domingo, 27 de agosto de 2006

Coitadinho do renovador

Não me faz pena nenhuma ver o Carlos Sousa ir embora da Câmara de Setúbal. Viveu pelo partido, morreu pelo partido, e não percebo como é que ainda há comunistas "renovadores" dentro do PCP. Como é que alguém pode ser considerado como tal e assistir impávido e sereno a todas as expulsões, purgas, perseguições e difamações que os comunistas sempre fizeram aos seus próprios camaradas que se afastavam da linha oficial? Agora, foi a vez dele. Não foi o primeiro e não será o último. Também me parece absurdo, como o meu partido, o PSD, quis inicialmente (e o meu amigo Pedro Correia aqui defendeu), antecipar eleições. Temos que perder esta mania terceiro-mundista de achar que se vota em "pessoas" (salvo, evidentemente, para a presidência da república) e não em listas partidárias, tanto mais que agora há a possibilidade de quem quiser concorrer em listas de independentes. O PCP tem todo o direito de indicar o sucessor de Sousa desde que o faça dentro das regras. Se a Justiça provar que houve tantos envolvidos naquela tramóia que já não há quem possa tomar conta do cargo, aí então que se façam eleições.
O que mais me irrita no meio de tudo isto é que até sexta-feira (não li os jornais de fim-de-semana, salvo o DN de ontem), não tinha visto ninguém explicar-me quanto é que custou aos contribuintes a antecipação das reformas dos funcionários da Câmara de Setúbal. Quanto é que o "renovador" gastou do dinheiro dos impostos dos portugueses para beneficiar um pequeno grupo, fazendo a chamada "cortesia com chapéu alheio"?

10 comentários:

  1. Como é óbvio, Duarte, nesta matéria pensamos de modo muito diferente. Vivemos em democracia, não em partidocracia. Os partidos não podem pôr e dispor dos seus militantes, como se fossem fantoches. E não devem tratar os eleitores com a falta de transparência que o PCP revelou em Setúbal, fazendo "saltar do banco" uma senhora que ninguém conhece, substituindo o titular da equipa por motivos que achou por bem não divulgar.

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  2. Caro Duarte,
    Estou de acordo com o Pedro. Desde sempre que, ao nível camarário, se votou em candidatos e não em partidos. E, dada a proximidade com quem vota e a responsabilização exigida aos eleitos, acho muito bem que assim seja.
    Abraço

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  3. Caro Duarte: Parece-me que nesta como noutras questões da política à portuguesa há a forma e o conteúdo. É certo que formalmente votamos em partidos, mas na eleição do presidente da câmara os partidos normalmente apresentam-se escondidos “por detrás” de promissoras personalidades e carismáticos líderes. A desistência e consequente substituição deste por uma eminência parda do aparelho defrauda os eleitores, e é mais um passo na descredibilização dos políticos e do regime que os sustenta.

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  4. Caros amigos corta-fitas, se os eleitores andam à procura de heróis que resolvam tudo é problema deles. Nas eleições autárquicas e legislativas, vota-se em listas partidárias que defendem programas de governo local ou nacional. As pessoas que integram essas listas são escolhidas dentro das lógicas partidárias e aceitam-nas, como foi o caso de Carlos Sousa em Setúbal. Quem não quiser participar nesse jogo, concorre como independente e Carlos Sousa, como fizeram outros, poderia tê-lo feito. Se os eleitores andam a votar em "pessoas", estão enganados e convém que isso seja esclarecido. Depois não se queixem de que a política anda muito "personalizada" e que os eleitores ligam mais para "carismas" e "populismos" do que para ideologias e programas de governo.

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  5. Enquanto funcionário de uma autarquia gostaria de dizer que assistem razões as ambas as partes.
    Penso que o Duarte Calvão tem razão quando defende a "desfulanização" do voto. Os "perigos" são por demais conhecidos (Felgueiras, etc.) para serem ignorados.
    Isto não quer dizer que não concorde com as críticas à "partidocracia" do regime, e à falta de "transparência" no relacionamento com o... "povo eleitor".
    Só não percebo é esta história do "renovador"?
    A história dos autarcas “renovadores” é outra, e muito diferente…

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  6. O Duarte Calvão esquece um pormenor que não é de somenos: em autárquicas, os cidadãos elegem DIRECTAMENTE os presidentes da Junta e da Câmara.

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  7. E o José Carlos Gomes esquece outro: os candidatos são DIRECTAMENTE indicados pelas estruturas partidárias.

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  8. E porque indicam podem depois trocar as voltas aos eleitores sem os consultar outra vez?

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  9. Se o Carlos Sousa cometeu uma ilegalidade, como parece que cometeu, quem trocou as voltas aos eleitores foi ele. E se o sistema prevê que o presidente de uma Câmara ou de uma Junta seja substituido sem recurso a novas eleições, é bom que, ao votar, os eleitores não depositem todas as esperanças numa só pessoa, mas sim nas propostas que a lista que ele integra defende. Andar atrás de Messias ou Super Homens (ou Mulheres) autárquicos é sinónimo de subdesenvolvimento democrático.

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  10. EhEhEh, atão agora descobre-se que para a CML o Povo nunca votou no Pedrocas, foi na lista.

    As santanetes votaram todas na lista, ahahah.

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