sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Uma questão binária

binaria.jpg


Confesso que, na minha ignorância (muitas vezes desviamos os olhos daquilo que não gostamos) pensava que o Boxe era um desporto intrinsecamente ligado à estupidez masculina. Claro que pensando melhor, concluo que a alarvidade, como o bom senso, é a coisa mais bem distribuída do mundo e não escolhe sexo, nação ou raça. E assim chegamos à descoberta de um combate de Boxe Olímpico (que tem a vantagem estética dos capacetes na cabeça dos praticantes) feminino de -66kg, entre a italiana Angela Carini e a argelina Imane Khelif. Ora acontece que a atleta da Argélia, é um caso raro de hermafroditismo a que agora chamam “intersexo”. O facto é que a Senhora (salvo seja) Khelif, que tinha sido impedida de participar no Mundial da modalidade do ano passado, por falhar os “critérios de elegibilidade” nos testes, que revelaram níveis de testosterona não permitidos pelos regulamentos da Associação Internacional de Boxe, espetou dois peros que despacharam a italiana aos 46 segundos de combate.  Ora, por alguma razão as competições desportivas são segregadas pela biologia dos atletas. Se assim não fosse, as mulheres ficariam a perder na maioria das modalidades (acho que no hipismo concorrem com o sexo masculino sem prejuízo da justiça desportiva).


Dando de barato que Khelif não seja um homem apesar de ter os cromossomas XY, parece claro tratar-se de um raro caso de DSD (Disorder of Sexual Development), que ocorre em 1/20.000-25.000 nados-vivos. Certo é que o Comité Olímpico deveria ter médicos e biólogos na génese das regras dos JO, para que se evitem estas injustiças, ou até algum acidente de consequências mais graves. Impõe-se o respeito pelas diferenças.


Como vimos, a esteticamente vergonhosa cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos celebrou, além da desconstrução da história e dos valores fundacionais cristãos, por meio do protagonismo dado a drag queens e quejandos, a “fluidez” de género. Como se verifica neste caso é um caminho perigoso para a sustentação da competição desportiva, que terá de se cingir, privilegiar e respeitar a biologia dos participantes. O mesmo se exige à medicina, e já agora, na semântica.


Se este caso de olímpica iniquidade teve alguma virtude foi a de revelar para os mais desatentos a importância da biologia na questão de género. Talvez por isso seja de estranhar (ou talvez não) a ausência deste tema nos espaços de comentariado da Comunicação Social convencional. 


A ver como decorrerão os próximos combates de Imane Khelif.

11 comentários:

  1. Curioso, todas estas polémicas só ocorrem com mulheres trans, ou, agora, uma hermafrodita. Nunca ouvi queixas acerca da concorrência desleal de homens trans no desporto.


    Mas, claro, a biologia é um mero preconceito.


    Difícil, difícil mesmo, fora uns passeios ao Conde Redondo, é convencer um filho do heteropatriarcado juntar os farrapos com uma nova Eva. Isso aí é mais raro que os diamantes das extintas minas de Golconda. Mas, claro, também aqui é puro preconceito, que deve ser combatido. 

    ResponderEliminar
  2. Foi proibida pelo campeonato mundial de boxe por ter excesso de testosterona, mas nos JO já está tudo bem. Isto não é desporto, é hipocrisia.

    ResponderEliminar
  3. Sou contra as Lia Thomas e muito mais contra fluidezas, mas neste caso anda por aí muito aldrabão a dizer que a dita é homem biológico,  ou trans. Combater estas tangas com mentiras não ajuda a causa.

    ResponderEliminar
  4. Em aditamento, se me permite: vem no Nice Matin. A rapariga argelina vive lá, em Nice, França, é de alguma maneira filha da terra, gostam dela no clube de boxe; boa moça, dizem. Estão furiosos. Conhecem-na bem, dizem que nasceu rapariga e sempre foi tratada como rapariga, que não é trans nem hermafrodita. Na linguagem que por aí usam, é uma mulher cis, ponto final.


    Saiu assim, matulona. Acrescento eu, se gostar de homens e casar, o marido talvez deva pensar duas vezes antes de enveredar pela violência doméstica.


    Quanto à italiana, comentava alguém: que culpa tem um jogador de basquetebol de 2m20 que o adversário tenha 1m60?

    ResponderEliminar
  5. Esse caso (passe todo o mediatismo envolvido) é apenas um ponta do icebergue na questão da identidade de género (e afins liberalidades relacionadas que já chegaram aos menores de idade) que o blog Identidade de género - ideologia ou ciência?  expõe com bastante assertividade


    https://identdegeneroideologiaouciencia.blogs.sapo.pt/a-verdade-sobre-os-cuidados-de-saude-70620

    ResponderEliminar
  6. ""
    Não tem culpa nenhuma, por isso é que o do 1m60 nem sequer comparece ao jogo!

    ResponderEliminar
  7. Seja lá o que for, do que li sobre a pessoa em causa nasceu mulher, foi criada como mulher. Pelos vistos nasceu numa família pobre, gostava de futebol, onde era gozada pelos outros miúdos porque futebol era para rapazes e não para raparigas, e terá sido aí que tomou o gosto pelo boxe, como arma de defesa contra a restante miudagem. As lições foram às escondidas do pai.


    No caso não vejo onde é que as questões de género entram. É grandalhona e como tal deve concorrer com os homens? E os pequeninos concorrem com as mulheres? Havia aquele adágio, ou velhaco ou bailarino. Aí sim, entramos no género.

    ResponderEliminar
  8. O Michael Phelps é uma aberração?

    ResponderEliminar
  9. este caso é complicado. até tenho pena da imane .,,.
    mas...ficamos com armas para responder aos trans : afinal uma mulher claramente  define-se por ter vagina , ovários e mais umas coisas femininas .. não é mulher quem quer quando os cromos me perguntarem o que é uma mulher , respondo que é um humano igual à imane, e acabou a conversa.

    ResponderEliminar
  10. O Phelps competiu com os que tinham o mesmo «intervalo de testosterona» (força e energia muscular). No caso da Khelif, compete com quem não está no mesmo «intervalo de testosterona». É o mesmo, do que permitirem que um de 100kg compita com um de 66kg. Quebra a paridade, que é a condição que distingue uma 'competição desportiva' de uma 'competição não-desportiva'.

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...