segunda-feira, 15 de maio de 2006

Uma manifestação nojenta

Não li nem os jornais nem os blogues neste fim-de-semana, por isso a minha indignação pode ser apenas do género chover no molhado, mas a verdade é que poucas coisas me meteram mais nojo do que uma manifestação de "nacionalistas", em Vila de Rei, contra os brasileiros que lá se foram instalar a convite de uma autarca portuguesa democraticamente eleita. Como é possível que um governador civil, ou lá quem autoriza estas coisas, o permitiu? Não tenho nada contra manifestações pacíficas que defendam ideias radicais (ia dizer até de fascistas, mas não tenho claro que a tolerância democrática possa chegar a esse ponto), mas nunca direccionadas contra pessoas concretas cujo "crime" é serem estrangeiros ou algo no género. Em directo na SIC Notícias (que acho que fez mal em ter dado tanto destaque ao caso, mas isso é outra discussão), o líder desses cretinos afirmou hipócrita e cobardemente que nada o movia contra os brasileiros, mas sim a defesa do interesse de Portugal. Então porque é que foi para Vila de Rei fazer uma manifestação e não a fez em Lisboa ou no Porto? Para hostilizar pessoas que querem vir para Portugal ganhar honestamente a vida, tal como milhões de portugueses o fizeram e fazem no Brasil? Espero que os brasileiros não tomem a indiferença com que foi recebido, por parte de autoridades e líderes de opinião, este acto sinistro, como um sinal de que a nossa tradição universalista esteja a acabar às mãos de patetas que importam de países xenófobos, como nós nunca fomos ao longo da história, ideias que os portugueses - de esquerda, direita ou centro - sempre tiveram a sabedoria de recusar.

11 comentários:

  1. TEM TODA a razão caro Duarte! Foi de facto uma lamentável manifestação de boçalidade “tuga”.

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  2. O fim da Idade da Inocência


    José Medeiros Ferreira jmedeirosf@clix.pt
    Professor universitário
    O lançamento do livro de Manuel Maria Carrilho Sob o Signo da Verdade marca sem dúvida a actualidade política. E marca a actualidade política porque coloca, para além dos episódios e das interpretações particulares, a questão mais geral das relações obrigatórias entre políticos e jornalistas em regime democrático e de liberdades públicas. A maior ou menor qualidade desses regimes afere-se, em parte, pela transparência dessa relação. O livro de Carrilho é por si só o testemunho de que entre nós há um hiato entre o que os protagonistas políticos querem transmitir e o que chega ao grande público através dos principais meios de comunicação social.

    Repito: o testemunho é bem-vindo para além da maior ou menor justiça de apreciações feitas por Carrilho e da própria subjectividade envolvente. É bem-vindo pelos problemas que coloca e pela coragem pessoal que revela, pois afrontar a comunicação social e seus agentes, mesmo que circunstancialmente, é expor-se a uma bateria de represálias que qualquer político, cioso da sua carreira e da sua reputação, evita por regra. Muitos ficam à espera de serem compensados mais tarde pelo jogo volúvel das modas opinativas, ou ficam cativados pelos favores do gosto jornalístico no passado. E, de facto, quantos ídolos da praça pública foram exaltados pela comunicação social e depois se revelaram efémeros, fracos, ou sem qualquer substância?

    Que me lembre, e para além do que se possa ensinar nas universidades, apenas um jornalista ousou analisar alguns casos de pura reacção corporativa dos jornalistas perante um ataque à comunicação social por parte de um político.

    Foi Oscar Mascarenhas, e um dos casos analisados foi a minha denúncia, em Julho de 1975, do tratamento que era dado aos trabalhos da Assembleia Constituinte nos jornais O Século e Diário de Notícias.

    Por essa ocasião, um reputado homem dos jornais como era Francisco Mata chegou a escrever n'O Século que eu podia ter assinado a minha certidão de morte política com aquela intervenção, pois bastaria aos jornalistas colocar por norma o meu nome na rubrica dos "entre outros" para eu desaparecer da cidade. Ao olhar para a reacção de alguns colegas na altura percebi que eles já me rodeavam como num velório…

    Por isso também fiz questão de corresponder ao convite para estar presente no Salão Nobre do D. Maria II no lançamento do livro de Manuel Maria Carrilho, e até essa presença de figuras políticas foi já alvo de leituras enviesadas, como se isso fosse passível de condicionamento! O quarto poder é um poder bem real e capaz de retaliar nos pequenos detalhes.

    Talvez não interesse saber ao certo como chegámos até aqui. Foi uma evolução que partiu das gazetas ideológicas ou apenas partidárias para os órgãos de grandes custos fixos como uma certa imprensa, rádios e televisões, onde impera soberano o "critério jornalístico" que Carrilho aprisionou na designação de "Conselho de Redacção Único" e que leva à harmonização ou à uniformização da opinião pública.

    Também Mário Soares na sua última campanha presidencial denunciou alguns dos vícios instalados no funcionamento do quarto poder em Portugal, embora tivesse apontado mais para os aspectos empresariais do que para os aspectos jornalísticos. Tomei então essas críticas, e escrevi-o, como o resultado de uma previsão sobre um problema futuro na qualidade do regime democrático. A comunicação social e os jornalistas ocupam nos nossos dias o espaço de influência sobre a opinião outrora exercida pela Igreja e seus sacerdotes. Por isso a nossa sociedade é uma sociedade de comunicação sem réplica assegurada. As tiranias começam assim.

    Depois de se ler o livro de Carrilho é impossível continuar a ignorar, por exemplo, a existência e o papel das chamadas "agências de comunicação", um bom tema para a recém-empossada entidade reguladora da comunicação social iniciar as suas ansiadas actividades.
    <br

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  3. Embora não esquecendo o posicionamento notoriamente á direita da SIC N, bem como , e sejamos claros, da Impresa, o que é estranho na SICN é que são capazes de tratar com maior imparcialidade (e bem) um comicio do PRN do que a campanha de qualquer politico democrata do sistema vigente, ora isto dá que pensar.Olá se dá.

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  4. A manchete falhada
    O Jornal de Notícias entrevistou o ministro Manuel Pinho e, matreiro, perguntou:
    - Chega estoirado ao fim do dia?
    Resposta:
    - Nem sequer tenho tempo para pensar se estou cansado.

    Infelizmente, o jornal não seguiu os bons exemplos e perdeu a oportunidade para mais uma bela (e fidedigna...) manchete da história do jornalismo português: Manuel Pinho sem tempo para pensar.

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  5. Cem por cento de acordo, Duarte.

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  6. E também não se percebe porque não vai fazer manifs para os estádios (ou ao menos os treinos) de equipas portuguesas onde os futebolistas brasileiros jogam.

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  7. outra parte triste da manifestação é que já encontrei gente que habitualmente tem juízo a concordar com os manifestantes

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  8. Calvão, você esquece qual é o motivo do protesto. É que a Câmara de Vila de Rei trouxe os brasileiros dando-lhes não só emprego mas também casas. Se fizessem o mesmo aos portugueses certamente não faltariam candidatos...

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  9. É incrível como meia dúzia de brasileiros podem incomodar tanta gente. E é de lamentar que essa mesma gente mereça directos na televisão... Concordo em absoluto consigo.

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  10. Um dos anónimos escreveu em comentário que o problema era a câmara dar casas aos brasileiros. Há anos que portugueses recebem casas de borla do Estado, por isso o argumento não cola, senhor Salazar (desculpe lá como não gosto da palavra "anónimo", tive que lhe inventar um nome, foi o que me saiu).
    Post pertinente Duarte

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  11. Gostava de ter visto esses gajos a manifestarem-se quando o Deco foi naturalizado português para jogar na nossa selecção.

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