(...) Isto tem porém pernas para andar. Preenche o velho sonho igualitarista de andarmos à mesma velocidade, já que não podemos todos ter automóveis com o mesmo grau de luxo ou performance, nem a mesma apetência e competência para andar depressa; torna as viagens de médio curso (Porto/Lisboa, por exemplo) de tal modo maçadoras que não é impossível que acicate o interesse pelo transporte colectivo, uma velha reivindicação da esquerda, que sempre torceu o nariz à liberdade e autonomia que o transporte individual proporciona; e não é impossível que numa primeira fase (antes de se constatar que cessará a evolução em travões, suspensões e outros sistemas de segurança activa, que sempre progrediram para satisfazer os transgressores, e não os cumpridores) se verifique uma diminuição das consequências dos acidentes viários, por terem lugar a velocidades inferiores. Tão inferiores que o que se recomenda, e vai impor, para as cidades, é a velocidade de um cavalo a galope, sem que ninguém tenha feito um estudo sério sobre as consequências, para a densidade do tráfego, da diminuição da velocidade média.
A ler o José Meireles da Graça no Grémlin Literário, na integra aqui
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ResponderEliminarEstamos a sair da política dos grandes temas com subtância para nos ocuparmos com aquilo com que nos querem entreter. Coisa de gente pequena e mal preparada, ou bem preparada na pior escola do sistema.
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ResponderEliminarParece que aqui o autor original pôs o pé na poça.
Estudos sérios já há muitos, e todos no sentido do aumento da velocidade não aumentar o caudal dos veículos. Ao contrário do que acontece nos fluidos, o aumento da velocidade tem como consequência o aumento da distância
entre as partículas (veículos).
Quanto á segurança, na prática a segurança do conjunto de veículos é maximizada quando eles se deslocam, (e se aproximam) a uma velocidade idêntica. Com os ciclista em vias separadas. Com grande pena daqueles que pensam que a estrada é só deles.
A poupança de energia implica um mundo mais lento, com carros de deslocação mais devagar. Com grande pena da classe de economistas, dos jovens aceleras, etc.
Que chatice!
ResponderEliminarTer agora que andar à mesma velocidade que o Chico "sarralheiro" e o Zé trolha...
Excelente comentário.
ResponderEliminarPorém, há que ver que a maximização da segurança de todos é uma cena que não assiste ao autor do Gremlin Literário. Ele quererá, sem dúvida, a sua própria segurança; a segurança da comunidade dos condutores (e, mas ainda, a dos peões) é para ele irrelevante. Ele o que quer é conduzir em liberdade, porque adora a sua liberdade. Liberdade de fazer o que quiser, e os outros que vão para o hospital.
Nos Estados Unidos da América, supostamente o país da liberdade e das grandes desigualdades sociais, conduz-se de uma forma muito diferente da europeia. Nomeadamente, todos os carros circulam mais ou menos à mesma velocidade, independentemente da faixa em que circulam, e praticamente não há ultrapassagens. Não é como em Portugal, onde o pessoal se esmera a exibir a sua superioridade social através de ultrapassagens e de altas velocidades.
ResponderEliminarÉ uma forma de conduzir muito mais segura do que a nossa.
Absolutamente de acordo. E a propósito de pequenos problemas deixo uma experiência e uma questão que me tenho posto nos últimos dias. Não vejo televisão normalmente mas diariamente, normalmente por volta das 22h passo pelos chamados canais de informação para saber algo mais do que o que leio nos títulos dos jornais na internet e em alguns artigos de opinião. Pois bem, há três dias que nestes meus « zappings » só consigo encontrar futebol. Em todos, ao mesmo tempo e, pareceu-me, sobre os mesmos assuntos. Não me parecendo isto normal e, após alguma reflexão e puxando da memória, cheguei à conclusão de que antes do verão passado isto não acontecia. E que é um fenómeno que tem vindo em crescendo. Para além das horas que constam dos respectivos programas como dedicadas ao futebol, agora as horas que deveriam ser de informação e debate sobre temas nacionais e internacionais de natureza política, social e cultural são substituídas por esse desporto, negócio ou lá o que for em que ele se tornou. Será isto coincidência?
ResponderEliminarDiz bem: "...supostamente o país da liberdade..."
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