terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Obrigado republicanos

Sou leitor da revista Atlântico desde o primeiro número e continuarei a ser com a nova direcção. Comecei agora a ler a óptima edição de Fevereiro, mais atenta à nossa actualidade do que as anteriores, e gostei muito do artigo de Rui Ramos, intitulado "Cavaco visto pela direita", que, como é habitual do autor, nos faz pensar. Apesar de não concordar com tudo o que vem lá, cito uma parte que me interessou bastante. Diz Rui Ramos. "O caminho de Cavaco Silva deveria ser o de restaurar a presidência da república como 'poder neutro' (para citar Benjamin Constant), que é a natureza que convém à instituição, e que os últimos mandatos de Eanes, Soares e Sampaio comprometeram".
É claro que eu como monárquico acho que o que "convém" à instituição é extinguir-se e que é impossível, com ou sem Cavaco (em quem votei), ser um "poder neutro". Além de nunca ter lido Benjamin Constant e de só conseguir fazer análises políticas em registo de conversa de café, o único ao meu alcance e aquele que mais se adequa à blogosfera, acho que Rui Ramos tocou no ponto essencial do que eu escrevi no post "República triste".
Na mesma edição, João Pereira Coutinho começa o seu artigo com a seguinte frase. "As recentes presidenciais transformaram-me num monárquico". Julgo que ele não está a brincar e compreendo-o bem. A mim, quem me transformou num monárquico foi Mário Soares no seu segundo mandato.

8 comentários:

  1. Já agora... Na tua opinião, quem é que seria um bom rei para Portugal?

    ResponderEliminar
  2. D. Duarte de Bragança. Mas o que é importante é a instituição, não é o indivíduo, porque numa monarquia constitucional, como as que existem na Europa, os poderes do rei estão bem determinados. O que é importante é que o chefe de Estado monárquico é de facto independente perante o jogo partidário, coisa que nas repúblicas raramente acontece. Então na portuguesa nem se fala.

    ResponderEliminar
  3. Dizes D. Duarte. Muito bem, mas conheces as alternativas?

    ResponderEliminar
  4. Não. Mas não creio que sejam necessárias.

    ResponderEliminar
  5. Sim, é necessário. Desde que d. Manuel II morreu, sem sucessão, há questões legais que devem ser resolvidas. Para não começar mal tudo outra vez... Até pode ser D. Duarte, mas não há informação entre a população para a legítima aclamação. Não enquanto não conheceres as alternativas e as discutires democraticamente e legalmente. As cortes é que vão decidir. Se quiseres, como este espaço não é grande para a discussão mais alargada, podes enviar-me um mail e mando-te mais informação sobre o que está em causa... paramimtantofaz@gmail.com
    um abraço monárquico

    ResponderEliminar
  6. Então depois falamos. Mas antes de passarmos para a esfera privada, é importante dizer aos que nos lêem que não me parece que haja na população, mesmo entre a mais culta, informação suficiente sobre nada que diga respeito à monarquia. A não ser meia dúzia de estereótipos alimentados por décadas de má educação republicana e, nalguns casos, ressentimento social.

    ResponderEliminar
  7. (...)décadas de má educação republicana e, nalguns casos, ressentimento social (...)
    Presunção e água benta! Retrógradas e patéticas criaturas!
    Moz

    ResponderEliminar
  8. Infelizmente, caro anónimo, o duarte calvão tem razão...

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...