terça-feira, 17 de julho de 2007

Hora de mudança


Os partidos portugueses com representação parlamentar mostram bem o estado a que chegámos. O Bloco de Esquerda, passado o efeito novidade, vive de uns fogachos mediáticos inconsequentes e até Sá Fernandes conseguiu baixar de votação em Lisboa. O PCP continua na sua luta para sobreviver, aproveitando umas migalhas, aqui e ali, do descontentamento social com o Governo. O CDS ou acabou ou está perto disso. O PS só agrada ao círculo de interesses que roda em torno do Governo e aos militantes mais seguidistas.O PSD tem uma direcção que acaba de cometer um erro fatal em Lisboa, deitando abaixo a principal câmara do país antes do meio do mandato, por razões que se vão revelando cada vez mais incompreensíveis, dividindo o seu eleitorado e mesmo os seus militantes (eu, por exemplo, votei em Carmona).
Voltamos o olhar para a presidência da República e não vem de lá nada que se aproveite. Cavaco, fora uns “recados” que só analistas políticos e outros cientistas parecem compreender, ou não percebe o que se passa com o país de que é chefe de Estado ou finge não perceber.
Como é evidente, do PS não se pode esperar nada nos próximos tempos. O melhor que tinha para apresentar, com a sua “histórica” maioria absoluta, já está à vista de todos. A “renovação” do centro-direita protagonizada por Paulo Portas não durou nem três meses. Perante isto, ou o PSD muda e apresenta uma alternativa credível, com os seus melhores quadros a se deixarem de uma vez por todas de calculismos e a terem consciência de que já chega de andar a ganhar dinheiro nas empresas, nos bancos, na advocacia e mais não sei aonde e a dedicarem algum do seu literalmente precioso tempo ao país, ou então um dia destes somos ultrapassados pela Albânia em qualidade de vida.
Eu gostaria que fosse Rui Rio a representar essa alternativa. Se não for ele, que venha Manuela Ferreira Leite ou Aguiar Branco ou alguém com categoria para ser líder do PSD e futuro primeiro-ministro. Se não, se for para manter este estado de coisas, prefiro deixar de me enganar a mim próprio achando que o PSD é um partido diferente e melhor do que os outros e vou alegremente tratar da vidinha.

13 comentários:

  1. Bem visto. Eu não sou do norte, mas o homem até tem o carisma necessário para lá chegar. Pena a Manuela ser menos dada a politiquices, na arena da política era facilmente derrotada, embora seja aquela que possui o perfil adequado para orientar a malta. Anda tudo desorientado e sem rumo. Vamos ver o que isto dá.

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  2. O PSD não parece perceber que o PS encostou à direita, e está a espremer esse lado de ideias e alternativas.
    Sobra a matriz "democrata-cristã" que perdeu poder no CDS, e nunca foi assumida no PSD.
    O que faz falta ao país, não à direita, é uma verdadeira alternativa de esquerda.

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  3. Uma diferença essencial: o Duarte sai dum partido para tratar da vidinha. Muita gente entra neles para fazer outro tanto...
    Abraço

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  4. Caro Duarte,apesar de não poder estar mais de acordo com a sua análise, parece no entanto, que começa a haver espaço para mais movimentos de ciadadãos que queiram participar na vida civíca portuguesa, os partidos, à semelhança do que aconteceu,por exemplo em Itália,com o descrédito quase total nos partidos e nos políticos em geral,pela falta de ética e demagogia,quase a roçar a sem vergolha com se apresentam (caso de Paulo Portas,Pedro Santana Lopes e afins),dizia que: começa a haver espaço cada vez mais para os movimentos de cidadãos,agora, convém dizer que os que já exitem, são-no de pessoas na sua maioria descontentes desses mesmos partidos,parece-me que a médio ou longo prazo esses mesmos movimentos se vão transformar em partidos eles mesmos, e com isto o circulo fecha-se, por isso não vejo muita vida para este modelo de democracia, sinceramente.

    Um abraço.

    Nota:Agora que estou de férias,gostava de voçê me desse aí uma "dicas" em Portugal para se poder viver bem, pelo menos valha-nos isso.Vou tentar entrar em contacto consido para o DN, pode ser?

    ERGELA

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  5. Pois é, Elvira, parece que ainda não é desta que a Manuela Ferreira Leite avança. Mas talvez dê um bom contributo para uma alternativa.
    Acho, L. Rodrigues, que nos fazem falta alternativas em todos os quadrantes, embora já há muito tempo que não me reconheça nessas divisões "esquerda-direita".
    Caro Répobro, um abraço e vamos ver se damos uma volta a isto.
    Caro Ergela, estou à sua disposição no que puder ser útil, mas receio que não seja muito...

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  6. Das análises – a maioria delas decalques de decalques de decalques – politicas do momento, esta é sem duvida a que mais concordo. Muitos parabéns.

    Também voto PSD e estou consigo quando diz: ”prefiro deixar de me enganar a mim próprio achando que o PSD é um partido diferente e melhor do que os outros e vou alegremente tratar da vidinha.”

    Por ultimo: sou de Lisboa mas é indiscutível que Rui Rio seria o melhor candidato para a liderança do partido.

    Melhores cumprimentos
    Ricardo Duarte

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  7. Caro Duarte Calvão, sublinho também com agrado ser dos que se propõe saír de um partido para ir tratar da vidinha, ao contrário da malta que por lá vegeta exactamente para tratar da dita. Mas supreende-me não se rever na divisão esquerda/direita. Alguma de demarcação tem de haver, não é tudo a mesma coisa, e o mal dos partidos foi terem-se descaracterizado e já ninguem saber ao que andam.A política e os partidos têm de ter uma base ideológica e ética, idependentemente de haverem questões tranversais com mais ou menos peso em cada partido. Por causa disso mesmo cresce o espaço dos populistas e demagogos que metem tudo no mesmo saco tipo mix salvador. Eles já por aí andam....

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  8. Obrigado, Ricardo Duarte, fico satisfeito por ver que há eleitores do PSD que percebem o que está em causa e não vestem cegamente a camisola. No PSD de que gosto, a tradição não é essa.
    Ariel, eu também acho que deve haver diferenças claras entre os partidos, só que as divisões esquerda/direita, na maior parte dos casos, já não servem para as identificam.

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  9. Pois é Duarte, como dizia o outro, Deus morreu, Marx morreu e eu próprio também não me ando a sentir lá muito bem...Este país não tem emenda mas sobrevive assim há séculos, desmentindo os "vencidos da vida" que há muito lhe vaticinaram morte certa. Agora há aí um palerma que nos quer ver espanhóis, esquecendo que o risco maior da Espanha é tirarem-lhe um bocado e não acrescentar outro.
    Portanto, esses pessimismos divertem mas não são para levar a sério.
    Sobra-me uma pergunta: com a cidade no estado em que está (está bem, também aderi ao pessimismo) como é que conseguite votar pelo Carmona? É obra!

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  10. JGR, eu já escrevi neste blog, há algum tempo, que os portugueses têm uma hiperidentidade, em grande medida construída contra Espanha, e é evidente que não há qualquer risco de nos tornarmos espanhóis. É claro que o Saramago, depois da derrocada daquilo em que acreditou toda a vida, acha que tudo vai mal. Mas isso é problema dele, não nosso. O pior é a péssima imagem que isso dá do país. Já há artigos por toda a parte (que eu saiba, além dos jornais espanhóis, vários outros em Inglaterra e outros países) a citar o nosso único Nobel a dizer coisas que nos humilham.
    Quanto a Lisboa e a Carmona, é evidente que não partilho dessa visão de que está tudo mal na cidade. Várias coisas foram feitas nos últimos seis anos (recuperação de edifícos degradados, Monsanto, proibição do trânsito nos bairros históricos, central de compras, processo de revisão do PDM, clarificação da situação financeira, melhoria da aprovação de licenciamentos, túnel do Marquês, Quinta das Conchas, Casino Lisboa, Lx Alerta, novos equipamentos desportivos, saneamento financeiro da Emel, só para citar as primeiras que me ocorrem), embora seja certo que há muito que fazer, nomeadamente nas tais "pequenas coisas" que afectam muito a qualidade de vida: grafittis, passeios sujos pelos cãezinhos, buracos nos passeios (na minha freguesia, São Mamede, tal não se passa em número significativo), ecopontos, etc. E o trânsito e o estacionamento terão que ser enfrentados com outra energia.
    Mas o que mais me custa foi terem interrompido o mandato antes de Carmona (que conheço pessoalmente há vários anos e tenho na conta de pessoa seríssima)o ter completado. O que é da Justiça é da Justiça, o que é político julga-se em eleições no fim dos mandatos. Pelo menos é o que acontece em países civilizados e desenvolvidos.

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  11. Eu por exemplo votei em Carmona....

    Diz o articulista e está tudo dito....

    Votou no homem da Braga Parques.

    No homem que aceitou que Marques Mendes mandasse na Camara.

    No homem que conseguiu a proeza de em dois anos não ter uma ideia , um projecto .

    Em suma uma nulidade.

    Mas ainda há quem vote nele, e tenha o topete, de vir criticar os outros vereadores

    FRANCAMENTE.......

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  12. De acordo com a necessidade de "refundar" o PSD, sobretudo com a necessidade de os seus principais militantes deixarem as suas "estratégias" e aparecerem. É urgente o surgimento de uma alternativa a esta direcção medíocre. Mas não creio que Rui Rio seja essa pessoa, assemelhando-se em demasia ao estilo trauliteiro de Sócrates.

    Bem Pelo Contrário (http://bempelocontrario.blogspot.com/)

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  13. A Manela Ferreira Leite?
    Ahhhhhhh!!!!!!!!!!
    Mal por mal, antes o irmão!
    E quem é que vai deixar a rica vidinha que tanto custou a ganhar por ter estado a servir-se do partido, para voltar ao dito numa de altruísmo e amor pátrio?????
    O melhor é inscreverem-se todos no PS. E continuarem a casar filhos de uns com filhas de outros num alegre compadrio assumido. Tipo regime monárquico e cortes e castelos e palácios do antigamente, lembram-se?

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