segunda-feira, 17 de julho de 2006
Maiúsculas. Por favor
À Fernanda Câncio, à pessoa que assina Ni e a outras que escrevem nos blogues sem maiúsculas. Por favor, voltem a usá-las. É que, sem elas, eu tenho que fazer um esforço enorme para perceber onde as frases começam e acabam, confundo pontos com vírgulas, e acabo por não ter paciência para ler os posts. E, acreditem, tenho pena. Eu respeito o estilo de toda a gente e acho que a blogosfera é um espaço de liberdade total, onde, ao contrário dos jornais (que são vendidos a pessoas que não têm nada a ver com as idiossincrasias de cada um de nós, jornalistas), podemos escrever como nos der na real gana, inclusive com erros. Mas todos queremos que compreendam o que escrevemos. Se as maiúsculas existem, por alguma razão é.
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afinal o que é que você tem contras as letras minúsculas, senhor duarte calvão?
ResponderEliminaró calvão você é mesmo um tótó
ResponderEliminarTentarei, então, pôr maiúsculas. Mas é bem mais simples e rápido não as pôr. Deixo aqui um artigo saído hoje no DN e escrito pelo José Manuel Barroso. Gosto principalmente da parte onde ele refere fazer "parte da minoria dos jornalistas que pensam haver um crescente divórcio entre jornalismo e sociedade" e "Se os jornalistas tivessem obrigatoriamente de estar "do outro lado", apenas algumas semanas, teriam a exacta noção da crueldade irreversível de uma notícia errada ou mal defendida". Infelizmente, os jornalistas têm o mesmo defeito da grossa maioria dos políticos (que nunca fez mais nada na vida) ou da esmagadora maioria dos professores (que nunca sairam da escola). Sair da escola para microcosmos só divorcia.
ResponderEliminarCompreender o jornalismo e o leitor
José Manuel Barroso
Jornalista
Será possível compreender o jornalismo? E os jornalistas? E a relação dos jornalistas com os leitores? Estrela Serrano, ex-jornalista , ex-assessora da Presidência no tempo de Mário Soares, professora universitária e actual membro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, publicou recentemente um interessante e vivíssimo livro sobre estes temas (e outros afins), o qual merece ser lido por jornalistas e não jornalistas. Merece mesmo.
Quando estive presente na sessão de lançamento da obra, prometera a mim próprio escrever sobre o livro (logo, sobre essa temática). E, após reler os textos que, enquanto provedora dos leitores, ela publicou no DN esse desejo cresceu. É que eles são deveras estimulantes para jornalistas e para não jornalistas. Mas o tempo corre, os temas que um quinzenal cronista, como hoje sou, vai agendando em mente vão-se acumulando e, no dia de cumprir calendário, muitas vezes um tema mais actual ou mais à mão cavalga o outro. Foi o que sucedeu comigo - e daí só hoje ter metido mãos à obra.
A Estrela Serrano tem uma vantagem óbvia, ao abordar estas temáticas: já esteve do lado de fora e do lado de dentro, conhece o mundo dos media na sua diversidade e riqueza e - porque não dizê-lo? - na sua perversidade. E estudou e estuda esse mundo do ponto de vista teórico. Os textos do seu Para Compreender o Jornalismo (assim se chama o livro, editado pela Minerva) resultam de um saber de experiência feito, de alguém que encara o jornalista e o leitor sem o deslumbramento de um ou a indignação fácil do outro. E, por isso mesmo, é capaz de, a uns e a outros, dar o nome às coisas.
Dar o nome às coisas não é tarefa fácil, sobretudo por não ser entendível, na sua simplicidade, pelo jornalista e/ou pelo leitor.
De um modo geral, os jornalistas não amam o provedor. Serem criticados ou censurados pelo provedor nas páginas do "seu jornal" é encarado, normalmente, como humilhação pública. O leitor, por seu lado, espera do provedor aceitação automática da sua eventual razão de queixa - e verificar que tal não sucede não aumenta a sua estima por ele. Mesmo assim, estou crente, pela experiência que tenho das redacções (e não falo apenas da minha experiência no DN), que a maioria dos jornalistas riscaria com o maior gosto o provedor do mapa do jornal. O que talvez não seja verdadeiro para a maioria dos leitores.
Somado o que atrás expus, talvez tenhamos como resultado a indiscutível utilidade da figura do provedor, na sua função de regulador e de (que palavra escolher?)... educador. De uns e de outros. Na sua crónica semanal, naquele número de caracteres que o jornalista olha por vezes de soslaio, o provedor, armado apenas do poder da palavra, rectifica excessos, critica erros de quem faz notícias. E o mesmo singelo poder lhe serve para fazer justiça ao reparo ou à queixa do leitor ou lhe explicar - explicando o jornalismo e a relatividade da tarefa do jornalista - o porquê da sua não razão e o porquê da correcção do texto jornalístico posto em dúvida. Neste sentido, o provedor é um mediador e um pedagogo. Jornalistas e leitores aprendem com ele e essa aprendizagem é determinante para que uns e outros entendam quanto, como subl
De onde se conclui que errar também é desumano.
ResponderEliminarEscrever sem maiúsculas tem (pode ter) uma interpretação grafológica bastante interessante.
ResponderEliminarAI SIM, SR JOÃO TÀVORA? QUER-NOS ELUCIDAR? bom, duartinho. nisto estou como a/o ni: é mais simples, é mais rápido e, sobretudo, é (digo eu) mais bonito. posso propôr-te que aumentes a graduação das tuas lentes de contacto azuis? (sim, que tu tens os olhos cor de rosinha)
ResponderEliminarCalma, Fernandinha, calma. Foi só uma sugestão. Agora essa das lentes de contacto "cor de rosinha" e olhos azuis é que não percebi. Há quem diga, com alguma razão, que vejo o mundo em tons "laranjinha", mas "cor de rosinha" é que nunca. Aliás, uso óculos e a cor dos meus olhos, vá lá se saber porquê, é por vezes comparada ao verde-fundo-de-garrafa.
ResponderEliminarClaro que eu o entendi só como uma graça, Fernanda. Agora que um dia destes também vais levar com um post sobre essa mania do inglês no meio das frases, à isso vais. Como se não bastassem as minúsculas por todo o lado...
ResponderEliminarEstava a brincar! A grafologia apenas aborda a escrita MANUSCRITA.
ResponderEliminar(As maiúsculas são “um cumprimento”, um "com licença, que eu vou falar” revelam normalmente a sensibilidade e a nobreza do escriba).
drªa fernanda câncio, gostei imenso de saber que é fã da côr laranja. tomarei a liberdade de lhe enviar uma ficha de inscrição no meu partido.
ResponderEliminarcom os meus cumprimentos (e a letra minúscula que ambos muito apreciamos, talvez não pelos mesmos motivos),
luís
preferez vous le français, cher duarte? j'aime bien des mots françaises, aussi, même si pas beaucoup la cuisine française. si tu veux... (ao anónimo luis marques mendes: cor não tem acento circunflexo. eu é que tenho)
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