E não se pense que é só nestas atitudes descritas por Helena Garrido, que são realmente graves,os sinais estão lá há muito tempo, desde o à vontade com que mentiu a Cavaco Silva num contexto absolutamente formal da discussão das soluções pós-eleitorais, à forma como Costa se comporta nos debates da Assembleia da República, até à reacção absurda (na forma, na substância, na importância atribuída e na insistência) às declarações do presidente do Eurogrupo.
A tolerância geral face ao evidente desprezo de Costa por regras básicas de comportamento institucional é ainda mais arrepiante que o desprezo em si, tanto mais que já foi uma tolerância do mesmo tipo face aos sinais evidentes de que alguma coisa teria de estar errada em Sócrates que permitiu que o problema alastrasse e chegasse tão fundo.
Caramba, é mesmo o fim da Civilização Ocidental 😉 Henrique, chega uma altura em que este tom bíblico da dissolução dos costumes e das instituições, tanto em voga na direita, perde o efeito, sabe? É que tem o efeito contrário ao pretendido. Torna-se ridículo. Na falta de uma bancarrota económica total, tantas vezes prevista, sobra este tom apocalíptico existencial, pronto, é o que se pode arranjar. Vai ser este agora o mote? Olhe que não vai dar resultado... Se produzirem em filme catástrofe, com o título "chuva dissolvente", pode ser que sim. Tem que ter zombies (os portugueses que, segundo a direita, andam ceguinhos e iludidos, coitados)
ResponderEliminarSe a reação fosse só de tolerância, não estava o Costa bem posicionado nas sondagens, ainda que enviesadas. Contráriamente ao afirmado, o problema não está na população de Oeiras que aprecia o Isaltino, que se candidata de novo. O problema está na falta de civismo de todo um povo, e todas as tentativas de explicar como se chegou aqui, e ainda vai ser pior, são bem vindas.
ResponderEliminarO Oscar elege outro povo e pronto.
ResponderEliminarSó ainda não houve uma "bancarrota económica total", embora a situação do pais esteja a piorar e para lá caminhamos se a rota não for corrigida, porque o governo actual, dando o dito por não dito, não acabou com a austeridade e não reverteu completamente as reformas feitas pelo governo anterior !!...
ResponderEliminarÉ caso para lembrar que os actuais dadores de lições sobre as boas e as más previsões são grosso modo os mesmos que ...
(1) em 2010 e inicios de 2011 diziam que estava tudo bem e que o pais não corria nenhum risco de bancarrota nem precisava de nenhum resgate ...
(2) em 2012 e 2013 anunciavam uma "espiral recessiva", taxas de desemprego acima dos 20%, a explosão dos déficits e das dividas, a necessidade de mais dinheiro da Troika, mais tempo e metas menos exigentes, a impossibilidade de sair do resgate dentro do prazo, a necessidade de novos resgates, etc, etc ...
(3) em 2015 prometiam acabar com a austeridade, pôr a economia e o consumo a crescerem muito mais, gastar mais dinheiro com os serviços públicos, aumentar o investimento publico, baixar a divida, baixar a carga fiscal, bater o pé à Europa, pôr as pessoas à frente dos números, etc, etc.
Como sempre o povo está dividido nas suas preferências partidárias.
ResponderEliminarEstas preferências sobem e descem uns pontos em função de circunstâncias e expectativas em cada momento.
As maiorias eleitorias e politicas para a escolha dos governantes mudam e alternam.
É o funcionamento normal da democracia e não um qualquer julgamento final e sem apelo sobre as razões que assistem uns e outros.
Julgava que isto era consensual e indiscutivel !!...