quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O polissémico

Pouco depois de Costa substituir Seguro, uma costista militante perguntou-me a opinião sobre Costa e sobre se ele poderia ser capaz de ter uma maioria absoluta.


Lembro-me de ter respondido qualquer coisa sobre a minha dificuldade em estimar o tempo que demoraria até que o seu sempre presente sorriso deixasse de ser visto como um sinal de simpatia e empatia e passasse a ser visto como o sempre presente sorriso de qualquer bom aldrabão. No momento em que isso sucedesse, e se viesse a suceder, a sua carreira política estaria em grandes dificuldades.


Suspeito que esse dia não é o dia de amanhã, mas em matéria de confiança entre as pessoas a única certeza é a de que a sua perda é rápida e muitas vezes imprevisível.


A famosa habilidade política de Costa é, em grande medida, o seu talento para dizer formalmente uma coisa que sabe que os seus interlocutores entendem de uma maneira, ao mesmo tempo que abre espaço para uma interpretação diferente no futuro. Combinado, naturalmente, como o seu evidente desprezo pelo valor da sua própria palavra.


Costa acorda uma coisa, que sabe querer dizer outra coisa, e espera que no momento que os que acreditaram nele se aperceberem de que fizeram um acordo diferente do que pensavam, ou seja tarde para recuarem sem perdas, ou as vantagens em manter o acordo fantasma sejam suficientes para que possa levar a sua água ao seu moinho.


A polissemia é uma grande virtude na poesia, veremos se também o é na política.

Sem comentários:

Enviar um comentário

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...