sábado, 10 de novembro de 2007

Sábado amargo

Não conheço as circunstâncias protocolares em que o Rei Juan Carlos terá mandado calar o seu homólogo venezuelano na cimeira ibero-americana em Santiago do Chile. No entanto está comprovado o cariz irresponsável e déspota de Hugo Chavez, e comprovada está a superior legitimidade dum regime democrático como o da nossa vizinha Espanha.
O mundo livre teme pelo futuro do povo venezuelano. Nós vivemos resignados à fatal e submissa realpolitik da nossa virtuosa república, em prol da qual impunemente se subjugam os mais sagrados valores civilizacionais, quantas vezes por um mero prato de lentilhas.
Mesmo assim não nos devíamos todos envergonhar com as atabalhoadas declarações de apoio a Hugo Chaves proferidas à imprensa pelo nosso primeiro ministro na sequência do incidente, numa desprezível disposição subalterna?
Para além de medíocres, teremos que actuar como cobardes?

Imagem do Sol

18 comentários:

  1. Caro João Távora
    Quanto ao vídeo sobre a intervenção de Zapatero e apoio de Juan Carlos, está disponível na Barbearia, tirado da EFE.
    A cena vem na sequência de repetidas declarações de Chavéz contra Aznar, uma delas fortíssima em Caracas.

    Quanto à atitude portuguesa, não me parece ser nem de cobardia nem tão pouco de mediocridade. O assunto não era connosco, a comunidade de quase 500.000 portugueses em Caracas não é um prato de lentilhas e em parte alguma o nosso Primeiro apoiou as declarações de Hugo Chavéz.

    Como sabe, penso que sabe, não morro de amores por Sócrates, mas a parte final deste seu texto parece-me ser desproporcionada com o que na realidade se passou e está registado.

    Abraço

    (fique à-vontade para publicar ou não este comentário.

    Não pretendo mais do que alertá-lo – e se reparar com atenção no vídeo reparará que o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros é um dos primeiros a aplaudir a intervenção de Zapatero – que Portugal não apoiou de forma alguma a atitude de Hugo Chavéz)

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  2. porque será que isto me lembra a nossa posição oficial para com os cartoons da Dinamarca?

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  3. Obrigado pelas suas palavras Luís: O que eu refiro no meu texto são as palavras proferidas por José Sócrates e eu que ouvi na Antena 1. Uma pequena mostra de solidariedade para com o seu correligionário espanhol estou certo que não prejudicava um único português.
    A proposto: Não haverá por acaso emigrantes espanhóis na Venezuela?

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  4. Távora... é só para o mandar á merda por aquilo que escreve acerca da reacção portuguesa a Chávez. Escusa de publicar... era mesmo só para o mandar à merda.

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  5. Caro João távora,
    Parece-me que tentar chamar Sócrates ( e já agora porque não Cavaco ) para o que se passou entre Chávez e Espanha na reunião e nomeadamente chamar cobarde a Sócrates é de um simplismo preguiçoso.
    A honra de Espanha e de Aznar foi defendida por quem de direito.
    E a solidariedade que refere no seu comentário seria manifestad de que forma ?
    Esta linha de ataque ao 1º minitro parece-me pifía.
    Bom fim de semana

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  6. Você sabe que há milhares de espanhóis em Caracas.

    Não sei se mais ou menos do que portugueses (pelo menos em termos de % populacional), mas isso em nada altera o que disse no meu último comentário, dado que o ataque de Chavéz não foi a Portugal.

    De qualquer forma é como lhe digo:

    Nem Cavaco, nem Sócrates, defenderam um milímetro que fosse, a posição de Chavéz e a diplomacia portuguesa apressou-se a aplaudir o discurso de Zapatero.

    Abraço.

    (confesso não ter ouvido as declarações de Sócrates na Antena 1 e por isso nada tenho a acrescentar)

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  7. Caro Joao Tavora,

    Nao compreendo o teor do seu post. Confesso que nao ouvi o socrates - nao tenho paciencia para ouvir aquela matraca incompetente de seminarista secundanista - mas nao me parece que os nossos vizinhos necessitem de proteccao neste aspecto, muito menos do bacharel.
    Quanto ao essencial da coisa, o chavez e inqualificavel. O Aznar e o grande obreiro do salto espanhol. Fascista? Perguntem aos espanhois...
    Mais vale um fascista desses na mao que um bacharel destes a voar!

    Virgilio

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  8. Que o Chavez não primou pela cortesia, concordo.
    Mas que o rei de Espanha, que não foi eleito, enquanto Chavez foi, tenha maior legitimidade democrática, é que não estou a ver.

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  9. Ó se fachefavor, é só para responder ao anónimo das 2:01 pm de sábado. Desde que haja uma prática constitucional (que dispensa até, como em Inglaterra, uma constuição escrita) o Rei, embora não eleito tem uma legitimidade tão firme quanto Presidente da República de um país igualmente democrático. A legitimidade advém da totalidade do sistema democrático.
    Já reparou que os juízes não são eleitos em muitas partes do mundo?
    Agora, para fazer o que o Rei de Espanha fez é preciso mais do que legitimade democrática, é preciso falta de paciência para aturar ditadorezecos malcriados e coragem para o demonstrar. E coragem é coisa que o voto não dá.

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  10. Caro anonimo das 2.01,
    Em espanha mandam os que la estao, e eles escolheram a monarquia com este monarca...
    Escolhido ou nao, o chavez nao pode chamar fascista a aznar.
    O fascismo foi um modelo politico criado nos anos 30 e seguido por dois paises europeus. A guerra civil de espanha fez com que Franco ficasse mais proximo destes fascistas, mas teve sempre a inteligencia de se manter fora da guerra (Portugal e' tambem responsavel pela manutencao da Espanha fora do conflito).
    No entanto, creio que o Aznar ate saiu beneficiado da verborreia deste atrasado mental.
    Virgilio

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  11. João, seja qual for o regime que defendemos, acho que temos que ter sempre em conta os interesses do país. Do nosso, já agora. E isto vale também para a escolha da adjectivação. Julgo eu.

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  12. Obrigado pelo seu comentário cara Cristina: Aqui não se coloca a questão de regime. O que me causou incómodo (vergonha) foram os comentários reverenciais a Chavez proferidos por José Sócrates na sequencia do incidente. De resto, NENHUMA pessoa me merece desprezo, apenas as suas atitudes. Nesse sentido a atitude do nosso primeiro ministro pareceu-me desprezível. Voltei a reler o texto, e reconheço mais claramente agora o meu latente equivoco, e nesse sentido vou editar o texto.

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  13. Está muito mais interessante assim, João. Obrigada pela atenção.

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  14. O Chavéz é imbecil e perigoso. E chamou fascista a Zapatero. O nosso Primeiro Ministro foi imbecil e, posso dizer?, mostrou a habitual falta deles no sítio. Nestes "pequenos" momentos se percebe (também) porque é que a Espanha é a nação que é e nós somos o que somos... medíocres sim, e sem tomates, também.

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  15. E o Ni não aparece em defesa de Chavéz?

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  16. Não percebi bem o post. Quer dizer que o Socrates deveria ter sido solidário com os vizinhos espanhóis, é isso? bom, é um critério diplomático, suponho eu. E seria interessante que o Socrates também mandasse calar o Chavez, já agora, em nome da solidariedade ibérica, com toda a gente na Andaluzia a gritar "torero!" Divertido, suponho, e muito colorido. Mas infelizmente, o Socrates tem mais do que pensar, nomeadamente nos interesses do país que governa.
    Sobre o "porque não te calas" do rei, é ler o que escreve o Daniel Oliveira. De facto, não é todos os dias que um chefe de estado (!)tem o topete de mandar calar outro chefe de estado. Eu acho que o Chaves deveria ter respondido ao rei qualquer coisa como "cala-te tu, ó palhaço". Seria divertido.

    Adérito

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  17. O Virgílio tem toda a razão. Insultos do Chávez só qualificam quem os recebe. O Aznar tem bons motivos para se sentir satisfeito.

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  18. Aproveito para dizer ao Adérito: Cala-te tu ó Palhaço!

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