quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Tolices

Sim, eu dedico-me a contrariar os Rolling Stones (Who wants yesterday's papers) e à tolice de ler jornais atrasados.


E é assim que chego ao editorial do Público de 24 de Dezembro.


É certo que, logo nesse dia, olhando para a capa, sabia que vinha aí outra vez arroz, mais um artigo de Rafaela Burd Relvas a falar, criativamente, de preços de casas, com base num relatório do INE ("Casas já subiram mais 27% desde o primeiro pacote de medidas do Governo").


A tese implícita neste título é a do costume: a de que são as políticas públicas que definem o preço das coisas que, neste caso, Rafaela Burd Relvas leva ao cúmulo de achar que o anúncio de uma medida (por exemplo, a alteração da fiscalidade sobre as rendas que ainda não está em vigor) deveria reflectir-se imediatamente no preço das casas.


Não tendo acontecido, Rafaela Burd Relvas conclui que a medida falhou, apesar de ainda nem sequer ter entrado em vigor. Não, não sou eu a inventar: "Desde a apresentação do Construir Portugal, e até ao final do terceiro trimestre deste ano, o índice de preços da habitação já registou um aumento de 26,8%. Considerando um período idêntico, mas durante o qual estas medidas não tinham ainda sido criadas, os preços das casas aumentaram em cerca de 14% entre o início de 2022 e o terceiro trimestre de 2023".


O que me interessa, neste post, não são os delírios de Rafaela Burd Relvas sobre o mercado imobiliário, o que me interessa é que a invenção criativa sobre habitação é uma opção do jornal, assumida em editorial.


Qual é o problema na habitação?


O acesso à habitação por parte de grupos sociais mais pobres, que atinge cada vez mais gente em consequência de uma subida dos preços das casas mais rápida que a subida dos salários.


O Público resolve ignorar que este é o problema e insiste que o problema é a subida do preço das casas.


No entanto, o Público vai dizendo, mas não integrando na sua interpretação do mercado imobiliário, que para além da subida dos preços, tem havido uma subida paulatina, embora menor, de transacções, o que significa que tem havido maior acesso, e não menor acesso à habitação, apesar do aumento de preços.


É verdade que este maior acesso é socialmente desigual, mas globalmente, há mais transações, logo, há mais acesso, até porque os suspeitos do costume (os tubarões estrangeiros que gostam de investir hoje à espera que um dia as casas atinjam preços estratosféricos, mantendo o investimento parado e sem gerar rendimento durante a espera) são uma percentagem mínima: essencialmente, quem compra e vende casas são as famílias que são responsáveis, quer como compradoras, quer como vendedoras, por quase 90% das transações.


Aliás, aparentemente o Público desconhece o facto da mesma família poder ser vendedora numa transacção e compradora noutra, porque para o Público os compradores que conseguem comprar casas a estes preços são abutres especuladores à espera de ficar milionários, e os proprietários são uma classe de exploradores da miséria alheia, vendendo a preços especulativos, ou pedindo rendas usurárias, sendo a generalidade da sociedade constituída por vítimas destes penhoristas, uns anjos sem mácula que não conseguem ter casa.


"importa dizer o óbvio: as políticas públicas falharam. O Governo respondeu à maior crise da habitação das últimas décadas com uma sucessão de incentivos fiscais dirigidos sobretudo a proprietários, investidores e promotores, como se o obstáculo central fosse a falta de estímulos ao mercado e não a escassez estrutural de oferta a preços compatíveis com os rendimentos ... A habitação não se resolve com medidas avulsas nem apenas instrumentos fiscais de curto prazo. Exige investimento público continuado, políticas urbanas consistentes, regulação eficaz do mercado de arrendamento e tempo político para colher resultados que não coincidem com ciclos eleitorais cada vez mais curtos".


Vamos esquecer a contradição do jornal que conclui que medidas que ainda nem sequer existem falharam ao mesmo tempo que realça a necessidade de tempo político para colher resultados e centremo-nos em coisas mais substanciais.


É natural que um jornal que vive da caridade de terceiros, isto é, que tem um funcionamento que está fora do mercado por ter os seus prejuízos da sua actividade pagos com os lucros da actividade de venda de feijão, omita, totalmente, o papel do investimento privado na gestão do problema de acesso à habitação.


O editorialista acha que não há nenhum problema de mercado, há só um problema de escassez estrutural de oferta, que não é uma questão de mercado porque se resolve, de acordo com o editorialista, com investimento público em casas disponibilizadas abaixo do seu preço de mercado, num contexto em que o Estado português tem os seus serviços públicos em ruínas, uma regulamentação de contratação pública inacreditavelmente castradora, um histórico de atrasos no investimento colossal e luta para não voltar a défices que terão de ser pagos no futuro.


Imaginemos que o Estado reduz, de forma relevante, a sua comissão no negócio de casas (outro nome para a redução dos impostos no sector), como pretende fazer o governo.


O Público acha mal porque os proprietários, investidores, promotores e outros párias da sociedade se vão apropriar dessa borla fiscal.


Imaginemos que sim, que dado o desequilíbrio entre oferta e procura, os proprietários, investidores, promotores e outros abutres exploradores estão em condições que ficar com a totalidade dos recursos de que o Estado resolveu prescindir para tornar o mercado mais atractivo.


Nessas circunstâncias, os proprietários, investidores, promotores e outros agiotas ganham mais em cada transacção, ou seja, o negócio torna-se mais compensador para esses capitalistas (que incluem 70% das famílias portuguesas, as que são proprietárias da sua própria casa) o que tenderá a atrair arrivistas que também querem subir na vida, explorando o filão do lucro fácil do mercado imobiliário.


O resultado global?


Aumento do investimento, aumento da disponibilidade de casas, aumento da oferta.


É oferta incompatível com os salários, gritará o Público do fundo do salão.


Sim, é bem possível, mas convenhamos que a proposta moralista do Público, o controlo administrativo dos preços e do mercado, tem, historicamente, sempre o mesmo resultado: escassez do bem ou serviço e a expansão dos mercados informais, mercados esses que são ainda mais penalizadores para quem não tem uma rede social extensa e socialmente mais poderosa.


Eu sei, eu sei, é sempre assim, estes amigos dos pobres, que estão mais interessados em acabar com os ricos que com os pobres, acabam sempre, sempre no papel de amigos, sim, não dos pobres, mas da onça.

44 comentários:

  1. O"púbico" e as sua redacçõzinhas...
    Um sub-produto (avariado) do sistema "educacional" pós 25A...
    Juromenha

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  2. Concordo com hps
    Felizmente entrei no mercado imobiliário como proprietário antes de ser pobre, agora nunca o conseguiria.
    Aos que ficaram e ficarão de fora, ou aguentam sem chorar, ou emigram para um país liberal.

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  3. «tolices no país das maravilhas» das 3 bancarrotas socialistas que o centro resolveu.
    dificilmente se encontram tantos comentadores de ideologias de esquerda por metro quadrado.
    o governo pagou quase 1.000 milhões de dívida pública para diminuir os juros de governos socialistas que nos últimos 30 anos duplicaram a mesma. estamos a pagar a destruição de 50 anos de empresas por serem de ricos. a inveja paga-se cara e o ódio também.
    pago a casa ou seja não vivo à custa da carteira dos contribuintes privados.
    «haja saúde e coza o forno!»
    Um Bom Ano para Si e para quem o merecer.

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  4. Não custa admitir que o Público seja ligeiro e apressado, parcial até, na análise.


    Mas é difícil compreender a sua aversão a que o Governo, possa disponibilizar bens a preço de custo, eventualmente abaixo dele, se entender que seja isso o melhor a fazer.


    Bem vistas as coisas o Governo foi eleito para Governar.

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  5. uma subida paulatina, embora menor, de transacções [...] significa que tem havido maior acesso [...] à habitação


    Não vejo o que tem a ver o cu com as calças.


    O facto de ter aumentado o número de transações significa apenas que maior número de casas tem mudado de dono - não significa que mais gente tenha ficado com casa para habitar.


    É muito simples: não se sabe o que é que as pessoas que compraram as casas fizeram com elas. Elas (as casas compradas) podem estar desabitadas. Ou não. Não sabemos.

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  6. O Estado Novo impôs, tabelou e controlou preços, e as crescente solidez da Economia permitiu a "prosperidade" da fase seguinte, Ed posterior entrada na "Europa".


    Controlos virtuosos ?

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  7. O Público vive de caridade? Pensei que tinha um dono, que investia lá o dinheiro que queria, tendo o retorno que dele espera. Se é por não ter lucro, bem, tudo quanto é instituto público vive de caridade. E da minha, que pelo menos para o Público contribuo zero...

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  8. Estão desabitadas, claro. É um excelente investimento comprar casas para as manter desabitadas, sem arrendar ou vender. Só mesmo cabeças classe "Betano" e/ou "Raspadinha" para opiniões deste calibre. 

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  9. E no entanto há quem leia... e pague para ler... mesmo sabendo à partida que só escrevem tolices. Também deve haver quem vai ao restaurante sabendo que a comida não presta e o serviço é péssimo, talvez...

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  10. Importa-se de citar em que parte do meu texto eu manifesto essa aversão?

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  11. As compras aumentam mas não há mais acesso, é a sua hipótese.
    Como também aumenta o crédito, a sua hipótese é que as pessoas se endividam para comprar uma casa, pela qual pagam balúrdios mensais em prestações, para as ter fechadas, é essa a procura que tem alimentado o aumento de preços?

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  12. Sugiro que leia o primeiro censo estatístico da habitação, para ter uma percepção melhor dos resultados.

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  13. Como o retorno não é financeiro é, evidentemente caridade (ou amor, como lhe queira chamar) visto que o investimento não tem interesse nenhum.

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  14. "O controlo Administrativo dos Preços e do Mercado, tem, historicamente, sempre o mesmo resultado"

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  15.  Francamente. 


    O carácter não financeiro do retorno, não exclui outras formas de valor.


    "Publicidade" ?


    Prestígio ? 


    Continuar uma iniciativa do Patriarca Belmiro de Azevedo.

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  16. Evidente 
    O único retorno possível de um investimento é financeiro. Aprende-se na escola. O resto é caridade

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  17. Para o empresário hps a única forma de valor é guito.

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  18. É oferta incompatível com os salários, gritará o Público do fundo do salão.


    Claro que não é, a maioria da população,  retirando os pobres, têm liquidez salarial mensal para cumprirem os requisitos percentuais de taxa de esforço definidos pelo sistema financeiro. 

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  19. Repare que o controlo administrativo de preços e mercados não é disponibilizar bens e serviços, pelo contrário, tem como efeito escassez e mercados informais.
    O Estado pode, e do meu ponto de vista faz sentido que o faça, em algumas circunstâncias, disponibilizar casas, o que o post diz é que esperar que o problema do acesso à habitação se resolva só com isso é que é acreditar no Pai Natal.

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  20. Publicidade não vejo nenhuma relevante, continuar um projecto do patriarca é um típico projecto de amor, isto é, de caridade.

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  21. Há muitas outras formas de valor que não o guito e até são bem mais importantes.
    É por isso que a caridade é mais importante que o correcto funcionamento do mercado (e faz parte da caridade querer um correcto funcionamento dos mercados porque esse funcionamento permite uma melhor alocação de recursos, o que beneficia, sobretudo, os mais pobres e frágeis).

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  22. Por exemplo as escolas são um bom exemplo de caridade. Não trazem qualquer retorno financeiro, só dão despesa.
    É importante potenciar a caridade, até porque decisões tomadas pela generalidade das pessoas são tomadas em função de interesses de quem toma a decisão, e não dos outros. Mais caridade, menos socialismo. 

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  23. Aprende-se na Escola mas há mais vida para além disso.


    O retorno pode vir sobre a forma de prestígio.


    Pode vir em facilidades futuras.


    Pode vir disfarçado de olhar para o lado. PS


    Pode até vir como perdão tipo uma mão lava a outra.


    E fico-me por estas formas brandas porque o ano ainda mal começou 

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  24. Tirada clássica de virtude contra o capital ... no bolso dos outros. Hipocrisia de "funcionário" sindicalista ...

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  25. > 111 gramas de ouro; em 2025, apenas 53.


    Pois, o que me aterroriza é que não seja o ouro que esteja a subir, mas o resto a descer ...


    (Mas estamos bem, porque os primitivos carrinhos de mão para o dinheiro das compras em Weimar agora são invisiveis em cartão electrónico. Pugresso, ié.)

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  26. Na. A gente é que imagina coisas.

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  27. Vivemos uma Sociedade Tecnológica e as escolas dão a Instrução de Base que suportará, depois, quer as "mãos quer os "cérebros" indispensáveis ao "funcionamento", continuação e desenvolvimento dessa Sociedade.

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  28. Só falta este Anonimo a quem faltam penas dizer que possuir um meio de comunicação social é um meio privilegiado de passar a mensagem que se quer, pois tem-se controlo editorial.  Que totó... isso e a fada dos dentes.

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  29. Qual a evolução salarial desde 2000 em onças de ouro?

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  30. Não, nos combustíveis os preços evoluem livremente e o Estado esforça-se para que o preço seja o mais alto possível sobrecarregando-o com impostos, no pressuposto de que se o preço for alto, a procura diminui.

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  31. Qual é a vantagem de esperar com a casa vazia em vez de esperar com ela arrendada e a gerar rendimento?

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  32. E que culpa tenho eu que você não consiga compreender o que lê ?

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  33. Já ouviu falar de fundos imobiliários ?


    E não me diga que o negócio deles é alugar casas 

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  34. O bem continua a valorizar não se detiora e poupa-se a maçada de ter de correr com o inquilino.


    Não estou a fazer juízos de valor, é parece-me, uma estratégia como outra qualquer 









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  35. Não é no pressuposto de arrebatar a maior quantidade de dinheiro possível? Aliás,  como se deve fazer em qualquer sistema capitalista.

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  36. Qual é a vantagem de esperar com a casa vazia em vez de esperar com ela arrendada e a gerar rendimento?


    Realmente, alguém que aqui se farta de escrever sobre os perigos para os arrendatários de um sistema que protege inquilinos e cuja justiça não funciona, fazer essa questão é mesmo para desconversar... ideias fixas, nada mau para quem diz não se guiar por ideologias.

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  37. O bem continua a valorizar não se detiora e poupa-se a maçada de ter de correr com o inquilino.




    Não estou a fazer juízos de valor, é parece-me, uma estratégia como outra qualquer 


    Era óbvio, mas quando se tem zero vontade de ver algo para além da bolha de conhecimento... 

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  38. Não, seu idiota, não é! Os combustíveis têm preço livre. O Estado cobra os impostos que entende e os preços flutuam numa base semanal, de acordo com os índices dos mercado de ramas (petróleo em bruto) - para nós é o Brent do Mar do Norte - e refinados.

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  39. Qualquer dia o Vaticano transforma isso numa oração a ser rezada nas Missas de Domingo

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No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...