sexta-feira, 7 de junho de 2024

Chega de equívocos

"A 10 de Março, Luís Montenegro ficou perante a maior maioria de direita de sempre. Mas a esquerda exigira-lhe que excluísse o Chega, e ele submeteu-se a essa exigência. Acabou também por excluir a IL, e começou assim a governar, transformando a maior maioria parlamentar de sempre numa das mais pequenas minorias governamentais de sempre".


Rui Ramos e João Miguel Tavares (que ontem dizia que o pai ou a mãe da Cherigonça é a AD, como argumentos semelhantes aos de Rui Ramos) insistem há bastante tempo nesta tese.


Já houve uma altura em que tive alguma simpatia por esta tese e continuo sem nenhuma simpatia por teses que impliquem linhas vermelhas e coisas que tal.


Mas admitamos que Rui Ramos e João Miguel Tavares têm razão na ideia de que para fazer reformas é preciso uma maioria sólida e isso implica negociar essa maioria com o Chega.


Esqueçamos as divergências frontais entre os programas do Chega e da AD (coisas como a TAP, por exemplo, a única certeza sobre o que sabemos é a de que haverá convergência em afastar o PS do poder, mas nem mesmo sobre isso poderemos ter a certeza sobre o que o Chega pensa) e admitamos que a AD e o Chega chegavam a um acordo que os dois subscreveriam.


Esqueçamos que o objectivo estratégico de longo prazo do Chega é ter mais um voto que o PSD, para se tornar o partido mais votado da direita e esqueçamos ainda que o Chega desconhece a história de todos os pequenos partidos que resolveram, em determinada altura, apoiar o maior através da formalização de uma maioria coesa (o que é diferente de apoiar um governo de outro partido, mantendo a autonomia estratégica própria).


A pergunta central seria: quanto tempo o Chega manteria a sua palavra?


A minha convicção, uma convicção evidentemente não é demonstrável, é a de que o Chega manteria a sua palavra até à primeira dificuldade que criasse um risco real e sério de perda de votos, no curto prazo.


Na primeira dificuldade que surgisse por causa de uma das tais reformas que, forçosamente, têm ganhadores e perdedores, no curto e no longo prazo, o Chega optaria por estar do lado dos ganhos eleitorais nas eleições seguintes, que seriam quando o Chega determinasse.


Não, meus caros, nem o problema são as linhas vermelhas, nem a opção da AD parece ter sido determinada pela esquerda, mas sim pela convicção de que, nas actuais circunstâncias, o verdadeiro inimigo do Chega é mesmo a AD e de que qualquer acordo com o Chega não serve como garantia de coisa nenhuma.


Estes primeiros tempos depois das eleições parecem estar a dar razão às opções de Montenegro, independentemente de estarmos todos, o Chega, a AD, o PS e o país, a andar sobre gelo fino, sem qualquer certeza sobre o que vai acontecer amanhã.


E isso resulta das opções dos eleitores, não das opções das elites partidárias.

14 comentários:

  1. Antonio Maria Lamas7 de junho de 2024 às 15:54

    Completamente de acordo.
    Montenegro é líder de um partido com Gente.
    Ventura lidera um partido totalmente dependente dele. Não se conhece qualquer outra linha ideológica dentro do Chega, sem ser a do líder.
    Tenho para mim que chegou ao seu apogeu e a partir de agora é sempre a descer.
    Se Montenegro for esvaziando as "causas" do Chega, este desaparece 

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  2. Quem define quem é de direita, esquerda e assim, e quem pode e deve coligar-se com quem?
    Há um comité, referenda-se, ou é produto de um conselho de sábios?

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  3. Boa análize HPdS. Na verdade ver o partido #2 e o #3 a unirem-se para obrigar o #1 a desbaratar as contas públicas é uma anedota de mau gosto para os eleitores dos 3 partidos. A dívida assim gerada é, mais uma vez, soberana, Nacional.
    Este (mais um) desastre orçamental é claramente consequência da irresponsabilidade que se gera ao votar em partidos. Entrega-se o poder político a anónimos politicamente irresponsabilisáveis.

    HPdS votava a segunda vez, nominalmente, no deputado do seu círculo que durante o mandato votasse favoravelmente despezas corruptas, apenas por interesses eleitoralistas do partido?.

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  4. Refletindo bem, "quem não estiver confuso não está bem informado"

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  5. Com o PS a chegar-se ao Chega a curva descendente já deve ter começado. 

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  6. Bem observado, até porque o voto num nome da lista não deixaria de ser um voto no respetivo partido. O atual sistema tem tudo para se considerar uma fraude eleitoral. Os fósseis partidários eternizam-se no poder pela simples razão de que ainda antes de cair o primeiro voto nas urnas as direções partidárias já nos elegeram os seus. 

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  7. Gostava de perceber se HPS tem alguma ideia escondida. Vou admitir, para efeitos de comentário, que tem toda a razão e que o Chega não é confiável.
    Se a isso somarmos que o país precisa de reformas, o que fica como alternativa? Com o PS não é possível nenhuma reforma que não seja de cosmética ou do seu interesse (por exemplo pôr o Ministério Público sob a alçada do governo.
    Como já se viu, sem um acordo parlamentar com o Chega, o PSD não vai conseguir reformar nada e dificilmente conseguirá governar.  Levando as conclusões ao extremo (é uma técnica de análise válida) não se percebe se HPS quer mudar de governo (novas eleições) se mudar de país (federação europeia). Admito, pelo respeito que lhe tenho, que não esteja a pensar mudar de eleitorado, como diz, o responsável pelas opções. Mas, de facto, as alternativas que sobram é perpetuar o declive ou mudar o regime. Sendo que mudar o regime (Constituição e sistema eleitoral) não é viável no actual quadro interno.

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  8. Limitei-me a descrever o que vejo, não disse nada sobre o que gostaria de ver

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  9. "If you can`t convince them,  confuse them "...
    Juromenha.

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  10. O Chega não tem causas. O Bloco tinha, sociais essencialmente, o Chega só existe porque as pessoas vivem miseravelmente. Como a maioria deste tipo de partidos.

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