sexta-feira, 23 de junho de 2006

Nunca seremos espanhóis

Como é habitual, o Luís Naves escreveu um post muito interessante neste blogue, desta vez sobre o novo estatuto catalão. A ideia está bem defendida, como, aliás, estão outras de muitas pessoas que nos alertam para o iberismo, o perigo de nos tornarmos numa região espanhola, o centralismo de Madrid, etc. Mas todas estas ideias, sustentadas muitas vezes por estudos, números, livros e por aí fora, esbarram numa simples realidade: nunca fomos espanhóis, não somos e nunca seremos, até onde nos for possível antever o futuro. Temos uma hiperidentidade, construída contra Espanha. Para o bem e para o mal, (quase) nenhum português aceitaria qualquer domínio espanhol, por muito que nos momentos infelizes, como os de agora, possamos andar a resmungar entre nós que se fôssemos parte de Espanha é que estávamos bem, que eles vivem melhor, que isto não tem saída, etc, etc. Há construções intelectuais que atingem proporções por vezes assustadoras, mas que perdem qualquer sentido quando voltamos à terra e olhamos para quem nos rodeia. Neste caso, basta olhar para os portugueses.

9 comentários:

  1. Claro. Concordo totalmente contigo.

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  2. Caro Duarte:
    Sábias palavras. Sem mais!

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  3. De Espanha vêm ideias boas. Gosto dos espanhois. Mas tenho orgulho em ser portuguesa.

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  4. Mas quem é que quer ser espanhól?
    Nem eles sabem o que isso é!

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  5. Duarte, concordo com a ideia de que a nossa identidade é construída em oposição à da Espanha. Portanto, quanto menos Espanha existir, menos sentido faz a construção dessa mesma identidade. Era essa a tese no meu post

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  6. Ao fim de quase nove séculos com praticamente as mesmas fronteiras, a nossa identidade está mais do que construída. Como a Espanha é uma construção bem mais recente, mas não tão frágil como alguns imaginam, eu deveria ter dito que a nossa identidade foi construída contra Castela. E como é que achas, Luís, que se, por absurdo (no fundo, ninguém lá quer isso e metade absteve-se no referendo),a Catalunha se tornasse independente, nós consentiríamos no domínio de Madrid?

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  7. Si, cariño, si, si, si!

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  8. O meu comentário a esse post (como deverá ter entendido) era um tanto ou quanto messiânico. Na mesma senda farei alguns posts sobre o assunto, os quais o convido desde já a ler... Visionário é também o seu «nunca fomos espanhóis, não somos e nunca seremos, até onde nos for possível antever o futuro»... O Iberismo não defende que o sejamos, mas que sejamos todos Ibéria...
    «Temos uma hiperidentidade, construída contra Espanha», concordo e essa é uma forma de sujeição (no sentido de Arno Gruen) que nos faz mais ibéricos ainda... ou se preferir espanhóis... Se olhar para a nossa história, o que nunca fomos foi Europa.
    Não há um só tipo de português, como não o há de espanhol, por isso o seu argumento não é de grande honestidade.
    Por motivos económicos, de organização e gestão de território, entre outros, Portugal e Espanha só teriam a ganhar com a Ibéria... Mas não é por aí que quero que vamos...
    Agradeço-lhe no entanto este direito de resposta e ao mesmo tempo este post ser um incentivo para aprofundar um tema que já é de meu interesse há muito (conto tratá-lo em futuro romance). Mas como o vou fazer no meu blogue, teria muita honra que lá passasse de vez em quando para me rebater... Mais me honraria trouxesse a equipa toda do corta-fitas para me desancar. Se vierem alguns dos seus leitores também não deverá haver problema...Fecham-se as janelas.

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  9. Caro Nils, agradeço o seu interesse pelo meu post e os comentários, mas creio que é uma inutilidade discutir a Ibéria, por muito que ela traga vantagens económicas, ou que não haja motivos étnicos ou linguísticos ou de outra ordem que justifiquem a separação entre Portugal e Espanha. Nunca haverá União Ibérica porque as pessoas, em Portugal, simplesmente não querem, assim como em Olivença não querem ser portugueses por muitas razões históricas que houvesse para isso. E há sim um tipo único de portugueses, tal como há cada vez mais catalães que sentem orgulho nacional espanhol quando o Fernando Alonso ganha (creio que ele é asturiano) ou galegos envaidecidos com o desenvolvimento económico da Espanha como um todo.

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