sábado, 1 de novembro de 2025

"Um dia bom para o jornalismo"

David Pontes, director do Público, escreveu, na Quinta-feira, 30 de Outubro, um editorial com o título que cito no título deste post.


"O primeiro contributo foi ... Direcção executiva manda hospitais cortarem na despesa, mesmo que implique abrandar consultas e cirurgias", diz David Pontes, auto-elogiando o jornalismo do Público.


O problema é que a peça que, de acordo com David Pontes, é essencial para que saibamos que "a partir daqui é preciso apertar o cinto", é um exemplo típico de mau jornalismo, quer porque não existe, até hoje, qualquer evidência de que exista a ordem para cortar na despesa mesmo que implique diminuir a prestação de serviços, quer porque a peça se baseia em fontes anónimas que relatam a sua interpretação de uma reunião sem qualquer outra base verificável, quer porque a própria peça refere o Orçamento de Estado como dando indicação de que o Governo pretende reduzir despesa no sector, quer ainda porque a própria peça, mesmo no finzinho, dá nota de um estudo que refere entre 2015 e 2024 há uma perda de produtividade de 25% no sector, tornando bastante estúpida a conclusão de David Pontes de que "a partir de agora é preciso apertar o cinto" quando o que está em causa é ganhar a eficiência que tem vindo a ser perdida (seria útil um jornalismo que definisse bem o problema e que escrutinasse a acção do governo para obter resultados de eficiência no sistema de saúde, um jornalismo que de cada vez que morre alguém pede a demissão da ministra da saúde é um jornalismo doente e inútil).


"A meio da manhã soube-se que a PJ estava a desencadear buscas ... Desde 2020 jornalista Cristina Ferreira foi, de forma praticamente solitária, relatando estas vendas".


Isto fez-me lembrar as críticas ao livro de João Miguel Tavares sobre Sócrates, cuja tese central, ao que percebi (ainda não li o livro), é exactamente a de que apesar de haver uns jornalistas solitários que foram trazendo informação sobre as trafulhices de Sócrates, a generalidade dos jornalistas, em especial os das secções de política que têm a responsabilidade de escrutinar mais intensamente a actividade dos políticos, preferiram não ver. Honra seja a Cristina Ferreira por escrutinar as vendas do Novo Banco, mas o facto de durante cinco anos o fazer de forma quase solitária apenas demonstra a falta de curiosidade da generalidade do jornalismo, não demonstra a qualidade do jornalismo, que prefere não ver quando o assunto não cabe na sua agenda.


"Ainda poderia falar da entrevista a António José Seguro tornada viral ... feita ... das vezes (nove!), em que as duas jornalistas perguntaram ao candidato se ele era de esquerda".


Camarada David Pontes, acha mesmo que duas entrevistadoras perguntarem nove vezes a alguém que foi secretário-geral do PS se é de esquerda é bom jornalismo? A quem interessa isso, para além de jornalistas de esquerda à esquerda do PS empenhados em demonstrar que um antigo secretário-geral do PS não é de esquerda? Acha mesmo que alguém compra o seu jornal para verificar que a estratégia comunicacional de António José Seguro consiste em evitar que o metam no pequeno reduto de representante da pequena esquerda?


"Ou da discussão pública que o trabalho de académicos sobre habitação ... continuava a suscitar".


Como já fiz vários posts sobre esse trabalho supostamente académico (até um dos autores veio, no Público, explicar que tudo o que escreve é ideológico, portanto chamar a uma coisa que não cumpre requisitos mínimos de validação pelos pares como académico é mais uma evidente demonstração da falta de Norte do jornalismo actual, incluindo no seu mais alto nível: o editorial de um jornal que se pretende de referência e subsiste por caridade da família Azevedo), acho que nem preciso de explicar por que razão a vergonhosa manchete e peça aqui referida não servem como penhor de bom jornalismo.


O camarada David Pontes acha que a crise do jornalismo resulta de sucessivas alterações tecnológicas (é verdade, a tecnologia tornou muito mais democrática a circulação de informação, retirando poder aos que conseguiam dominar a imprensa) e dos ataques dos que "da mentira e da falsidade uma forma de vida".


Lá admitir a contribuição dos jornalistas para a miserável credibilidade que hoje a sociedade atribui ao jornalismo clássico, isso é que nunca, os jornalistas nunca se enganam e raramente têm dúvidas, sugere ele.

23 comentários:

  1. aos jornalistas há quem considere «lixo humano».
    no PS as palavras de desordem são 'demissão' 'falhou' etc e tal.
    o 'jornalixo' e os restantes camaradas omitem o afortunado caso 'D. Elvira'.
    afinal as grávidas da esquerda 'vêm apenas desovar'.
    todos estes 'tovarichs' promovem o Chega que já vai em 2º lugar nas sondagens para PR.


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  2. Quem escreve em Público, Espesso e Observador não passa de ideólogo evangelizador. Os 2 primeiros sempre têm utilidade de embrulhar as castanhas.

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  3. Embirro com titular de jornalismo a zurrapa em que se tornou a comunicação social escrita, dita de referência.


    Dá-se ares mas não passa de uma vacuidade; por norma requentado,  azedo, bifido, invejoso, ressentido e tresanda a simples má língua.


    Nisto não cabe o Correio da Manhã que é mesmo só aquilo, de modo decentemente assumido e frontal.


    A crise do Jornalismo é a crise do imenso vazio e analfabetismo das cabeças que o fazem.


    A crise do Jornalismo é insistirem, por indigência mental, num produto que não interessa ao cidadão pagante.


    A crise do Jornalismo começa nas redações, um dia destes acaba com elas e ninguém vai dar por nada.


    E acaba a crise. The end

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  4. O problema de David Ponter é que está habituado ao antigamente em que não havia informação livre, apenas as cartilhas da Imprensa e não estou a referir-me a 1974 ou antes, posso-me referir a anos 80 e 90, nos anos 2000 a coisa começou a mudar.


    Nesse "antigamente" o jornalismo dava-nos a ver e conhecer o que eles queriam, as suas verdades, as suas visões de vida.


    Esse "antigamente" nota-se hoje a olho nu, finalmente. Esses "jornalistas" como david Pontes e muitos mais, basta olhar para o Publico, Expresso, Visao, Sabado, etc. Agora mostram o que são, mostram a azia da sua "verdade" já não valer um caracol.


    Esse é o problema do jornalismo.

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  5. E ainda tem uma praga que apareceu chamada Blogs.


    Uma espécie de mafarricos á solta, não raro com  qualidade e substância.


    Ainda por cima fazem a coisa por amor á camisola.


    De borla  !!!


    É chato e dói não é ??!  😸

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  6. Amanuenses às ordens , a parir redacçõezinhas encomendadas...
    A fazer pela vidinha, em suma...
    Juromenha

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  7. Não seja estatista.
    Não falta muito para na Europa acabar a SegSocial falida, e as pessoas investirem em poupança e fundos de pensões, como deve ser 

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  8. O problema não foi ter sido um dia bom para o jornalismo, o pior mesmo são os 364 dias muito maus para o jornalismo. 
    E mesmo este dia bom, foi só meio dia, o da Cristina Ferreira 

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  9. O melhor foi mesmo a entrevista fofinha ao Fernando Rosas, uma fofura de tipo e só com ideias ternurentas. Tão ternurento que denunciou o patriarcalismo de que a Mariana Mortágua foi supostamente vítima, para acabar numa manchete (que apostamos foi escolhida ou abençoada por ele) que nos leva a afastar da ideia, oh malvada ideia malvada cabeça!!, de que a Mortágua também terá sido manipulada às mãos do patriarca camarada fofinho Rosas dos outros camaradas patriarcas que em jeito de velhinhos abnegados tentaram salvar o partido de afundar nas últimas legislativas. O próximo líder do BE promete deste já continuar a desancar no Pingo Doce.

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  10. A propósito de bom jornalismo, está em curso mais uma arremetida contra o Serviço Nacional de Saúde. 


    Começou com o caso da grávida e já vai em bordoada na coitada da Ministra.


    Mas o verdadeiro alvo é pintar de negro o SNS, que está a cair aos bocados, o Estado é ineficaz, não tem vocação, etc., e tal.


    E está-se mesmo a ver que só os privados têm jeito para a coisa, e estão disponíveis, o que é natural dada a pipa de massa em jogo.


    Não seria mal pensado o Estado, por uma vez, esquematizar as coisas de forma clara e límpida, dizer quem é quem e de quem é o quê.


    As vantagens parecem evidentes, a menos que haja um mistério impossível de entender por uma pessoa comum.

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  11. É por isso que prefiro comunicação independente 
    https://srv700518.hstgr.cloud/2025/11/01/o-mau-vinho-do-david-marcal-os-maus-figados-do-publico-e-a-ma-vontade-contra-o-pagina-um/

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  12. A liberdade de opinião e o comentário crítico continuam a incomodar alguns. A começar pelo autor do post que, não sendo jornalista, pelos vistos, não só exprime o seu lúcido pensamento como nós dá acesso ao dos seus seguidores. Devia ler com atenção o seu ‘correio de leitores’. 

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  13. A regra básica de quem acha útil fazer comentários pessoais sobre terceiros é assinar o que escreve.

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  14. Pelo cacarejo e algazarra, não custa adivinhar o grande alarme que tomou conta do galinheiro.


    E é que o Almirante não presta, e vai militarizar, e desdemocratizar, para além de não ter experiência política.


    A questão da experiência política é uma cretinice pura e simples.


    Que experiência Política tinha Afonso Henriques quando tudo isto começou ?
    Quanto aos riscos de uma perigosa militarização chefiada por Gouveia e Melo, pode-se perguntar porquê ???


    Mas se ele já tem isto no papo, tem o inegável apoio das Forças Armadas, tem o apoio da Igreja, se estamos na Europa e o paízeco não vai tão mal assim, porque arriscar fazer triste figura ?


    A resposta é medo. Medo porque a derrota adivinha-se total e  estrondosa.


    Mas o pior da mudança, será a evidência do contraste. 


    A eficácia, a virtude da simplicidade e o fim dos rendilhados.  Vai ser a desocupação e o fim do penacho para muita gente.


    Não admira que cause engulhos.

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  15. também não é de excluir um novo 2008


    https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/banksters-2084


    e então toca de pedir a ajuda do Estado


    https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/tag/divine+comedy


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  16. Tu queres é marxismo.
    Será que o anteprojeto “Trabalho XXI” vai finalmente permitir despedimento de funcionários públicos?

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  17. A entorse que o jornalista faz da questão, é uma evidente mania da tribo.


    Parece que uma Direção Executiva, sugeriu aos Serviços sobre sua alçada, racionalizar o uso de meios,  evitar desperdícios e não empolar custos .

    Acontece é que as cabecinhas cheias de nada, que actualmente povoam as redações, por razões que só eles sabem, obrigam-se a ver as coisas  sempre pelo ângulo mais negativo.


    E se não fôr negro o suficiente, ou se simplesmente não for negro, torce-se e espreme-se até que pareça.


    Depois é só arranjar um título em tons o mais escurinho possível e já temos notícia.


    E têm um papel a certificar que são jornalistas.

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  18. O fogo de barragem contra a Ministra da Saúde não dá mostras de abrandar.


    Mete nojo.

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  19. Será contra a ministra?


    Mas nada de novo, aconteceu o mesmo ao Fernando Gomes

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