terça-feira, 23 de junho de 2020

Matar o pai...

estátua.png


Quem ingenuamente pensou que o ocidente tinha entrado na adolescência (etapa para a maturidade) no Maio de 68 poderá agora, em face à pandemia de vandalização de estátuas, concluir que hoje é a delinquência, ela própria legitimada pelo relativismo das últimas décadas, que se sente encorajada a assaltar o poder. Sempre a descer. Muitos acreditam que a sociedade existe como corpo pensante, mas ela deveria ser apenas a soma das partes de indivíduos solidários e com vontade própria. Se fosse verdade que ela se move na história como um cardume ou como um bando de pássaros migratórios, dir-se-ia que estes ataques às estátuas não eram mais que um fenómeno de automutilação grupal, uma espécie de rebelião contra o passado, como a revolta dum perturbado "adolescente colectivo" contra o pai, incriminado por todos os seus condicionalismos genéticos e culturais. A culpa pela insatisfação que carregamos vida fora já não é dos corruptos, dos gananciosos, dos tiranos; o frigorífico está sempre fornecido e a ignorância e alienação é tolerada e distribuída democraticamente pela televisão, social media e noutras fórmulas mais perversas. Curioso como o combate civilizacional (?) depois do despotismo e da desigualdade agora se está a virar contra o mais inexpugnável dos inimigos: a História. Na certeza de que, se sobrevivermos (como civilização) a esta contenda, um dia seremos julgados por ela, mais cedo do que imaginamos. Acontece que uma rebelião contra as nossas origens é sempre uma forma de autodilaceração. Porque para nos olharmos ao espelho e prosseguirmos em frente teremos sempre de aceitar o pai.

7 comentários:

  1. Disparate, João Távora. Houve ao longo da história montes de indivíduos que rejeitaram o pai. Tal como houve pais que rejeitaram os filhos. Isso é normalíssimo, zangas (por vezes mortais) entre pai e filho. (Ainda no sábado passado ouvi contar um caso desses, um pai assassinado a tiro de caçadeira pelo filho.)
    Não faltava mais nada, que cada geração tivesse que se rever naquilo que as gerações precedentes fizeram.

    ResponderEliminar
  2. Ainda bem que o Luis Lavoura aqui vem dizer o que é e não é disparate... 
    Tenha um bom dia. 

    ResponderEliminar



  3. Assim vai o amigo Guterres pantanoso.

    ResponderEliminar
  4. Aqui só pode ser o pai que rejeita os filhos! 
    Para se chegar a ter filhos destes, mais vale afogá-los logo á nascença!
    Arrenego-te Satanás...

    ResponderEliminar
  5. Vivemos uma das "charneiras" da História.
    "Passagem de testemunho" Histórico, sem grandes solavancos, salvo as perturbações domésticas norte-americanas , ao nível de casos de polícia, e as provocadas pelas  "franchising" da sede nova-iorquina numa meia dúzia de regiões da parte ocidental da Europa.
    Quando o nevoeiro se levantar e as novas regras do jogo forem estabelecidas , e estabelecidas firmemente, será interessante saber quem será o administrador delegado por  Pequim para  supervisionar esta pequena península asiática.
    Moscovo poderia ser uma opção, mas , por razões geoestratégicas velhas de (muitos ) séculos , a Prússia ( nada como as designações históricas...)será um fortíssimo candidato.
    E fiável...

    ResponderEliminar
  6. João Távora, temo que estes acontecimentos sejam, por enquanto, apenas o prenúncio de algo muito mais devastador e perigoso que está em marcha.
    Ainda não começaram os ataques e perseguições à Igreja, mas o anticlericalismo é visível há muito tempo, assim como o ateísmo militante.
    Sabemos como foi na 1ª República e sabemos bem o que se fez na Catedral de Notre Dame de Paris durante a Revolução Francesa onde foi erigido um altar de culto à deusa Razão e se organizavam festas de máscaras,  licenciosas, segundo relatos chocantes da época.
    Por isso acho que ainda não vimos nada. 
    Certamente há quem instigue estas acções de destruição do nosso modo de viver, da nossa civilização. Provavelmente, na sombra, serão os mesmos de outrora...
    AP

    ResponderEliminar

  7. João Távora,
    Como um comentador escreveu:  «quando o nevoeiro levantar»
    Irá brilha a Luz, o Sol. Voltará tudo ao mesmo que durante milénios tem aguentado os humanos.
    Com brancos, com pretos, com mulatos, com mestiços de cores normais. Por cores, acabará o arco da velha do lgbt xyz

    ResponderEliminar

Um comunicado

Tencionava (na verdade, tenciono, o que nem sempre se materializa depois), ainda voltar à discussão sobre a prevalência das opções individua...