quinta-feira, 14 de maio de 2020

Uma questão de decência

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Ontem voltei a Lisboa utilizando os transportes públicos e andando na rua como costumo fazer com gosto nas minhas voltas, para sentir o pulsar e usufruir dos encantos da minha cidade natal. Curioso é como comboios da linha de Cascais deixaram de ter revisores que foram substituídos por polícias aos pares a corrigir com voz grossa a forma como os passageiros usam a máscara. Estão impantes com o estado de excepção e ainda receei que descobrissem que a minha não é certificada.


A crise que temos vivido tem o condão de por a nu a profunda divisão entre a maioria da população que é privilegiada e os mais desfavorecidos, operários e trabalhadores não qualificados, que quando eram muitos foram pretexto para as causas populistas dos partidos de esquerda, que agora os abandonaram, entretidos com os conflitos de costumes. Para perceber o panorama que ontem encontrei no Cais do Sodré ao fim da tarde, é imaginar-se como era a estação antes do coronavírus, e subtrair os turistas, os estudantes, os reformados e alguns funcionários e profissionais liberais que não gostam de engarrafamentos no trânsito. O que sobra é um formigueiro de gente humilde, maioritariamente imigrantes, trabalhadores braçais, empregadas de limpeza, que enfrentam o medo do vírus com o pragmatismo dos sobreviventes. Foi isso que eu testemunhei ontem.


Digo-vos uma coisa: aconselho-vos vivamente a saírem quanto antes das vossas bolhas, para perceberem que não existe coisa mais reaccionária (classista) que o confinamento, o teletrabalho e o “distanciamento social” que afinal sempre foi capricho dos possidónios. Que as pessoas saudáveis retomem uma vida normal, pois é a melhor maneira de evitarmos a discriminação e impedir a miséria. É uma questão de decência.

8 comentários:

  1. o confinamento devia ter sido nas fronteiras logo no início
    limitaram-se a cuidar dos mortos e enterrar os vivos.
    kosta e MRS são dupla de sucesso: 'não hà pai para eles'

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  2. Os comboios na linha de Cascais deixaram de ter revisores?!
    Li algures que atualmente não há venda de bilhetes a bordo dos comboios (refiro-me aos comboios regionais da CP, não aos da linha de Cascais). Será que, não somente não há venda de bilhetes a bordo, mas também não há revisores?

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  3. Está a cumprir-se a utopia do 25 de Abril. Vivemos a sociedade sem classes, policial e com ordem. A sociedade em que só existe uma classe: a classe dos confinados e assalariados do estado. Uma beleza.

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  4. É isso...!!! Tudo ao monte, para ver se isto endireita.

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  5. nao sei quem é, mas a sua conclusao é um disparate. Se nao tiver intençao obscura, é só um disparate infantil.   


    Permito-me interpretar :  contra a vacinaçao   (toda a vacinaçao, a vacinaçao de sempre )   e seja o que deus quiser. 




    Para outros leitores, permito-me o seguinte :  a pandemia livre, nao so matara por matar, mas resultara na paragem de fabricas, de produçao,  por infecçao dos trabalhadores.   Dito por outras palavras, extinguirá os operarios, mas os mais morrerao de fome  por justamente nao haver operarios a produzir.  Ninguem ficará a rir 

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  6. Felizmente não ando de comboio desde o tempo do Liceu, já lá vão 40 anos ! Desloco-me de Porsche e ainda bem que não tenho que me misturar com gente mal cheirosa e com piolhos ! 

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  7. Excelente último parágrafo.


    Parece que tocou nalguma ferida...

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