemente de perto, mais no Brasil do que em Portugal, é verdade, o modo de agir das organizações comunistas para saber como "o partido" toma conta de todas as instâncias das vidas dos seus militantes, da vigilância constantes para prevenir desvios burgueses, dos lugares que "deve" frequentar, dos escritores de que se "deve" gostar, etc, etc. E de como se diz que quem sai do partido, quem perde a pespectiva da "luta de classes", perde muito mais do que militância, perde amigos, "apoios" profissionais, "círculos de afecto". Ou Leonor Simões não conhece as histórias dos dissidentes dos partidos comunistas, de John dos Passos a Zita Seabra?

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  33. Duarte, sugiro-te que autonomizes este teu último comentário, transferindo-o para o corpo central do blogue, em forma de postal. Tem interesse mais do que suficiente. Abraço.

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  34. Pois claro, senhor Pedro Correia: isto é que são bons conselhos «democráticos».
    O Duarte Calvão «autonomizava» o seu último comentário e os dois comentários de fundo feitos pela Leonor Simões continuavam aqui na arrecadação ou na cave.
    Confio que o Duarte Calvão tenha mais sentido democrático de equidade e pluralismo do que a sugestão de Pedro Correia.

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  35. Está a ser injusto com o Pedro Correia, Fernando Caldeira. Tenho a certeza que a intenção dele não era essa, já que, tal como eu, adora um a boa discussão. De qualquer maneira, e agradecendo a sugestão ao Pedro, não vou "autonomizar" o meu comentário. Mas é evidente que um dia destes algum novo post pode dar origem a uma discussão neste género e, se for pertinente, farei o link.

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  36. Antes de mais também não conheço o escritor Mário de Carvalho nem a sua obra literária.Mas acho que como sempre só falam dele porque ele pelos vistos abandonou o PCP,tanto que o próprio autor deste post também não o conhece.
    Em relação ao que o escritor António Lobo Antunes referiu na entrevista realizada por Judite de Sousa "... Como é que alguém pode ainda ser Comunista?... " eu pergunto: Mas em que Mundo vive este senhor? Eu sei que o trabalho literário exige por vezes um grande isolamento, agora penso que é lamentável com o actual estado da situação nacional e mundial um homem com esta inteligência afirmar e desculpem a expressão uma "barbaridade" destas. As desigualdades sociais acentuam-se a um ritmo alucinante não só em Portugal como em grande parte do nosso Planeta,o tráfico humano cada vez é maior e quiçá idêntico á época esclavagista.Os Estados Unidos fazem o que querem e lhes apetecem afirmando-se como um Império que não respeita nada nem ninguém que se atravesse no seu caminho, violando as normas mais básicas do direito internacional.Quantos iraquianos é que já morreram desde a invasão do Iraque por causa de uma mentira corroborada pelo Governo Português de então PSD/PP e pelo nosso actual Comissário Europeu Durão Barroso? Ao sr.Duarte Calvão digo-lhe o seguinte a Coreia do Norte tem todo o direito tal e qual como o Irão de ter um programa nuclear porque os países que mais os censuram são precisamente os que detém esse poder abominável e com uma superioridade deveras atroz, logo porque é que não haveriam de ter.Quanto ao resto que lá se passa se é verdade o que dizem (porque sinceramente as fontes não são lá muito credíveis)sou absolutamente contra porque primeiro deve estar sempre o bem-estar do povo.Em relação a Cuba acho que o sr. devia ler o relatório do Banco Mundial(até parece mentira visto ser uma organização capitalista) sobre o que se lá passa para ficar elucidado, acho estranho é esse relatório nunca ter sido publicado na imprensa portuguesa.Quanto ás prisões de jornalistas por delito de opinião acho condenável agora a tortura não acredito que seja aplicada por Fidel,essa é verdadeiramente aplicada é no outro extremo da ilha em Guantanamo.Mas por falar em delito de opinião então e o caso Marcelo?E as pressões que os jornalistas sofreram nos Estados Unidos após o 11 de Setembro quando quiseram investigá-lo? Em relação ao que diz sobre o controlo da vida dos militantes por parte do Partido vai ter que me desculpar mas você anda muito mal informado, porque se há um aspecto em que o Partido não interfere é na vida privada dos militantes isso são considerações absolutamente ridículas e sem nexo. Em relação aos dissidentes há pessoas que realmente ficam chateadas com isso e quebram-se laços afectivos que existiam, tal e qual como há outras que apesar de não concordarem respeitam as opções que os dissidentes tomaram e continuam a manter os laços. Para seu conhecimento esta questão não tem nenhuma norma partidária, cada qual opta pela sua conduta.Eu pessoalmente tenho muitos amigos de direita e eles respeitam a minha opinião e eu respeito a deles e o mesmo acontece nos casos de dissidência.Em relação aos "apoios profissionais" isso é apanágio de outros Partidos ou a expressão "Jobs for the Boys" não lhe diz nada.Um facto interessante sobre esse aspecto é precisamente o inverso que afirma, normalmente quando há dissidências no PCP os dissidentes têm logo "apoios profissionais" é dos outros Partidos com representação parlamentar. A Zita Seabra foi logo nomeada Presidente do ICAM e logo por acaso censurou o filme 5 Dias 5 Noites do José Fonseca e Costa baseado no obra de Àlvaro Cunhal que poderia ter concorrido a melhor filme estrangeiro nos Òscares de Hollywood. O sr.Pina Moura foi Ministro das Finanças. O José Luís Judas foi eleito Presidente da Cãmara de Cascais pelo PS. Outro aspecto que é importante relembrar é que se hoje há liberdade o Partido que mais contribui para esse facto foi o PCP e os seus militantes ao contrário de outros que faziam uma oposição moderada e outros até faziam parte das estr

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